24 de fevereiro, de 2026 | 14:44
Haddad: é a ciência que gera riqueza, não o trabalho
Antônio Nahas Junior *
O novo livro do ministro Fernando Haddad, Capitalismo Superindustrial, coloca temas importantes sobre a nossa sociedade que vão causar muita controvérsia. Inicialmente, parabéns ao ministro. Além de político bem-sucedido, é um intelectual que sempre está produzindo conhecimento. Já publicou inúmeros livros importantes e, agora, surge seu novo livro, no qual explora um tema difícil e complexo, que alimenta polêmicas quase centenárias nas ciências sociais.Procura qualificar o atual momento do capitalismo, chamando-o de superindustrial. Isso significa que ocorreu uma nova grande transformação neste sistema, por meio da mercantilização do conhecimento, com efeitos na distribuição da renda e na organização do trabalho. Este fato levou também à fragmentação do que ele chama de classe dos trabalhadores.
Parece chinês o que foi dito acima, e não é fácil de entender mesmo. Haddad é marxista e utiliza como ponto de partida de sua análise aquela teoria. Marx, pensador do século XIX, refletiu muito sobre como o capitalismo funcionava. Para ele, havia uma grande divisão na sociedade entre quem tinha meios de produção - terra e capital - e quem não tinha nada, apenas sua força de trabalho para vender.
Isso geraria as chamadas contradições do capitalismo, com o fortalecimento das classes trabalhadoras, abrindo espaço para a destruição daquele sistema e sua substituição pelo socialismo. Suas ideias inspiraram a construção do socialismo tanto na Rússia quanto na China, levando a modificações profundas no curso da humanidade.
Além de político bem-sucedido, é um
intelectual que sempre está produzindo conhecimento”
O livro de Haddad é uma coletânea de textos que ele escreveu em período recente. Discorre sobre vários temas, entre eles marxismo soviético, trotskismo, coletivismo burocrático e modo de produção asiático, até chegar à atualidade. Partindo das formulações originais de Marx, mergulha sua análise numa aventura quase insana, que é analisar, à luz do marxismo, os desafios e desventuras vividos pela humanidade ao longo do século XX e início do século XXI, em busca de respostas, sobretudo para a estrutura e formação das classes sociais.
Em Marx, toda a riqueza é criada pelo trabalho. E a lucratividade do capital vem da diferença entre quanto o trabalhador recebe e quanta riqueza ele produz. É a chamada mais-valia.
Porém, ao longo de décadas, o trabalho assalariado produtivo foi perdendo importância. Surgiu a burocracia estatal, formada por assalariados que não executam trabalho de geração de mercadorias ou lucro. Nas próprias empresas, há muitos trabalhadores em áreas administrativas ou de apoio à produção. Há também os prestadores de serviços às indústrias, formados hoje por uma enorme quantidade de pequenas empresas. E há também aqueles excluídos, que Marx chamava de exército industrial de reserva.
Frente a estas questões, fica a pergunta: todo o valor continua ainda a ser proveniente do mundo do trabalho? E as outras classes sociais servem para quê?
O livro de Haddad é uma coletânea de
textos que ele escreveu em período recente”
Navegando nestes mares revoltos, Haddad valoriza o papel do conhecimento e da ciência, concluindo que o desenvolvimento da superindústria capitalista é devido à incorporação do saber científico como fator de produção. É da ciência posta em movimento durante o tempo de produção que a produção de riqueza efetiva depende cada vez mais”, afirma.
Para ele, esta transformação do processo produtivo levou à emergência de uma nova classe social, associada ao saber científico. É a classe dos cientistas, engenheiros, técnicos e consultores contratados pelo capital para promover um contínuo processo de inovação tecnológica e administrativa interno às empresas. Esta nova classe social é composta sobretudo por quem detém uma parcela de conhecimento não socializado (que não se aprende nas escolas), seja por conta do nível de profundidade, seja por causa do grau de especialização.
Sua renda não é salarial, mas decorre da venda deste saber exclusivo que, muitas vezes, se materializa no fornecimento e manutenção de softwares. O preço de um software é pura renda do saber daqueles envolvidos na sua elaboração...”
E Haddad sintetiza a estrutura de classes que considera existir no mundo de hoje, que possuam relação com o processo produtivo: 1) a classe composta pelos proprietários do capital, pelos funcionários do capital (alta gerência) e pelos proprietários fundiários; 2) a classe criativa, portadora do conhecimento científico; 3) a classe dos trabalhadores assalariados interiores à produção; e, por último, 4) os desclassificados, aqueles excluídos do processo produtivo, que sempre vão existir, devido à velocidade das transformações tecnológicas.
Suas conclusões procuram atualizar o marxismo para a realidade atual. A geração de valor não estaria mais ancorada apenas no processo de trabalho, mas, sobretudo, no processo científico, na ciência, que seria o principal fator de produção.
E muitas outras conclusões surgem neste livro polêmico: as características da globalização; as principais correntes políticas hoje existentes. Sobretudo, problematiza a dinâmica da transformação social e as poucas chances de união entre as diversas classes sociais não proprietárias dos meios de produção.
Haddad considera que estas transformações solidificaram o capitalismo, abrindo novos campos para sua consolidação. E arremata: A fragmentação das classes dominadas e sua dispersão geográfica desigual representam desafio importante para qualquer projeto emancipatório internacional. Contudo, se, como dizem, é mais fácil imaginar o fim do mundo que o do capitalismo, elas hão de se organizar ao menos para aproveitar melhor o tempo que lhes resta.”
Parabéns ao ministro por conseguir combinar seu trabalho com criação intelectual tão relevante.
E, por fim, ministro, por favor, coloque seu olhar aguçado na evolução da indústria brasileira, cuja geração de valor caiu em mais de dez por cento entre 2011 e 2025.
O Brasil precisa e anseia por seus conhecimentos aplicados à gestão econômica, gerando valor para a sociedade.
Economista, empresário. Diretor da NMC Integrativa.
Obs: Artigos assinados não reproduzem, necessariamente, a opinião do jornal Diário do Aço
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Tião Aranha
24 de fevereiro, 2026 | 15:52O que move o mundo são os desejos de dias melhores, e não sonhos. A política econômica da esquerda é o controle total do Estado sobre as pessoas e o capital, isso acaba com a iniciativa privada dos empresários e o capital foge para outros países. O custo Brasil é muito alto. Ainda mais agora com as cobranças de tarifas. Gastar, gastar, gastar e não economizar. A nossa dívida pública interna aumentou muito com esse governo do PT. Já li vários livros do Haddad e nada mais são que práticas econômicas que não deram certo noutros países. Ele titubeia em disputar a eleição no Estado de São Paulo versus Tarcísio porque sabe que esse candidato da direita é técnico e prático, logo, sabe que vai perder! São Paulo irá puxar a eleição presidencial! Rs.”