10 de abril, de 2026 | 17:04

Trabalhadora com câncer é dispensada cinco dias após apresentar atestado e será indenizada por dano moral

José Cruz/Agência Brasil
A profissional contou que, ao longo do contrato, foi diagnosticada com câncer de mamaA profissional contou que, ao longo do contrato, foi diagnosticada com câncer de mama

Com informações do TRT-MG
A Justiça do Trabalho determinou o pagamento de indenização por danos morais, no valor de R$ 10 mil, à auxiliar de cozinha que foi dispensada de forma discriminatória após ser diagnosticada com câncer de mama. A decisão é da juíza titular da 3ª Vara do Trabalho de Contagem, Sílvia Maria Mata Machado Baccarini.

A profissional contou que, ao longo do contrato, foi diagnosticada com câncer de mama. Ela apresentou o atestado médico ao empregador em 2/1/2025, com o registro da doença: neoplasia maligna de mama. Também entregou o relatório médico informando de forma expressa o diagnóstico de câncer de mama direita multifocal.

Para a julgadora, ficou demonstrado que a trabalhadora foi diagnosticada com a doença de mama ainda durante o contrato. “E, diante da confissão do empregador, presume-se que esta teve ciência da doença da empregada, dada a apresentação do atestado médico”.

Segundo a juíza, após apresentar atestado médico com o diagnóstico de câncer, a trabalhadora foi dispensada apenas cinco dias depois. “Assim, considerando a comprovação do diagnóstico de câncer de mama pela autora, impõe-se reconhecer que houve dispensa discriminatória capaz de provocar danos aos direitos personalíssimos da empregada”, concluiu a julgadora.

A magistrada destacou que, diante da presunção de discriminação prevista na Súmula 443 do TST, cabe ao empregador produzir prova firme no sentido de que a dispensa não teve relação, direta ou indireta, com a enfermidade. “No caso dos autos, conforme pontuado, o reclamado é revel, não havendo nos autos nenhum elemento apto a afastar a presunção de ter sido discriminatória a dispensa operada”, destacou a julgadora.

Na decisão, a juíza ressaltou que o poder diretivo do empregador e o direito de pôr fim ao contrato de trabalho não é absoluto, encontrando limites nos princípios da dignidade da pessoa humana e na valorização do trabalho.

A juíza destacou que a Lei 9.029/1995 proíbe práticas discriminatórias no emprego, como dispensas motivadas por sexo, origem, raça ou estado civil, entre outros fatores. Ela ressaltou ainda que a dispensa no caso analisado configurou abuso de direito, conforme previsto no artigo 187 do Código Civil.

A magistrada determinou então o pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 10 mil. Ela considerou na decisão as condições econômicas do réu e o caráter pedagógico da pena. O processo está na fase de execução.
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Comentários

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Iracilda Bezerra Chaves Fernandes

12 de abril, 2026 | 07:32

“E muita desumanidade deses empresários, merecem multas em cima deles num valor de 1000 salários mínimos e indenização para a trabalhadora que esta inferma,.Comiigo e quase parecida a situação.,tenho12 anos de experiência vigilancia me afastei ,fiquei pelo auxilio doenca , ,fiz tratamentos ,recuperei, fui liberada,pela médica perita e a do trabalho ,voltando pra empresa ,recebo a notícia demitida ,e assim fico , sem trabalho e necessitada de ajuda ,mais com Fe em Deus ei de superar essa situação, eu creio amem.”

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