25 de fevereiro, de 2026 | 07:00
Situação de árvores revela um alerta climático
Vera Cristina Scheller dos Santos Rocha *
Tem um tipo de silêncio que só o frio extremo consegue criar e, às vezes, esse silêncio é rompido por um som seco e rápido, quase como um estalo, que pode pegar de surpresa quem está por perto. Isso está sendo observado agora mesmo no Hemisfério Norte, onde o inverno rigoroso tem afetado principalmente o leste dos Estados Unidos e partes do leste europeu rumo à Sibéria, tudo isso ligado às dinâmicas do vórtice polar e à descida de ar gélido em áreas densamente povoadas.Esse "estalo" não é exagero ou algo de filme: quando as temperaturas caem drasticamente, os especialistas falam de fissuras por congelamento. A água que está nos tecidos condutores e parte da seiva pode congelar e expandir. Como a madeira e a casca reagem de maneiras diferentes ao frio, quando a tensão se torna muito alta, o tronco se racha e o som surge, alto e súbito, quase como se a árvore estivesse fazendo um alerta de que foi pressionada além do que consegue aguentar.
Embora isso possa parecer distante da nossa realidade, esses fenômenos nos fazem olhar com mais atenção para o que ocorre ao Brasil: estamos vivendo o verão, e o mês fevereiro conta com a presença de ar quente e úmido, chuvas fortes e tempestades típicas da estação. Além disso, a Climatempo ressalta que, em geral, as frentes frias deste mês não conseguem trazer ar frio para o interior do país, o que diminui bastante a possibilidade de uma onda de frio - como as que vemos no Hemisfério Norte - chegar por aqui nesse período.
Quando o clima fica mais intenso e
as cidades se expandem, elas sofrem”
Aqui, o estresse aparece com outra face: em cidades, árvores que já vêm fragilizadas por manejo inadequado e pouco espaço para as raízes podem perder estabilidade, justamente, quando o solo encharca e o vento aperta. Isso se traduz no aumento de quedas durante temporais. Estudos e análises sobre a arborização urbana em São Paulo mostram que fatores como estado da madeira, estrangulamento de raízes por calçadas e podas drásticas podem funcionar como preditores importantes de queda. As reportagens mostram como a falta de espaço e a dificuldade de desenvolvimento das raízes aumentam a vulnerabilidade em episódios de chuva e vento fortes.
No fim das contas, seja no gelo do Norte ou sob a chuva de verão no Brasil, a mensagem é a mesma: as árvores são fortes, mas definitivamente não são invencíveis. Quando o clima fica mais intenso e as cidades se expandem, elas sofrem. E talvez o papel da divulgação científica seja exatamente esse: nos ajudar a perceber que, por trás de um barulho na floresta ou de uma árvore caída, há um aviso sobre o tipo de ambiente que estamos criando e a urgência de cuidar melhor do que ainda nos sustenta.
* Licenciada e Mestre em Geografia, professora da Área de Geociências do Centro Universitário Internacional Uninter.
Obs: Artigos assinados não reproduzem, necessariamente, a opinião do jornal Diário do Aço
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