12 de fevereiro, de 2026 | 07:00

Um alerta para limites da IA na Educação: Que tipo de cidadãos serão formados por robôs?

Carlos Alberto Costa *

A inteligência artificial generativa já faz parte do cotidiano profissional e educacional, mas seu impacto sobre a aprendizagem depende diretamente de como é utilizada. Essa é a principal conclusão do relatório Perspectivas da Educação Digital da OCDE para 2026, divulgado em janeiro pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Vale a pena atentar para as entrelinhas desse documento.

Ao mesmo tempo em que não é possível evitar o avanço da tecnologia, é necessário que tenhamos conhecimento do que está por trás de quem programa essas plataformas de inteligência artificial, que captam dados de notícias de jornais profissionais, estudos acadêmicos e teses científicas para apresentá-los de forma resumida e rasa ao internauta. Imagine se, sem mediação, os resumos rasos passarem a formar a mentalidade do estudante, furtando-lhe o direito à contestação, à dúvida e ao questionamento?. Que tipo de cidadãos serão formados por robôs? Essa resposta nós teremos muito breve, caso fechemos os olhos à realidade no momento se apresenta.

O estudo indica que ferramentas de IA de uso geral, amplamente acessíveis fora do ambiente escolar, podem melhorar o desempenho dos estudantes em tarefas específicas sem necessariamente produzir ganhos sustentados de aprendizagem. Segundo a OCDE, quando utilizadas sem orientação pedagógica, essas tecnologias correm o risco de estimular a terceirização de processos cognitivos, reduzindo o engajamento e o desenvolvimento de habilidades fundamentais.

Ao mesmo tempo, o relatório destaca que a inteligência artificial pode contribuir positivamente para o ensino quando integrada a objetivos pedagógicos claros. Sistemas educacionais baseados em IA, como tutores digitais e ferramentas de apoio à tutoria humana, tendem a apresentar melhores resultados quando desenhados para estimular o raciocínio, a argumentação e a autonomia dos estudantes.


“Relatório aponta que tecnologias generativas
podem apoiar o ensino, mas exigem mediação
humana para gerar aprendizagem efetiva”


Os dados mostram que o uso da tecnologia já é uma realidade nas escolas. Em 2024, 37% dos professores do ensino fundamental II afirmaram utilizar inteligência artificial em seu trabalho, segundo a pesquisa Talis 2024, citada no relatório. Apesar disso, 72% dos docentes demonstram preocupação com possíveis impactos da IA sobre a integridade acadêmica, especialmente no uso indevido em trabalhos e avaliações.

O relatório da OCDE aponta que o desafio central não está em conter o avanço da inteligência artificial na educação, mas em orientar sua adoção. O documento defende que a tecnologia deve atuar como complemento à mediação humana, fortalecendo - e não substituindo - o papel de professores e tutores no processo de aprendizagem.

Esse modelo de integração já aparece em plataformas de reforço escolar que utilizam a tecnologia como suporte à atuação humana. A inovação pode apoiar a personalização do ensino e ampliar o alcance do suporte educacional, desde que o tutor permaneça no centro da experiência de aprendizagem.

O relatório da organização também alerta que os próximos anos serão decisivos para consolidar modelos educacionais que combinem inovação tecnológica e princípios pedagógicos, garantindo que o uso da inteligência artificial contribua efetivamente para o desenvolvimento acadêmico dos estudantes.

* Professor aposentado

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