06 de março, de 2026 | 17:25

Delegados da PF detalham a Operação Sanitas, que prendeu influencer em Ipatinga por venda ilegal de emagrecedores

Cicero Henrique
Os delegados Helton Sacramento e Alexandre Teixeira detalharam na sede da PF, no Cariru, a Operação Sanitas  Os delegados Helton Sacramento e Alexandre Teixeira detalharam na sede da PF, no Cariru, a Operação Sanitas

Delegados que atuam na Polícia Federal em Ipatinga detalharam, na tarde sexta-feira (6), a Operação Sanitas, que tem o objetivo de combater a comercialização ilegal de medicamentos de origem estrangeira sem registro no Brasil. A ação ocorreu em cidades do Vale do Aço e tem como alvos, entre os investigados, uma mulher que se apresenta como influencer digital em Ipatinga e o marido dela. A entrevista completa pode ser assistida mais abaixo.

Conforme a Polícia Federal, a investigação apura a introdução e a venda irregular do medicamento tirzepatida, comercializado com o nome “Lipoless”, aplicados por meio das famigeradas "canetas emagrecedoras". O produto, de origem paraguaia, não tem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para circulação no país.

A apuração dos federais indica a atuação de um grupo envolvido na importação clandestina e na venda de medicamentos emagrecedores contrabandeados do Paraguai. Além da ausência de registro nos órgãos reguladores brasileiros, há indícios de que os produtos eram armazenados e transportados sem condições adequadas de segurança sanitária, o que pode comprometer a eficácia e representar riscos à saúde dos consumidores.
Divulgação
Mandados foram cumpridos em Ipatinga, Coronel Fabriciano e em CaratingaMandados foram cumpridos em Ipatinga, Coronel Fabriciano e em Caratinga

Mandados e prisões

Durante a operação, foram cumpridas ordens judiciais em quatro endereços: dois em Ipatinga, um em Caratinga e outro em Coronel Fabriciano. As diligências resultaram na prisão de dois homens suspeitos de participação no esquema.

Inicialmente, os envolvidos responderão pelo crime de contrabando. No entanto, durante o cumprimento das buscas, foram encontrados indícios de falsificação, com selos que seriam colados em frascos dos produtos. Diante disso, os investigados também poderão responder por falsificação e outros delitos que forem identificados ao longo da investigação.

Investigação e riscos à saúde

Em entrevista à imprensa, o delegado da Polícia Federal em Ipatinga, Alexandre Teixeira, explicou que a Operação Sanitas tem como objetivo combater o comércio ilegal, a importação e a fabricação clandestina de medicamentos para emagrecimento, conhecidos como canetas emagrecedoras e ampolas.

“A operação visa o combate ao crime de contrabando, além de outros crimes, como associação criminosa”, afirmou.

Segundo o delegado, as ações buscam desarticular grupos que falsificam, contrabandeiam ou manipulam substâncias como tirzepatida e semaglutida, colocando em risco a saúde dos consumidores. Ele ressaltou que medicamentos contrabandeados não passam por controle das agências reguladoras, especialmente da Anvisa.
Divulgação PF
Na residência de um dos alvos da operação foram apreendidas substâncias ilegais e indícios de falsificação com selos Na residência de um dos alvos da operação foram apreendidas substâncias ilegais e indícios de falsificação com selos

Teixeira explicou que, embora existam medicamentos legalmente vendidos no país, como Mounjaro e Ozempic, produtos com suposta composição semelhante, mas sem registro no Brasil, podem representar risco à saúde. “Não há garantia sequer de que a substância contida na ampola ou na caneta seja a que está indicada no rótulo”, disse.

O delegado também destacou que, caso um usuário sofra algum dano, pode não ser possível responsabilizar o fabricante, devido à ausência de registro e controle sanitário.

Produtos ilegais eram divulgados nas redes sociais

O delegado Helton Sacramento informou que a operação foi motivada por denúncias anônimas sobre a venda ilegal de emagrecedores. Conforme ele, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão, dois mandados de prisão temporária, além de medidas como proibição de uso de redes sociais, inclusive perfis secundários, e quebra de sigilo telemático.

Segundo Sacramento, a investigação aponta que o grupo utilizava redes sociais para divulgar os produtos e induzir seguidores a procurar os investigados. Parte dos envolvidos fazia a negociação, outros realizavam as entregas e havia integrantes responsáveis pelo armazenamento das substâncias.

Durante as diligências, medicamentos foram apreendidos na casa de dois alvos da operação, situação que caracterizou flagrante. Ao fim da ação, três pessoas foram conduzidas algemadas para procedimentos na Polícia Federal.

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Comentários

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Observador

06 de março, 2026 | 18:57

“Mas não é só Laryssa Oliveira que anuncia isso não. Tem vários outros. Como ficam?”

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