24 de março, de 2026 | 18:00
Novela conta fábula afro-brasileira para conquistar o público
Estevam Avellar/Divulgação
Os soberanos de Batanga, Rei Cayman II (Welket Bungué) e Rainha Niara (Erika Januza): a força e a esperança de um reino inesquecível
Uma história que atravessa o oceano e conecta culturas, destinos e sentimentos. Assim se apresenta A Nobreza do Amor”, novela das seis da Globo que está na segunda semana no ar com a proposta de unir dois mundos distintos em uma fábula afro-brasileira ambientada na década de 1920. A trama acompanha o improvável encontro entre a princesa africana Alika (Duda Santos) e o jovem trabalhador nordestino Tonho (Ronald Sotto), protagonistas de uma narrativa que mistura romance, aventura, humor e drama em meio a conflitos políticos e descobertas pessoais.
Os soberanos de Batanga, Rei Cayman II (Welket Bungué) e Rainha Niara (Erika Januza): a força e a esperança de um reino inesquecívelCriada e escrita por Duca Rachid, Júlio Fischer e Elisio Lopes Jr., a novela se passa em dois universos fictícios que dialogam entre si: o reino africano de Batanga e a cidade de Barro Preto, localizada no interior do Rio Grande do Norte. Embora separados geograficamente, os cenários revelam conexões culturais profundas e ajudam a destacar a herança africana presente na formação do Brasil.
Reino fictício africano
A trama teve início em Batanga, antiga colônia portuguesa que conquistou sua independência após uma guerra liderada por Lumumba, coroado Rei Cayman II (Welket Bungué). Ao lado da Rainha Niara (Erika Januza) e da filha, a Princesa Alika, o monarca governava um período de prosperidade no reino, sustentado pela exploração das minas de tungstênio. No entanto, a estabilidade foi ameaçada pela ambição de Jendal (Lázaro Ramos), primeiro-ministro do reino e aliado de longa data da família real.
Movido pelo desejo de poder, Jendal traiu Cayman II, liderou um golpe de estado e se autoproclamou rei após derrotar as tropas leais à coroa com apoio de forças estrangeiras. Com a família real condenada à morte, Alika aceitou se casar com o tirano para salvar os pais. A estratégia, porém, abriu caminho para uma fuga dramática organizada por aliados do reino. Durante a escapada rumo ao porto, Cayman acaba ferido mortalmente, mas antes de morrer revelou à esposa e à filha o destino para onde devem seguir: o Brasil, onde vive seu irmão Zambi, que abandonou a coroa anos antes para construir uma nova vida.
Exiladas, Alika e Niara atravessaram o Atlântico e chegaram ao Rio Grande do Norte. Depois de passarem por Natal, seguiram para Barro Preto, uma pequena cidade cercada por falésias e marcada pelo encontro entre sertão e litoral. Então, para garantir segurança, passam a viver sob novas identidades - Lúcia e Vera - enquanto tentam reconstruir suas vidas e aguardam o momento de retornar à África para recuperar o trono de Batanga.
É em Barro Preto que Alika conhece Tonho, funcionário do Engenho Santa Fé. Os dois, que compartilham o senso de responsabilidade com suas comunidades, descobrem juntos o despertar de um sentimento até então desconhecido. No entanto, o romance enfrentará fortes obstáculos. Entre eles estão Mirinho (Nicolas Prattes) e Virgínia (Theresa Fonseca), representantes das duas famílias mais influentes da cidade.
Em Barro Preto, poucos sabem que a cidade se tornou refúgio de uma realeza africana deposta. Em meio à rotina da pequena comunidade, Alika começa a revelar aos moradores - especialmente a Tonho - um olhar crítico sobre desigualdades sociais e heranças históricas ainda presentes no Brasil, país que havia abolido a escravidão menos de quatro décadas antes.
Ligação histórica
Segundo os autores, a novela busca revisitar a ligação histórica entre África e Brasil a partir de uma perspectiva que valoriza a ancestralidade e a formação cultural do país. A narrativa propõe refletir sobre identidades, pertencimento e memória, ao mesmo tempo em que constrói uma história de amor capaz de atravessar fronteiras e diferenças.
Lázaro Ramos é o vilão Jendal: a caracterização e o figurino são fundamentais na construção visual da novelaA caracterização e o figurino também desempenham papel fundamental na construção visual da novela. Em Batanga, a estética foi inspirada em tradições de diferentes povos africanos, com tecidos artesanais, cores vibrantes e peças que remetem à nobreza. Já em Barro Preto, os figurinos dialogam com a moda dos anos 1920 e refletem as personalidades de cada personagem, criando um contraste entre os dois universos.
Com essa narrativa que mistura política, romance, aventura e humor, A Nobreza do Amor” promete levar ao público uma história marcada por encontros improváveis, disputas de poder e laços culturais que atravessam gerações e continentes. Entre o sertão nordestino e um reino africano fictício, a novela aposta na força da ancestralidade e na capacidade do amor de superar distâncias - inclusive as de um oceano inteiro.
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