08 de março, de 2026 | 07:30
Pequenos negócios de mulheres ainda são vistos como ''bico'', dizem empreendedoras
Por Isabelly QuintãoNo Dia Internacional das Mulheres, celebrado anualmente em 8 de março, mulheres empreendedoras falaram à reportagem do Diário do Aço sobre a dificuldade em serem levadas a sério. O desafio é comum entre as entrevistadas, que relataram desvalorização por preconceito e estereótipos de gênero.
A história do empreendedorismo de Neila Cristina da Costa, de 50 anos, começou com sua primeira fornada de biscoitos, que foi feita com uma nata congelada guardada em casa, uma receita encontrada na internet e menos de R$ 20 de investimento.
Antes, para a timotense, que busca resgatar a memória afetiva dos tempos de avó”, fazer biscoitos era apenas um hobby. Eles eram destinados a amigos ou serviam para consumo em casa e aquisição de renda extra. No entanto, após se divorciar em 2018 os biscoitos artesanais viraram sua principal fonte de renda.
À reportagem do Diário do Aço, ela conta que no início uma das maiores dificuldades foi fazer as pessoas entenderem que fazer biscoitos era realmente seu trabalho. Como eu trabalho em casa, muitos acham que é apenas um passatempo, mas eu tenho horários, encomendas e responsabilidades como qualquer outro trabalho. Conciliar trabalho, vida pessoal e família exige organização e disciplina, principalmente trabalhando em casa”, pontua.
Atualmente, faz parte da rota Vales dos Tropeiros Cicloturismo, atrativo turístico do Vale do Aço, apoiado pelo Sebrae, e destaca que empreender lhe deu a oportunidade de recomeçar, conquistar independência e transformar um talento simples em sustento.
Nem me viam como empreendedora”
O cenário é parecido com o da jovem Maria Luiza Lopes Bernardo, de 20 anos. Além de trabalhar de home office como suporte de atendimentos de uma empresa, Maria Luiza, que reside em Timóteo, tem sua própria doceria artesanal.
Ela começou a empreender com 16 anos. O primeiro negócio, uma loja de roupa online, a fez perceber que o ramo do vestuário não era o ideal. Alguns meses depois, passou a vender brigadeiros na escola, o que a fez investir na área da confeitaria.
Comprei alguns materiais simples e básicos para fazer os primeiros brigadeiros, em torno de R$ 40 na época. Uma das minhas maiores dificuldades foi a falta de experiência. Mesmo seguindo as receitas, o resultado nem sempre era como esperado e, às vezes, quando tinha encomenda e algo dava errado, isso me frustrava bastante. Ainda assim, continuei tentando. Com o tempo fui estudando mais, praticando e aprimorando minhas técnicas”, relata.
A jovem detalha que muitas pessoas apenas viam uma garota vendendo brigadeiros, e não enxergavam aquilo como uma empresa de verdade. Nem me viam como uma empreendedora. Conciliar tudo realmente é uma loucura e nem sempre consigo dar 100% em todas as áreas da minha vida, e está tudo bem. Toda a minha jornada é muito marcante, principalmente porque eu fui crescendo junto com o meu negócio”, disse.
Questionamentos
O primeiro emprego de Shirley de Assis foi no comércio. Ela conta que trabalhou como bancária e começou a vender joias e semijoias depois de ser demitida por uma empresa na qual trabalhou por 22 anos.
Arquivo Pessoal
Falta de reconhecimento fez Shirley de Assis repensar rotas, mas não a tirou do empreendedorismo
Falta de reconhecimento fez Shirley de Assis repensar rotas, mas não a tirou do empreendedorismo Já sendo familiarizada com acessórios, uma vez que pegava mostruários com uma vendedora que conhecia, formou uma carteira de clientes. Empreendo desde criança. Sempre gostei de vender as coisas. Vendia frutas do quintal da minha casa e livros quando mudava de ano escolar. Já vendi cosméticos, roupas, relógios e perfumes”, acrescenta.
Relata, ainda, que ao começar a empreender era questionada se realmente não voltaria para o banco. O que eu sinto é que as pessoas perguntam com o que eu trabalho e esperam que eu responda que sou funcionária de alguma empresa. Então, eu estava olhando outra área. As pessoas enxergam mulheres como profissionais só sendo funcionárias ou concursadas. Eu gosto do que eu faço, então vou continuar assim”, finaliza.
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