15 de abril, de 2026 | 07:00
No Dia do Desenhista, artistas ipatinguenses destacam falta de apoio e valorização
Por Isabelly Quintão
O Dia do Desenhista é comemorado nesta quarta-feira, 15 de abril. A data homenageia ilustradores, tatuadores, animadores, grafiteiros e até mesmo arquitetos, designers, modeladores e estilistas. Os desenhos podem ser criados de diferentes formas, que vão do lápis e caneta para marcar um papel às mesas digitalizadoras e softwares de ilustração, incluindo também manifestações urbanas. Em entrevista à reportagem do Diário do Aço, profissionais relataram a falta de incentivo na região.
Rodrigo Frami é morador de Ipatinga e tem um estúdio de arte no Centro. O artista, de 41 anos, trabalha neste ramo há mais de 20 anos, mas o contato com a arte vem desde a infância. O estilo de trabalho de Rodrigo é próprio e foi sendo desenvolvido ao longo dos anos.
Atualmente, é tatuador e grafiteiro muralista, e destaca que no Vale do Aço o incentivo nessa área sempre foi limitado para os artistas. Existem poucas oportunidades para desenhar na nossa região. Falta oportunidade de encontros, promoção de eventos e até mesmo abrir espaços para que os artistas locais sejam mais valorizados e possam expor os seus trabalhos”, afirma.
Ele também enfatiza que para ter êxito na arte é preciso iniciativa. Além da iniciativa própria, o artista precisaria participar de eventos que poderiam ocorrer na nossa região. Eu sou um dos artistas que tive pouca oportunidade para ingressar nessa carreira. Ao longo dos anos, com a maior persistência que pude ter, consegui alcançar o meu espaço”, conta.
Para quem é amante da arte, Rodrigo aconselha a persistir naquilo que gosta. Busque mesmo sem o incentivo adequado que o artista merece. Acredito que o desenho, assim como todos os tipos de arte, é de muita importância para a cultura local. Além de incentivar novos talentos, ele aproxima a comunidade dos artistas”, acrescenta.
Fazer o possível com o que se tem”
A jovem Yandra Fontes, de 18 anos, atua no desenho e pintura de forma profissional há sete anos, começando o contato com a arte quando criança. Moradora de Ipatinga, Yandra também ressalta a limitação de incentivo aos artistas na região, o que ela acredita que para muitos pode levar a desistência de prosseguir na área.
Há pouca procura e pouca oferta na região, o que acaba desmotivando muitos artistas e, em alguns casos, levando até à desistência. Também faltam mais oportunidades de trabalho. A falta de acesso e incentivo faz com que muitas pessoas sintam que não vale a pena seguir na área”, pontua.
Yandra destaca que a arte pode ser difícil e muitas vezes os materiais têm alto custo, urgindo a necessidade de buscar alternativas ou fazer o possível com o que se tem”.
A jovem salienta que o desenho tem um papel importante na valorização da cultura local, uma vez que permite expressar identidades, histórias e sentimentos, além de contribuir para tornar o ambiente mais artístico e harmonioso".
Reconhecimento
O tatuador ipatinguense Diogo Oliveira, de 32 anos, exemplifica que não conhece pessoas que desenham, embora desenhe desde a infância. Ele complementa que o desenho, caso valorizado, poderia gerar renda para quem realmente quer. Falta reconhecimento artístico. O mercado está saturado de pessoas nessa área, e que não sabem o que estão fazendo. Nem comece se não for para botar a cara”, finaliza.
Arquivo Pessoal
Embora Diogo desenhe desde a infância, ele afirma não conhecer pessoas que desenham
Embora Diogo desenhe desde a infância, ele afirma não conhecer pessoas que desenham
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