11 de março, de 2026 | 14:49

Comércio mineiro registra recuo de 0,4% em janeiro

Segundo Boletim Econômico do BDMG, as famílias têm despesas fixas neste período, o que limita as compras no setor

Alex Ferreira/Arquivo DA
Estacionamento de shopping em Ipatinga: para economista, despesas fixas neste período impactam no resultado do comércio Estacionamento de shopping em Ipatinga: para economista, despesas fixas neste período impactam no resultado do comércio

As vendas do comércio varejista em Minas Gerais recuaram 0,4% em janeiro. No acumulado dos últimos 12 meses, contudo, o resultado é positivo, com crescimento de 1,5%. Os dados estão no Boletim Econômico do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) divulgado nesta quarta-feira (11).

De acordo com o economista do BDMG Érico Grossi, esse desempenho é esperado para o primeiro mês ano. “É preciso lembrar que este período concentra despesas obrigatórias para muitas famílias, como os impostos do IPTU, IPVA e a matrícula da escola dos filhos. Esses gastos comprometem uma parte da renda e, com isso, as compras no comércio tendem a ter um patamar menor”, avalia Grossi.

No varejo ampliado, que inclui segmentos como veículos, material de construção e atacado de alimentos e bebidas, Minas Gerais apresentou um crescimento de 0,6% em janeiro.

Detalhamento


O volume de vendas no varejo de Minas Gerais recuou 0,4%, na passagem de dezembro para janeiro, em sentido contrário ao observado no Brasil (0,4%). No varejo ampliado, que inclui as vendas de veículos e peças, material de construção e atacado em alimentos e bebidas, o volume de vendas no estado avançou (0,6%), próximo do crescimento observado no país (0,9%). No acumulado em 12 meses, o volume de comércio no varejo restrito avançou 1,5% no estado, muito próximo ao observado no país (1,6%).

O crescimento foi puxado por seis dos oito segmentos pesquisados, com destaque para perfumaria, cosméticos e farmácias (9,6%) e para artigos de uso pessoal e doméstico (5,7%).

Já equipamentos para TIC (-28,9%) e móveis e eletrodomésticos (-3,4%) recuaram. Nesta base de comparação, observa-se um resfriamento nos últimos meses, visto que o índice registrava crescimento de 1,9% em setembro de 2025.

No varejo ampliado mineiro, o volume de vendas cresceu 0,7%, em 12 meses, acima da estabilidade observada no país (0,0%). Neste segmento, o resultado em Minas Gerais foi puxado pelo crescimento de 1,6% em material de construção, contrabalanceado pela retração em veículos (-0,7%).

Análise e Perspectivas


O estudo do BDMG mostra que o desempenho das vendas no comércio de Minas Gerais inicia 2026 apontando para um resfriamento. Atividades ligadas ao consumo das famílias, como supermercados, tecidos, vestuário e calçados, além de móveis e eletrodomésticos perderam força desde o segundo semestre do ano passado, impactando negativamente o desempenho do comércio restrito.

Varejista


Para o BDMG, os dados do comércio varejista ampliado precisam ser observados com cautela. O atacado em alimentos e bebidas saiu de um forte recuo em setembro do ano anterior (-11,0%) para uma menor contração (-1,7%) em janeiro, no acumulado em 12 meses. Este movimento fez o comércio ampliado registrar uma retomada que não está representada nas outras atividades. As vendas em material de construção resfriaram ao longo do ano passado e estão resilientes desde o quarto trimestre de 2025. Já o comércio de veículos e motocicletas despencou, saindo de 14,2%, em março de 2025, para -0,7%, em janeiro de 2026. Estas atividades refletem o ambiente contracionista do crédito no país, com a elevação da taxa de juros.



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