06 de março, de 2026 | 07:00
O combate à violência contra a mulher começa na sala de aula
Paulo Rocha *
A violência contra a mulher não começa no tapa. Ela nasce muito antes - nas palavras que ferem, nos silêncios que consentem, nos estereótipos que se repetem, na omissão coletiva que normaliza o inaceitável. E toda cultura que tolera a violência fracassa moralmente.
Por isso, o enfrentamento dessa barbárie vai além da segurança pública. É um desafio educacional, civilizatório. Não se trata de assumir uma posição ideológica - como se houvesse mais de uma possível. A escola precisa romper o silêncio e incorporar esse tema com seriedade.
A educação atua como escudo em três frentes: prevenção, proteção e transformação. Ensinar respeito, empatia e igualdade desde a infância é enfrentar a raiz da violência. Crianças e jovens precisam aprender que força não é dominação, que diferenças não justificam desigualdades e que autonomia, voz e dignidade não são concessões - são direitos de todas as pessoas.
Silenciar é educar para a violência. Ignorar o problema não o elimina - o aprofunda. Os dados são alarmantes: mais de 641 milhões de mulheres no mundo já sofreram violência física, psicológica e/ou sexual de parceiro íntimo. Só no último ano, uma em cada dez mulheres passou por isso. A OMS classifica a violência contra a mulher como emergência de saúde pública e violação grave de direitos humanos.
No Brasil, a tragédia tem números ainda mais gritantes. Em 2023, 3.903 mulheres foram assassinadas taxa de 3,5 homicídios por 100 mil mulheres, superior à de muitos países de alta renda. Foram registrados 1.467 feminicídios e quase 2.800 tentativas. A cada hora, centenas de mulheres sofrem ameaças, agressões ou abusos, com crescimento em quase todos os indicadores.
A cor da pele e o endereço agravam a vulnerabilidade: 64% das vítimas de feminicídio são negras, 71% têm entre 18 e 44 anos e 64% morrem dentro de casa. Em nove anos de Lei do Feminicídio, mais de 10 mil mulheres foram mortas por homens com quem tinham laços afetivos ou familiares. O agressor, quase sempre, está ao lado.
A escola precisa romper o silêncio e
incorporar o tema violência contra a mulher”
A educação protege porque amplia horizontes. Mulheres com acesso ao conhecimento tendem a conquistar mais autonomia, consciência de direitos e capacidade de romper ciclos abusivos. Isso não as torna imunes - mas fortalece sua resistência. Ao mesmo tempo, a educação também forma meninos mais conscientes, capazes de reconhecer limites, respeitar o outro e construir relações baseadas em cuidado, não em poder.
Transformar a sociedade não é apenas punir seus algozes, mas educar suas futuras gerações. Homens de verdade não violentam - cuidam, respeitam, compartilham. E isso se aprende. Ou se ensina.
Tratar a violência contra a mulher como uma questão menor é ser cúmplice da barbárie. Não há neutralidade possível: onde há silêncio, há conivência; onde há omissão, há continuidade. A educação não é ornamento - é trincheira. Por isso, esse tema precisa deixar de ser eventual ou periférico e tornar-se parte explícita do currículo, da formação docente e das práticas pedagógicas. Um currículo que ignora essa realidade não é neutro: é um currículo que consente.
Enquanto apostarmos apenas em grades, sirenes e câmeras, continuaremos a contar corpos. Quando investirmos em empatia, diálogo e informação, começaremos a salvar vidas. Educar é prevenir. Educar é proteger. Educar é afirmar: a dignidade humana não se negocia. Diante da violência contra a mulher, não há outro caminho legítimo além desse.
* Gestor, pesquisador em políticas educacionais e vice-presidente do Biopark.
Obs: Artigos assinados não reproduzem, necessariamente, a opinião do jornal Diário do Aço
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Tião Aranha
07 de março, 2026 | 12:08Não retiro nenhuma palavra e nenhuma vírgula do que eu disse. Ninguém nesse mundo não é dono de nada. Nem do próprio corpo, que um dia vai apodrecer e se misturar com a terra. Nem do pensamento que dum momento pra outro pode mudar. Nem da alma, pois depois que morre volta ao criador ou ao demônio. Hoje, vc é esquerdista, nada garante que num futuro muito próximo você pode, inclusive, quem sabe, até abraçar a bandeira do principal candidato da direita, filho do injustiçado, ex-presidente preso, Jair Messias Bolsonaro. Não sigo nenhuma ideologia de nenhum comedor de feijão aqui da terra. Sigo somente Jesus Cristo. Embora pra mim falar com Deus, falo direto com Ele, sem intermediários, de nem Maria nem Cristo nem nenhum santo. Mas pelo jeito, o seu deus é o painho. Nossa nação precisa crescer espiritualmente, mas com homens de verdade! Precisamos eleger gente de mentalidade nova, que tenha pronto projeto de vida pra todos. Neste final de mandato, o seu presidente tá assumindo a condição de que não tinha nenhum projeto para governar este país de dimensão continental. Basta seguiu os noticiários. Um abraço, nao se irrite! Sei dialogar. Rs.”
Nelore
07 de março, 2026 | 10:55Caríssimo Tião Aranha, tá bom, mas não se irrite! Só fui irônico com vossa senhoria.
Tenho muita honra de ser da Escola do Paulo Freire, do Eduardo Galeano, do Anísio Teixeira, do Walter Benjamin, do Brecht, do Neruda, do Guevara, do Frei Davi da Educafro, do Frei Beto, do Dom Paulo Evaristo Arns, do Pastor Jayme Wright, do Padre Júlio Lancellotti e até do Brizola,
Você precisa escrever de forma mais clara, para que os leitores dos seus comentários não os interpretemos da forma que estão escritos, mesmo não fingindo de égua.”
Tião Aranha
07 de março, 2026 | 08:22Preparar as crianças com trabalho, disciplina e educação para não ter problemas futuros com os adultos. Sr Nelore ou não entendeu o meu comentário, ou deu uma de égua. Deve ser da mesma escola da esquerda maldita - implantada neste pais. Mas a mentira tem pernas cultas. Está com a turma dele ladeira abaixo! Seus dias estão contados! É só uma questão de tempo. O povo vai dar o troco nas urnas. Rs.”
Nelore
07 de março, 2026 | 06:47Caríssimo Tião Aranha, poderia citar quais bons exemplos a sua direita, que sempre esteve no poder, nos deu. Considerando apenas a República, a esquerda ficou no poder apenas por 18 anos, enquanto a direita 135.
Acredito que esteja lembrando apenas dos bons exemplos do último governo de direita que esteve no poder, o Minto Inelegível e Prisioneiro .
Já que a escola hoje não passa nem informações e nem socializa, qual é a saída para essa crítica?
Realmente, "o macaco (e o GADO) assenta (sic) no rabo para falar dos outros". Rs.”
Tião Aranha
06 de março, 2026 | 22:18O marido e os filhos são muito dependentes da mulher. Os pais deveriam ensinar as crianças a fazerem todos os trabalhos domésticos. Este é o primeiro passo. O objetivo da escola é duplo: passar informações e auxiliar na socialização do indivíduo. A escola, hoje, não passa nem informações e nem faz a socialização. Com a esquerda no poder, mal exemplos é que não faltam, sem falar que a empregabilidade neste país está péssima- , ainda mais agora que os conflitos mundiais aparecem em várias frentes. Criticar é fácil, o difícil é apontar uma saída. "Macaco assenta no rabo pra falar dos outros". Rs.”
B2@
06 de março, 2026 | 21:41Não acredito que perdi o meu tempo lendo esta barbárie, parecendo aproveitar a data que se aproxima, o dia internacional das mulheres. A educação começa nos lares, expandindo para a sociedade. Um representante que não aceita uma simples derrota nas urnas e desmerece a sua filha, é um péssimo exemplo de ser humano. Por ouro lado querer colocar mais uma obrigação que não é da escola, é ser ridículo! Indo mais além, associar a cor da pele, tenho que elucidar que segunda pesquisas, a violência é dirigida ao homem que morre de acidente, tanto que há mais mulheres vivas do que homens, apesar de nascerem mais crianças do sexo masculino. \usando uma palavra da modinha, posso dizer que é ser misógino, com perdão de seu significado, com aversão a realidade nua e crua. Assim sendo, temos que combater a violência contra o indivíduo respeitando suas individualidades.”
Gildázio Garcia Vitor
06 de março, 2026 | 12:58Parabéns pelos comentários Senhores Salgado e Antônio !
Acreditem, que eu, Professor há 44 anos, completados dia 1/3/26, não tinha me atentado para nenhum desses argumentos por vós citados.
A dificuldade, para mim, estaria em nós Professores, a maioria machista e evangélico-conservador, que defendem a submissão das mulheres aos homens.
Para alguns e algumas, a Lei da Sharia é pouco.”
Antonio
06 de março, 2026 | 08:40Começa na sua casa. Quando uma casa é um lar, não apenas uma casa.”
Salgado .
06 de março, 2026 | 08:08Na escola , é para aprender a ler e escrever .
Ver as matérias estudadas para saber como conduzir a vida no mundo , pois sem estudo , não é fácil .
Agora , ensinar os que os pais é que deveriam fazer em casa , para os filhos .?
Título da matéria.
( O combate a violência contra a mulher começa na sala de aula .)
{ Concordo , com esse salário que um professor ganha }
Tá de brincadeira heim .!”