11 de fevereiro, de 2026 | 06:30
Conexões MME em Ipatinga: um futuro a construir
Antonio Nahas Junior*
O Encontro Nacional de Grandes Compradores da Indústria do Petróleo, Gás e Naval no Vale do Aço, promovido pelo Ministério de Minas e Energia, semana passada, em Ipatinga, com a presença de praticamente todo o setor metalmecânico do Vale do Aço, foi uma iniciativa espetacular, que abre inúmeras possibilidades para a região.Antes de tudo, fica nosso reconhecimento e gratidão ao ministro Alexandre Silveira pela sua lembrança da região, que sempre o acolheu. Em tempos de polarização política, escolheu o Vale para este evento extraordinário. E o nosso prefeito correspondeu, sabendo reconhecer o mérito desta iniciativa.
Trazendo a Petrobras para o Vale, o ministro inseriu o Vale do Aço no programa federal Nova Indústria Brasil (NIB), lançado em 2024 e que ainda passava longe daqui. Este programa prevê diversas ações que podem estimular a nossa indústria: empréstimos; subvenções; créditos tributários; participação acionária; comércio exterior; margem de preferência e políticas de incentivo ao aumento do conteúdo local nas aquisições feitas pela indústria.
Como o ministro ressaltou, as políticas de conteúdo local estão diretamente ligadas à ampliação das oportunidades para a indústria mineira. Segundo ele, as compras das empresas, sobretudo estatais, devem priorizar produtos que possuam parte ou totalidade da sua fabricação feita em território nacional. E esta diretriz estimula muito nossa indústria: Para cumprir os índices de conteúdo local, a parte estrutural dos navios e embarcações deverá ser produzida no Brasil, e isso significa mais aço de Minas, mais encomendas para as siderúrgicas e metalúrgicas e mais oportunidades para o Vale do Aço se consolidar como base estratégica dessa nova fase da indústria nacional”.
Importante que se diga que a Petrobras é uma das maiores empresas exportadoras do país, disputando o primeiro lugar com a Vale. Assim, a construção naval é decisiva para seu sucesso e daí a importância da exigência de conteúdo local.
Será necessário que as prefeituras locais e os
empresários criem formas de acompanhamento,
controle e participação”
Boa parte destas oportunidades está alicerçada na Lei 15.075/2024, que criou o conceito de excedente de conteúdo local, havendo mudança de paradigma. Em vez de penalizar as empresas que não atingissem os percentuais exigidos, houve a transição de premiação para as que ultrapassaram as metas estabelecidas.
Além disso, ao reforçar a indústria do Vale do Aço, berço de fornecedores de alto nível para a Petrobras, o programa implementa outra diretriz do Nova Indústria Brasil: o desenvolvimento de um sistema de territorialização do desenvolvimento industrial, que deve incluir o mapeamento das principais aglomerações industriais regionais, arranjos e sistemas produtivos existentes, cidades industriais relevantes e capacidades locais.
Políticas públicas e desenvolvimento local - As linhas estratégicas previstas no NIB seriam letra morta se não houvesse a iniciativa do ministro, que mobilizou sua equipe e a Petrobras para este encontro com o empresariado local. Este fato tornou aquele programa uma realidade a ser construída. Foi o primeiro passo, quando os principais atores foram mobilizados e estabeleceu-se o contato inicial. Agora vem a sua concretização: definição de produtos; custos; tecnologia; capacitação de mão de obra e fornecedores locais; logística para escoamento da produção.
A presença da Usiminas e da Aperam na região são os fatores-chave para impulsionar esta aglomeração industrial tão importante. E o momento do Vale não poderia ser mais promissor: temos a duplicação da 381; a abertura do campus avançado da UFOP; a modernização do aeroporto e, agora, essa articulação econômica e política.
A evolução tecnológica da indústria e o treinamento e capacitação da mão de obra já empregada são também pilares do NIB. Sem estes passos, a nossa indústria ficará para trás e não conseguirá competir em pé de igualdade com fornecedores internacionais.
Por outro lado, a indústria de Ipatinga, oferecendo preços e competitividade, carece de segurança para investir: contratos de médio e longo prazo que possam garantir que haverá demanda para seus produtos por bom tempo.
Como sabemos, no passado, a indústria metalúrgica da região sofreu fortes revezes. Agora, o mais importante é fazer que esta Conexão MME seja mais do que um encontro. Torna-se necessária a implementação de mecanismos de gestão para a aplicação dos princípios ali estabelecidos. Será necessário que as prefeituras locais e os empresários criem formas de acompanhamento, controle e participação para sua implementação.
A participação da ABDI - Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial - poderia ser muito oportuna. Trata-se de órgão flexível, ligado ao MDIC, que coordena aquele programa.
Por fim, uma consideração política: é importante reconhecer a grandeza do governo Lula: deixando de lado as preferências políticas e até mesmo o clamor de seus aliados, os investimentos governamentais vão para onde são necessários. Só estadistas agem assim.
Economista. Empresário.
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