01 de março, de 2026 | 10:42
Mortes na Zona da Mata Mineira sobem para 72
Corpo de bombeiros encerrou buscas em Juiz de Fora. Em Ubá, um desaparecido ainda é procurado. Trabalhos continuam neste domingo
O número de mortes nas enchentes em Minas Gerais subiu para 72, das quais 65 em Juiz de Fora e sete em Ubá, ambas cidades da Zona da Mata Mineira, informou neste sábado (28) o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais.Na noite de sábado, o corpo do pequeno Pietro Cesar Teodoro Freitas, de apenas 9 anos, foi encontrado sob os escombros no bairro Paineiras, em Juiz de Fora. As buscas na cidade foram finalizadas.
Em Ubá, o Corpo de Bombeiros ainda procura por Luciano Franklin Fernandes, de 50 anos, que foi arrastado pela enxurrada após ser despertado pela água dentro de casa. Ele é o último desaparecido
Luciano era namorado de Edna Silva, de 56 anos, que sobreviveu após conseguir se segurar em um poste por cerca de três horas.
A chuva causou alagamentos e deslizamentos de terras e os bombeiros trabalham para buscar sobreviventes e para retirar os corpos em meio aos escombros.
Em Juiz de Fora, segundo a prefeitura, mais de 4,2 mil pessoas estão desabrigadas e desalojadas e foram registradas 2.149 ocorrências pela Defesa Civil desde segunda-feira (24). Em Ubá, são pelo menos 421 desabrigados e desalojados.
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Ricardo Stuckert/PR
Presidente Lula da Silva visita centro de acolhimento provisório de desabrigados em Juiz de Fora
Presidente Lula da Silva visita centro de acolhimento provisório de desabrigados em Juiz de Fora Financiamento
Os financiamentos de moradias a famílias que perderam a casa no temporal que atingiu a região seguirão o modelo adotado nas enchentes do Rio Grande do Sul há dois anos, conforme informou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em declaração conjunta à imprensa após a reunião com os prefeitos de Juiz de Fora, Ubá e Matias Pereira, Lula afirmou que a União dará apoio integral às cidades atingidas.
As medidas incluem assistência às prefeituras e linhas de crédito para pequenos empresários prejudicados pelos temporais.
Aprendemos com a tragédia no Rio Grande do Sul. Vamos ajudar os prefeitos a recuperar suas cidades, vamos ajudar os pequenos empresários a ter crédito para recuperar suas empresas e vamos dar casa para as pessoas que perderam suas casas”, declarou Lula.
Assim como nas enchentes do Rio Grande do Sul, as novas residências, explicou o presidente, não serão reconstruídas em locais considerados de risco. Caso o município não disponha de terrenos adequados, o governo poderá adotar o modelo de compra assistida”, já utilizado em outras tragédias climáticas no país.
Nesse formato, a família que perdeu o imóvel recebe um valor do governo federal e pode adquirir uma casa nova ou usada em qualquer cidade do estado. Todo o custo é arcado pela União. Se a cidade não tiver terreno, vamos arrumar. Se não tiver, vamos adotar o sistema de compra assistida”, afirmou Lula.
O presidente ressaltou que a prioridade é garantir moradia digna e segura às famílias atingidas, evitando a reconstrução em encostas ou áreas sujeitas a alagamentos.
Sobrevoo e visita a desabrigados
O presidente desembarcou pela manhã na região e sobrevoou cidades atingidas. Em Juiz de Fora, município mais afetado, visitou áreas devastadas e conversou com moradores que estão em abrigos improvisados. A cidade concentra o maior número de vítimas e registra milhares de desalojados.
Além de Juiz de Fora, municípios como Ubá, Matias Barbosa, Divinésia e Senador Firmino também sofreram impactos severos, com deslizamentos de terra, alagamentos e danos a prédios públicos.
Ricardo Stuckert/PR
Presidente Lula visita áreas afetadas pelas chuvas em Juiz de Fora, ao lado da prefeita Margarida Salomão
Presidente Lula visita áreas afetadas pelas chuvas em Juiz de Fora, ao lado da prefeita Margarida Salomão Recursos e medidas emergenciais
O governo federal já anunciou a liberação de recursos para ações emergenciais e assistência humanitária nas cidades em situação de calamidade pública. Os valores serão destinados ao restabelecimento de serviços essenciais, apoio a abrigos e reconstrução de estruturas públicas.
Também foi confirmada a antecipação do pagamento do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) para famílias atingidas. Moradores dos municípios afetados poderão solicitar o saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), conforme as regras para desastres naturais.
Além disso, pequenos empresários terão acesso facilitado a crédito para retomar atividades e recompor estoques e equipamentos perdidos.
O presidente reconheceu que vidas perdidas não podem ser recuperadas, mas garantiu que o governo atuará para restabelecer as condições de moradia e infraestrutura.
A vida a gente não consegue trazer de volta. Mas podemos garantir que as pessoas tenham perspectiva e dignidade para recomeçar”, concluiu.
Lula visitou as cidades afetadas pelas enchentes acompanhado dos ministros Jader Filho (Cidades); Alexandre Padilha (Saúde); Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional); Wellington Dias (Desenvolvimento, Assistência Social, Família e Combate à Fome); do presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Antônio Vieira; e do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Também participaram do pronunciamento a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, e o prefeito de Ubá, José Damato.
Me atrevo a falar em nome de todos os prefeitos da região. Nós vamos fazer o dever de casa, levantar detalhadamente as necessidades e vamos colocá-las para o governo federal. E tenho absoluta certeza de que ninguém vai ficar para trás. Ninguém vai ficar sem casa, ninguém vai ficar desassistido. A vida não conseguimos recuperar, mas a perspectiva de vida a todos podemos garantir”, declarou Margarida Salomão.
A pedido de Lula, o evento encerrou-se com um minuto de silêncio em memória dos mortos no desastre climático.
Com informações de Agência Brasil
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