08 de março, de 2026 | 07:00
Cidades despreparadas
Elzio Mistrelo *
A forte chuva das semanas anteriores que atingiram a região da Zona da Mata, em Minas Gerais, causaram a morte de 65 pessoas e deixaram mais de 8.500 desabrigados na cidade de Juiz de Fora, além de ter destruído diversos bairros, com casas derrubadas, muita lama e entulho espalhados por todos os lados. Próximo dali, no município de Ubá, outras sete pessoas perderam a vida e cerca de 5.000 foram desalojadas.
Em 2023, também testemunhamos o maior volume de chuva já registrado no Brasil em menos de 24h em São Sebastião, no litoral Norte de São Paulo, contabilizando 65 vítimas fatais. Um ano depois, Porto Alegre sofreu com a pior enchente da sua história, com 12% da população local diretamente afetada. No final do ano passado, a capital baiana também foi atingida por um forte temporal, que alagou ruas e invadiu casas.
A ocorrência dessas chuvas é cada vez mais frequente, reflexo das mudanças climáticas que vêm ocorrendo em todo o mundo. O alerta para os impactos desse processo no meio ambiente e na vida das pessoas já é feito há muito tempo, mas pouco se avançou para reduzir o ritmo com que estamos destruindo o planeta ou para compensar os danos gerados e evitar prejuízos ainda maiores. Estamos, agora, pagando essa conta.
A ocorrência dessas fortes chuvas é cada
vez mais frequente, reflexo das mudanças
climáticas que vêm ocorrendo em todo o mundo”
Essa sucessão de episódios trágicos evidência a falta de preparo das nossas cidades no enfrentamento aos eventos climáticos extremos, que somente em 2025 impactaram, aproximadamente, 336 mil pessoas em todo o país, segundo o relatório Estado do Clima, Extremos de Clima e Desastres no Brasil”, elaborado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
É urgente, portanto, que os nossos gestores públicos incluam nas agendas das cidades um debate técnico amplo para discutir um novo modelo de gestão hídrica, adequado à realidade de cada localidade. Esse planejamento deve contemplar medidas estruturais e não estruturais capazes de controlar ou reduzir os impactos de novas tempestades, incluindo o ordenamento do uso do solo e o manejo das águas pluviais de forma correta.
Não podemos permitir que os desastres que temos acompanhado nos últimos tempos, a cada chuva forte, sejam normalizados. Sendo assim, não podemos mais esperar para evitar que outros ocorram. Já passou da hora de agir. Temos capacidade e conhecimento técnico para mudar essa realidade, mas falta vontade política e iniciativa dos nossos governantes para fazer diferente para que, depois da tempestade, a bonança venha de fato.
* Diretor da APECS (Associação Paulista de Empresas de Consultoria e Serviços em Saneamento e Meio Ambiente).
Obs: Artigos assinados não reproduzem, necessariamente, a opinião do jornal Diário do Aço
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