04 de março, de 2026 | 06:16

Técnico Ney Franco relata clima de tensão no Catar após ataques dos EUA e de Israel ao Irã

Reprodução de vídeo
Natural de  Vargem Alegre, Ney Franco, treinador que passou pelo Ipatinga FC está no Catar, com a delegação do Al Hussein, retirada por causa dos reflexos da guerra dos EUA e Israel contra o Irã Natural de Vargem Alegre, Ney Franco, treinador que passou pelo Ipatinga FC está no Catar, com a delegação do Al Hussein, retirada por causa dos reflexos da guerra dos EUA e Israel contra o Irã

O técnico Ney Franco, nascido em Vargem Alegre, no Colar Metropolitano do Vale do Aço, relatou os impactos regionais provocados pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. Atualmente trabalhando na Jordânia, o treinador, que já passou pelo Ipatinga FC, comanda a equipe do Al Hussein, que estava no Catar para disputar a Champions League da Ásia quando o conflito teve início.

A delegação havia chegado ao país na sexta-feira (27/2), para um confronto contra o Al Ali, equipe catariana, mas a partida acabou adiada após a escalada da tensão na região e o fechamento do espaço aéreo.

"Nós chegamos na sexta-feira à noite, e era aquele clima normal de competição internacional, né? Concentração, treino, bem programado, e é uma expectativa de um grande jogo. Mas poucas horas depois a gente foi surpreendido pela notícia dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. A partir dali o ambiente mudou, mudou assim completamente. Quando estamos vivendo isso à distância pela televisão, com o caso da guerra, parece algo assim distante, né? Mas quando você está fisicamente na região tudo ganha uma outra dimensão", detalhou no vídeo publicado no perfil Bola na Área, de Fabrício Pereira.

Clima de atenção na região

Ney Franco explicou que o Catar abriga a maior base militar dos Estados Unidos no Oriente Médio, o que coloca o país em uma posição estratégica diante da escalada do conflito.

"A cidade aqui segue organizada, é tranquila. Visualmente, as pessoas continuam circulando, os serviços funcionam, mas existe um sentimento coletivo de atenção. Você percebe no olhar das pessoas, no noticiário constante, no telefone que não para de receber mensagens. Inclusive, na noite passada eu ouvi quatro estrondos fortes, ao longe. Não teve nenhum impacto diretamente na nossa segurança. Mas é impossível não refletir, né? São sons que fazem lembrar que estamos vivendo um momento delicado", relatou.

O treinador também lembrou que o cenário de instabilidade já vinha sendo percebido nos dias anteriores. Segundo ele, a equipe jordaniana enfrentou recentemente um clube iraniano pelas oitavas de final da Champions League da Ásia.

"Na semana passada, por exemplo, nós enfrentamos uma equipe do Irã pelas oitavas de final desta competição da Champions League. O jogo seria no Irã, mas ele foi transferido para Dubai por questões de segurança. Nós vencemos o primeiro jogo por 1 a 0 e ganhamos o segundo por três a dois, na nossa casa. Agora, o nosso jogo aqui, no Catar, foi adiado. O espaço aéreo foi fechado e aguardamos assim a autorização para retornar à Jordânia", detalhou.

Delegação aguarda definição para retorno

Conforme o treinador, a equipe está hospedada em um hotel com segurança em Doha, no Catar. A delegação mantém contato constante com a embaixada da Jordânia enquanto aguarda novas orientações.

"A gente está seguindo todas as orientações das autoridades locais. O clube também nos dá total suporte neste momento. E o que mais marca é perceber como o futebol, que é paixão e alegria, pode ser atravessado por um acontecimento maior, ou acontecimentos maiores que o esporte", afirmou.

Ney acrescentou que, apesar da situação, o futebol continua sendo um elemento de união entre diferentes culturas. "É importante destacar que o futebol une múltiplas culturas, que faz um brasileiro estar aqui trabalhando na Jordânia, competindo no Catar. Enfrentamos a equipe iraniana dias atrás", comentou.

Por fim, o mineiro nascido em Vargem Alegre afirmou que o sentimento predominante é de serenidade e de confiança na diplomacia para a superação do conflito.

"Quem vive o esporte sabe, né? Dentro de campo competimos, mas fora dele convivemos. E o desejo é simples e profundo: que essa guerra termine o mais rápido possível, que a vida volte à normalidade e que o futebol volte a ser apenas futebol. Um abraço a todos", concluiu. A íntegra da entrevista publicada no perfil Bola na Área, do cronista esportivo Fabrício Pereira, pode ser assistido abaixo:


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