27 de março, de 2026 | 08:15

Teatro transforma e forma público no Vale do Aço, destacam atrizes

Por Isabelly Quintão

O Dia Mundial do Teatro é celebrado nesta sexta-feira, 27 de março. Para marcar a data, o Diário do Aço ouviu artistas da região que falaram sobre o cenário no Vale do Aço e a força dos trabalhos desenvolvidos por profissionais da área.
Além de promover o teatro e sua importância pelo mundo, o intuito da data é incentivar artistas, governantes e comunidades em geral acerca da importância dessa arte. A data foi idealizada pelo Instituto Internacional de Teatro em 1961.

Daniela Alves estreou sua primeira peça profissional em 1992 e conta com mais de 30 anos de carreira. A atriz, que reside em Timóteo, enxerga o cenário atual como desafiador, mas também promissor.

Arquivo Pessoal
Daniela Alves estreou sua primeira peça profissional em 1992 Daniela Alves estreou sua primeira peça profissional em 1992


Ao jornal, ela mencionou acreditar que o Vale do Aço tem potencial para ser o maior polo de artes cênicas do interior mineiro. “Existem muitos cursos e formações importantes disponíveis para quem quer se especializar, como a Escola Municipal de Teatro, o DaMa Espaço Cultura e o Casa Laboratório. Grupos como Farroupilha e o Coletivo Aberto de Teatro produzem espetáculos altamente sofisticados e relevantes para o cenário teatral”, pontuou.

Daniela destacou que a formação de plateia nunca cessa, e é o segundo ofício do artista de teatro. “Essa formação se dá nas ações educativas do Instituto Usiminas, por exemplo, de forma impactante. Cada espetáculo didático lota a plateia do Centro Cultural para cinco apresentações, o que deve totalizar aproximadamente 3.500 crianças assistindo teatro, indo ao teatro, conhecendo essa magia”.

Acrescentou, ainda, que a Fundação Aperam Acesita, em Timóteo, também tem programação destinada às escolas, “levando alunos ao teatro, fazendo com que as crianças reconheçam os espaços teatrais e se sintam incluídas nesse contexto”.

Para a atriz, o teatro é reconhecido e respeitado na região e fora dela pelos fazedores de cultura. “Penso que podemos pensar em campanhas que divulguem esse alcance para a população em geral. Para que todos possam se orgulhar da nossa terra também por nosso fazer teatral de qualidade”, concluiu.

Importância


A atriz Ana Laura Lopes, de 23 anos, natural de Timóteo, é formada em Teatro, pós-graduanda e mestranda em Artes e estudante de maquiagem cênica. Em entrevista ao Diário do Aço, a jovem que faz teatro há 12 anos enfatizou que se trata de uma arte de troca, seja ela emocional, educativa, sensorial ou de senso crítico.

Arquivo pessoal
Ana Laura Lopes, natural de Timóteo, destacou que o ser humano pratica o teatro na sua essênciaAna Laura Lopes, natural de Timóteo, destacou que o ser humano pratica o teatro na sua essência


“O ser humano pratica o teatro na sua essência. É humano a gente querer representar, se ver no outro, ouvir histórias, contar histórias. Assim como qualquer outra necessidade ou direito humano, como alimentação, saúde, educação, o acesso à cultura também promove o desenvolvimento social. O que mais me emociona durante as apresentações é ver alguém que não costuma frequentar se entregar por completo”.

Um espetáculo de rua foi uma das experiências mais desafiadoras da artista. Ela contou que no espaço da apresentação haviam muitas pessoas em situação de rua que vivenciavam conflitos diários.

“No início, eram bem resistentes, havia briga entre eles e mandavam a gente sair. Conseguimos ensaiar quando começaram a interagir conosco, assistir aos ensaios e no dia da apresentação também estavam presentes. Juntaram dinheiro entre eles, compraram uma caixa de bombom, distribuíram chocolate para o elenco, agradecendo por termos permitido assistirem, uma vez que a maioria das pessoas só ignora a presença”, relatou.

Entre os desafios de viver de teatro hoje, a jovem mencionou a busca da sociedade por estímulos rápidos. “A presença é uma coisa que está correndo risco. E o teatro é uma arte da presença. Já do ponto de vista político, eu acho que falta representatividade. Vemos cortes na área da cultura e hoje a maioria dos artistas ou grupos de teatro trabalha de forma independente”, finalizou.
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