23 de março, de 2026 | 18:00

A rainha Sisigambis e Alexandre o Grande...

Nena de Castro *


Bom dia apesar de tudo, meus amados cinco leitores! Dizem que Sisigambis, mãe do rei Dario III da Pérsia, ao ser abandonada pelo filho que fugiu ante os exércitos macedônios de Alexandre, o Grande, viu-se na contingência de se tornar escrava ou morrer com a nora e o neto. Era uma rainha com seus 40 anos, ainda belíssima, que ante a situação, optou pela vida.  Então, Alexandre Magno, o vencedor, que praticamente conquistara toda a Ásia e nordeste da África entrou em sua tenda acompanhado por Hefastião, ela se atirou a seus pés, pedindo clemência. Só que coitada, literalmente “montou num porco” - como dizem os roceiros - pois  inadvertidamente se jogou ante Hefastião, que era o mais alto; visto que o Google ainda não tinha sido inventado, e ela não tinha redes sociais, não conhecia  Alexandre e errou feio. Esclarecido o engano, a mulher, coitada, pediu perdão e se humilhou mais ainda, até que o braço do rei a consolou e ele a chamou de mãe.

Sisigambis continuou a viver na corte e foi realmente uma segunda mãe para Alexandre e nunca o abandonou. Ocorre que aos 32 anos, Alexandre morreu na Babilônia, até hoje não sabe ao certo a causa. A notícia de sua morte correu por toda a Ásia como um mau agouro: não havia um herdeiro indicado e os boatos davam conta de crimes e focos de rebelião e o temor de que haveria assaltos ao poder nos domínios imperiais. Sisigambis e seus parentes prantearam o rei morto com genuína aflição, temerosos por seu destino ante a luta pelo poder.

As mulheres e seus filhos, enfim, todas as famílias ficariam à mercê da violência da guerra que seria travada em busca da coroa e das riquezas do reino. A rainha trazia na memória o jugo dos caídos e crimes e injustiças que se multiplicavam ao redor de um trono vazio. Tinha chorado por seu filho Dario III, assassinado por seus generais, e agora perdia Alexandre que a tratava como mãe. Sabia que sobre as mulheres e seus filhos, recairiam todos os abusos dos dominadores, fossem quem fossem. Ela viveu tempos de dor, espanto, sofrimento, até sucumbir. Tal e qual as mulheres e crianças da Pérsia, o atual Irã, do Líbano, dos países próximos e do próprio Israel que se vê bombardeado...  

O país do lourão tem perdido soldados e aviões, a gente não sabe mais em que pensar, ai, ai, ai, novas alianças estão sendo formadas pelos países litigantes! Enquanto escrevo, um sabiá canta indecentemente bonito pousado no meu pé de cajá, crianças passam pela rua conversando com a mãe e segurando uma bola, meu cãozinho velho e cego de um olho está deitado aos meus pés, acaricio sua barriga e ele “sorri”, escondendo os olhos com as patas e o pensamento voa na inútil tentativa de compreender certos uns que tudo fazem para destruir-nos!  

A política nacional anda cada vez mais podre e nem posso ir pra Pasárgada porque os aviões que chegam lá estão parados, sem combustível! Eita! Pra não falar só de tristeza, lembrei do homem que achou no lixão centenas de currículos desovados por uma firma que classificara os candidatos com etiquetas que os discriminavam: Cor, Periférico, Gestante, Péssima Aparência... Ele os recolheu, desamassou, refez os que estavam sujos e encaminhou para firmas diversas que estavam contratando. Muitas pessoas foram chamadas e já estão trabalhando! Que maravilha! E nada mais digo!
* Escritora e Encantadora de Histórias.
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