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06 de abril, de 2026 | 15:11

Sorumbática, esquisótica e aurélica...

Nena de Castro *


Estou a revirar-me, seus basbaques, com perfil meditabundo, patuscos. Isso em virtude de encontrar-me em dúvida cruel e putativa se lhes devo qualquer apanágio! Ora, parece-me que encaminhar-me-ei ao prebostado onde o preboste toma assento no faldistório vez que desusa o trono curul por lhe doerem as partes costais do cúspide cornimboque do diabo. Essa puteação hoquetou o frumento e ao furbesco acresceu-lhe corricas. Indecorosidade inculcadora de marciático papílio, devorador de papuã. E repleta de gáudio pela minha progênie, oiço ressoar os rataplans, celebrando o alencariano dito “natura non facit saltus”. Temulento, o idioma saracoteia-me o espírito e triglota que sou, adeuso-me! Ih, “se danou-se”, a Bugra maluqueceu de vez, dirão meus ardorosos cinco leitores!

Calma, pessoal, eu estou emulando o escrito de Luis Bessa, o jovem que escreveu um texto tão “precioso”, tão permeado de palavras “nobres”, e rebuscadas, que recebeu a nota ZERO na redação do Enem e está processando o reitor da USP. Posé, eu Bugrita da Silva detestei o tal texto! Embora acostumada a ler os parnasianos e outros que tais, dando-lhes o devido valor pela época e Escola Literária a que pertencem, sou adepta da simplicidade no uso dos vocábulos e na fala. E acredito piamente que quanto mais culta uma pessoa, mais simples ela deve ser: a Cultura deve ser ponte e não ilha, isolando o pretenso sábio em torre de marfim, longe de todos, assentado sobre sua “sabedoria”!

Daí que, não obstante tenha alisado bastante os bancos escolares e lido umas três dúzias de livros(rs) procuro conversar com simplicidade, comunicando-me com as pessoas sem armadilhas e exibições. Sou do povo, falo com simplicidade como o povo, minha palhaça JUJUBA é mambembe e odeio elitismo. Vejam o inicio da escrita do jovem: “Perpassa em altivez, pela procela, a grandiloquência condoreira, em cuja máxima aforismática revela a tétrica languidez do sofrer recôndito.”



“A Cultura deve ser ponte e não ilha, isolando o pretenso sábio
em torre de marfim, longe de todos, assentado sobre sua sabedoria”


Ah, tá, tendi tudim. Mas não precisava ser assim. Parece-me mais que o autor quer impressionar com tal vocabulário ou mostrar que é da elite! Um internauta chamado Leoloqz , manifestou-se bem de acordo:  “Li, com assaz estranheza e não menor enfado, a vossa escritura, na qual mais resplandece a vaidade de quem a lavrou do que a substância do que se pretendeu dizer, parecendo-me antes um exercício de engenho para deleite próprio do autor que instrumento fiel de comunicação entre os homens; e assim como outrora alguns cronistas, ao descreverem cousas singelas, as revestiam de tal aparato e voltas de linguagem que mais encobriam que revelavam, também vós, por meio de perífrases alongadas e termos de escolhida obscuridade, erigis um discurso que se contempla a si mesmo, olvidando que a palavra foi dada não para se fazer altar de soberba, mas ponte de entendimento; donde se segue que o pedantismo — esse antigo vício dos que mais prezam parecer doutos que sê-lo de fato — se vos infiltra nas linhas, fazendo crer que a dificuldade é sinal de grandeza, quando, na verdade, não passa de névoa que aparta o leitor e dissipa o intento, de sorte que, ao cabo, o que deveria esclarecer se turva, e o que buscava ensinar se perde, ficando apenas o eco de uma eloquência que, de tanto mirar-se, já não alcança outrem”. 

E pensar que o tema da redação era” o perdão é um ato que pode ser condicionado ou limitado”! Não se preocupem meus leitores, sou chegada a bobices, não! E as expressões que usei a princípio eu tirei do livro que estou lendo, o do Maurice Druon, e do Novo Dicionário do ti Orélio, que gosto muito de ler! E nada mais digo!

* Escritora e Encantadora de Histórias
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