17 de março, de 2026 | 06:00

Mudou de ideia

Fernando Rocha

Há pouco mais de uma semana, no calor da comemoração pela conquista do título de campeão estadual, quebrando um jejum de seis anos sem levantar a taça do chamado “rural”, o dono do Cruzeiro, Pedro Lourenço, disse que estava “fechado com o Tite”, que ele era e seria o treinador até o fim da temporada, que não aceitava “pressões de redes sociais”, etc., coisa e tal.

Depois do empate em 3 x 3 com o Vasco da Gama, anteontem, no Mineirão, diante dos mesmos vacilos e erros do time comandado por Tite, o dono do Cruzeiro mudou o discurso e demitiu o treinador, sem levar em conta os desfalques de pilares da equipe como o goleiro Cássio, o volante Lucas Romero e o artilheiro Kaio Jorge.

O dono da Raposa, Pedro Lourenço, errou feio ao desaposentar Tite, um ex-treinador em atividade, muito caro, com ideias ultrapassadas, cujo objetivo parece ser emplacar o filho Matheus na profissão que o levou a ser um vencedor e o tornou milionário.

O que interessa agora é quem será o novo treinador, pois há uma dezena de nomes bons e ruins no mercado sendo falados, mas a atual situação de figurante da zona de rebaixamento, desde a primeira rodada do Brasileirão, não permite um novo erro.

Outro vexame
Mais um vexame do Atlético, outra vez derrotado, agora pelo modesto time do Vitória, no Barradão, em Salvador-BA, apesar das tentativas do técnico Eduardo Dominguez de melhorar o rendimento da equipe promovendo a troca de jogadores titulares.

Até que nos 20 minutos iniciais houve melhora no ataque, com o surgimento de tabelas e chances criadas, mas todas desperdiçadas, até que sofreu o primeiro gol e se perdeu totalmente.

Soma-se a tudo isso uma incapacidade de jogadores recém-contratados como Preciado, Minda, Cassierra, entre outros, juntamente com os que já estão há mais tempo na equipe, para acrescentar alguma coisa e fazer do Galo uma equipe vencedora. O trabalho do diretor de futebol Paulo Bracks está sendo muito questionado, mas não se pode esquecer que acima dele estão os donos da SAF que comanda o clube e são eles que dão as cartas, sendo assim os maiores responsáveis por este fracasso até aqui na temporada.

FIM DE PAPO

O jornalista Fael Lima, natural da vizinha e centenária Caratinga, que trabalha na TV Alterosa, afiliada do SBT, escreveu em sua conta no “X”, antigo Twitter, algo para se pensar: “Achei que o time queria derrubar o Cuca. Achei que o time queria derrubar o Sampaoli. Achei que o time queria derrubar o Barba. O time tá querendo derrubar o clube”. De fato, cobra-se competência principalmente de treinadores, mas os jogadores, que ganham fortunas, têm tudo do bom e do melhor para desempenhar seu trabalho, não são cobrados como deveriam.

O atleticano, que já andava chateado com o time, ainda teve de aguentar o ex-goleiro e ex-diretor Victor Baggi, agora comentarista do Sportv, dizer, entre outras coisas, que “o plantel atual do Atlético é desequilibrado”. Mas se esqueceu de falar que foi ele um dos responsáveis pela contratação e montagem do atual elenco; portanto, se existem culpados o seu nome aparece entre os primeiros da lista.

O Cruzeiro jogou no lixo três meses de trabalho com a demissão do técnico Tite, o que expõe o planejamento equivocado, muito mal feito, incluindo também uma avaliação de grupo superestimada. Gastou milhões em uma só contratação, do meia Gerson, sem considerar a necessidade de mais três ou quatro jogadores para suprir posições carentes. Para quem possui um calendário que inclui, além do Brasileiro, a Copa do Brasil, mas, sobretudo, a Copa Libertadores, o mais importante torneio do continente, o atual elenco mostra-se insuficiente.

O departamento de futebol do Cruzeiro ficou órfão com a saída do experiente Paulo Pelaipe, que se transferiu para o Grêmio. O atual diretor, Bruno Spindel, chegou com toda a pompa de vencedor, pela passagem no Flamengo, mas não tem a mesma capacidade de seu antecessor. Foi sua a avaliação do atual plantel, sem levar em conta a necessidade de mais um zagueiro, um volante, um meia e um atacante no mesmo nível dos titulares. Spindel também demorou a agir quando Tite permitiu que seu filho comandasse a equipe à beira do gramado, o que gerou um desgaste enorme com a torcida. Antes tarde do que nunca, ainda há tempo para corrigir a rota, mas a diretoria precisa descer do pedestal onde ela mesma se colocou. (Fecha o pano!)

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