16 de março, de 2026 | 15:08

Chama a perna cabeluda!

Nena de Castro *

Dia, meu povo, tudo bão coceis? Bão num tem jeito de tá, né, acauso oceis entraro no supermercado por esses dias? Valei-nos Santantõe do Categiró, da Freguesia do Ó e de outras freguesias! Isturdia quaisqui dismaiei ao ver uma dúzia d’ovos vendidas a 18 reais, assim, na cara dura! E o preço do combustível com as mamparras do EsTRUMPiço lá pras bandas do Oriente Médio?

Acá, a Bugra, que é também a famosa Mãe Dinada, conhecida no Naque, Vargem Alegre, Periquito, Dom Lara, Tribuna e toda zona rural de Ipatinga, teve uma premonição: depois de tomar na cara e no fiofó em sua malograda tentativa de submeter o Irã, achando que seria facim, facim “libertar” os iranianos e pegar seu petróleo, o Pinto Calçudo, tentando salvar a honra que não tem, vai virar os canhões contra Cuba e o Brasil. Pode parecer ridículo, mas há sérias possibilidades de sermos “libertos” e eles abocanharem a Amazônia, nossos minerais e petróleo, velho sonho dos ianques. Já tem um monte de rezador pra pneu implorando ao Lourão que invada o patropi!

Eta atraso mental, meu Deus, acho que é a idade, mas eu tenho cada vez menos paciência com bubices! Então decidi apelar para a famosa Perna Cabeluda! Uai, cê num sabe o que é isso não? Rapaz, é uma lenda urbana de Recife, que surgiu em meados da década de 1970 que conta: uma perna coberta de cabelos começou a aparecer nos becos e vielas e chutar a bunda dos transeuntes. A coisa foi pras rádios, pros jornais e cresceu, aumentando o medo!  Misto de humor, medo e crítica social, e ainda hoje ainda rondando o imaginário popular com a mesma força de 50 anos atrás: há até uma estátua em homenagem á perna Cabeluda que foi também celebrada pela Literatura de Cordel.

E não é que o diretor Kléber Mendonça Filho fez reviver essa figura mítica no filme “O Agente Secreto” e a criatura, além do susto, passa a ser um espelho da própria sociedade? Vivíamos os “anos de chumbo” e o país estava sob vigilância, havia medo nos ares. E havia resistência, gemidos de tortura e muita coisa ruim mais e acima de tudo, o desejo de liberdade...  

Vejam a película e conheçam a perna cabeluda que sai de dentro de um tubarão e começa a assombrar. Como o filme mostra aquela cena icônica do Wagner Moura usando um orelhão, bateu saudade! Se você nunca ficou na fila esperando sua vez, fichinha na mão enquanto alguém namorava, não sabe o que é sofrer! E nesse clima, mandei um telegrama urgente (isso ainda existe, gente? Rs.)  para a Perna Cabeluda, em Recife, que arranje uma bota de ferro com muitos pregos para chutar o Lourão e todos que brincam com a vida das pessoas, bombardeando sem dó nem piedade crianças nas escolas, hospitais, mulheres, idosos, famílias inteiras apenas pelo prazer de demonstrar força, arrogância, covardia, crueldade! E nada mais digo, vez que estou entalada com tanto presságio ruim! Saaarta! Queremos paz!

* Escritora e contadora de histórias
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