25 de março, de 2026 | 07:05

Fundo Clima terá R$ 42,5 bilhões em 2026 e juros podem ser até de 1% ao ano

Antonio Nahas Jr *

Enquanto a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã abala o mundo e eleva os preços do petróleo, no Brasil, o Comitê Diretor do Fundo Nacional de Mudança Climática - FNMC - divulgou, na semana passada, seu Plano Anual de Aplicação de Recursos, informando a disponibilidade de recursos para 2026, as taxas de juros e as prioridades para sua aplicação. É muito dinheiro: quase R$ 43 bilhões. E, em todas as modalidades de financiamento, com juros muito mais baixos que a Selic, que hoje está em 14,75%, sufocando nossa economia.

Este fundo foi criado em 2009, mas só passou a ter importância após o Brasil ter assinado o Acordo de Paris, em 2015, quando o país assumiu compromisso em diminuir suas emissões de carbono. E, em 2023, em Baku, na COP 29, realizada no Afeganistão, a ministra Marina Silva reviu nossas metas climáticas. Para que estas novas metas sejam alcançadas, vão ser precisas transformações profundas em toda nossa sociedade: geração de energia renovável; diminuição do desmatamento e das queimadas; modificações na logística industrial e descarbonização de setores da produção. E muito dinheiro para investir nestas mudanças. O objetivo do fundo é ambicioso: transformar todo nosso sistema produtivo para que haja redução de emissões e a geração de créditos de carbono.

Programas e metas - O Fundo Clima abriga dois programas complementares e distintos. Para o primeiro - Ecoinvest -, foram destinados 15 bilhões de reais. Este programa é para grandes empresas e destina-se à atração de investimentos privados voltados à transição ecológica no país. O Brasil necessita de grandes aportes em transição energética. Isto porque quem planta, refloresta ou ajuda a proteger reservas florestais aumenta a retenção de carbono que existe na atmosfera. Esta retenção passou a valer dinheiro.


"Este fundo foi criado em 2009, mas só passou a
ter importância após o Brasil ter assinado o
Acordo de Paris, em 2015"


Já a outra linha é bem mais ampla e diversa. Ela procura gerar fontes de financiamento para a execução das prioridades estabelecidas no Plano Nacional de Mudanças Climáticas - Plano Clima -, cujo sumário executivo também acaba de ser publicado pelo governo. São seis prioridades: Desenvolvimento Urbano Resiliente e Sustentável; Indústria Verde; Logística de Transporte; Transporte Coletivo e Mobilidade Verde; Transição Energética; Florestas Nativas e Recursos Hídricos; e Serviços e Inovação Verdes.

Cada uma destas linhas possui uma descrição do que pode ou não ser financiado. São objetivos bastante amplos, e a análise do agente financeiro é que vai decidir se compõem ou não as prioridades estabelecidas no Plano de Aplicação de Recursos.

O Comitê exige que todos os projetos estejam alinhados com os Objetivos de Mitigação e Adaptação Climáticas estabelecidos pelo órgão.

Conforme o Plano Clima, adaptação é aprender a viver com a elevação da temperatura (plantar áreas verdes urbanas, proteger rios e nascentes; evitar desastres em áreas de risco). Já mitigação é a redução das emissões ou a retenção de carbono existente na atmosfera, através do reflorestamento rural e urbano. Os projetos serão encaminhados ao agente financeiro, o BNDES ou bancos por ele credenciados. Ali serão aprovados e priorizados. Critérios como desenvolvimento regional; geração de emprego; participação da comunidade na elaboração e benefícios gerados na sua execução serão muito bem-vindos.

O banco desenvolveu até mesmo uma Calculadora de Crédito de Carbono dos projetos. Será verificado se estes realmente reduzem emissões.

Juros e prazo - Por fim, o mais importante: o programa trabalha com juros baixos, bom período de carência (tempo para se iniciar a pagar os financiamentos) e prazos de pagamento estendidos.

São linhas de financiamento desenhadas para que os investimentos sejam feitos, comecem a funcionar e só após estarem gerando resultados é que haverá o início do pagamento. Para máquinas e equipamentos, por exemplo (que poupem carbono, claro), os juros são de 6,5% ao ano mais a taxa do BNDES (0,9%). Há cinco anos de carência e, no total, 16 anos para pagar.


" O Comitê exige que todos os projetos estejam
alinhados com os Objetivos de Mitigação e
Adaptação Climáticas estabelecidos pelo órgão”


E no item Florestas Nativas e Sustentáveis, que financia manejo florestal sustentável; recomposição e manutenção da revitalização e proteção de mananciais; renaturalização de rios urbanos; implantação de corredores ecológicos nas cidades; plantio florestal de espécies nativas e sistemas agroflorestais; combate à desertificação; apoio a investimentos em unidades de conservação públicas, incluindo serviços de apoio à visitação, temos condições excepcionais: 1% ao ano, mais taxa do BNDES (1,3%); 25 anos para pagar, incluindo 8 meses de carência.

Alguém poderia perguntar: e de onde vem este dinheiro? Pois vem do melhor lugar possível: aplicações para o recurso que a União capta da exploração do petróleo. O rei petróleo, base da nossa economia, sendo utilizado para a transição energética! E parabéns ao prefeito Gustavo Nunes e ao ministro Alexandre Silveira por terem viabilizado investimentos tão importantes na logística de transporte do município, reduzindo a poluição. Foram adquiridos 88 ônibus na linha de financiamento do PAC Cidades, modelado pelo governo federal. Serão mais confortáveis e silenciosos que os atuais e utilizam tecnologia baseada no padrão Euro 6, o que existe de mais moderno para motores a diesel. Custaram 68 milhões, mas valeu a pena. Que este seja o primeiro de muitos outros projetos. E quem quiser se aprofundar no clima: www.gov.br/mma/pt-br/composicao/secex/dfre/fundo-nacional-sobre-mudanca-do-clima/PAAR2026.pdf

* Economista, empresário. Diretor da NMC Integrativa. E-mail: [email protected]

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Comentários

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Tião Aranha

27 de março, 2026 | 10:58

“No Iran uma jovem hoje de 20 anos foi enforcada porque não apoia o regime do deus dos aitolas. Com dirigente de nação que apoia esse regime desses malucos, não vai demorar tb isso acontecer aqui. O crescimento dessa nação deveria ser mais espiritual que material, se fosse na China, um cidadão dum banco que desviasse 51 bilhões de reais já teria sido fuzilado. Aqui bandidos, ladrões dos cofres públicos são tratados como heróis. O caso do banco Master põe em cheque a honestidade duvidosa de autoridades dos poderes legislativo, executivo e judiciário. Ainda quer que tudo dê certo. Ou será que não pode falar da podridão da República? Teve um candidato da esquerda que falou muito do jogar a sujeira pra debaixo do tapete, hoje no poder, ele faz o mesmo. E talvez até pior, com parentes seu envolvido nessas sujeiras. É pena do Brasil não ser um país sério. (Só de araque). Mas quando é que essa máscara vai cair? É triste ver economistas, professor de História, e tantos outros que se dizem "intelectuais" apoiando essa trupe. -Ou será que é eu que estou errado? Temas sérios deveriam ser tratados por pessoas sérias. Pessoas de credibilidade pública comprovada. E não por aventureiros e/ou palpiteiros. Rs.”

Marcos Silva

26 de março, 2026 | 13:27

“Excelente análise, Sr. Antonio!
A clareza ao explicar o papel do Fundo Clima e seus impactos na economia mostra o quanto esse tema é estratégico para o Brasil neste momento.”

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