19 de abril, de 2026 | 07:30
Dia dos Povos Indígenas: aldeia em Açucena ainda busca demarcação de terras
Por Isabelly QuintãoA data de 19 de abril marca, no Brasil, o Dia dos Povos Indígenas. O convite à valorização da cultura dos povos originários contrasta com a luta persistente pela demarcação de terras. A aldeia Pataxó Geru Tucunã, localizada em Açucena, município pertencente ao Colar Metropolitano do Vale do Aço, ainda não tem o território demarcado.
Em entrevista à reportagem do Diário do Aço, a professora Natália Braz da Conceição, que mora na aldeia, relatou que existe um diálogo entre o governo do Estado, o Instituto Estadual de Florestas (IEF), a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o governo federal a respeito da demarcação.
Em 2018 conseguimos o decreto pelo Fernando Pimentel (ex-governador) destinando a área para regularização fundiária, mas ainda não foi feita. Buscamos esse diálogo para que possamos continuar trabalhando na área de maneira sustentável. O Geru Tucunã é conhecido a nível mundial e precisamos da regularização do território para termos direito às políticas públicas”, afirmou.
Na década de 1970, período marcado pela ditadura militar, o povo Pataxó foi levado do extremo sul da Bahia para Carmésia, em Minas Gerais, onde ficava situado um presídio indígena na Fazenda Guarani. Em meados de 2010, a família de Natália foi convidada pelo IEF para entrar no Parque Estadual do Rio Corrente para cuidar da área.
O nome Geru Tucunã Pataxó significa Papagaio na Palma do Tucum. É o nome do pai do Cacique, que já faleceu. Era um grande guerreiro que sempre lutava pela demarcação de território. O nome dele era Paulo Braz. O nome indígena era Geru (papagaio), e Tucunã é uma árvore que retiramos tinta do fruto para pintar quando não tínhamos o Urucum”, contou a professora ao jornal.
Atualmente, existem aproximadamente 96 pessoas e famílias na aldeia. Com o deslocamento forçado no regime militar, algumas famílias se espalharam para diferentes regiões. Em Minas, o povo Pataxó está em Açucena, Guanhães, Carmésia, Itapecerica, Araçuaí, Brumadinho e São Joaquim de Bicas.
De geração para geração
O povo Pataxó resiste há 526 anos de ocupação do território, desde a chegada dos portugueses em 22 de abril de 1.500, onde é hoje o Sul da Bahia. À reportagem do Diário do Aço, Natália ressaltou que os indígenas ainda têm mantidos cantos, danças, grafismos, culinárias, rituais, oralidade e história, apesar da chegada de outras culturas.
Transmitimos diariamente nossas vivências para as crianças para passá-las de geração em geração. Estamos em trabalho de revitalização da nossa língua. Hoje a gente tem o ensino do Patxohã na escola. Praticamos a nossa língua para que ela possa reviver, voltar a falar. Usamos tecnologias para a juventude aprender e praticar”, mencionou.
O chamado para conhecer a cultura dos povos indígenas não se limita a este domingo. A professora destacou que visitantes são recebidos ao longo do ano para conhecerem a história e a atual realidade do povo Pataxó.
O Dia dos Povos Indígenas não é uma festa. Essa data nos lembra quanto de nossos povos foram extintos, quanto sangue foi derramado para construir uma cidade. É uma data para a sociedade lembrar que somos os povos originários. Muitos povos não têm território para produzir, plantar e criar crianças. Precisamos de um lugar digno para existência e sobrevivência”, finalizou.
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]















