04 de fevereiro, de 2026 | 07:00

Moradores de rua na Amazonita: o que fazer?

Antonio Nahas *

O prefeito de Ipatinga, Gustavo Nunes, postou no seu Instagram análise instigante sobre pessoas em situação de rua. Centra suas considerações na ajuda que muitos de nós, como eu, confesso, oferecemos àqueles moradores. Ao vermos alguém vestindo farrapos, descalço, com o rosto contorcido pela fome, solicitando ajuda, muitas vezes oferecemos aquilo que está ao nosso alcance. Fazemos isso por princípios humanos e religiosos, na certeza e confiança de que estamos contribuindo para o bem-estar do nosso próximo.

Porém, Gustavo Nunes relata a opinião dos agentes comunitários que mantêm contato com aqueles cidadãos: eles consideram Ipatinga uma cidade-mãe, pois aqui conseguem sempre dinheiro para alimentar seus vícios, comprar drogas ou álcool.

Por isso, o apoio individualizado alimenta o vínculo daqueles moradores com a cidade. Pede, então, o prefeito que isso não seja feito, nem pelos cidadãos, nem por grupos religiosos. Esclarece que a prefeitura já presta suporte àqueles moradores pela Secretaria de Assistência Social, oferecendo local onde podem dormir, tomar banho, fazer a higiene pessoal, se alimentar e até suporte para quem quer voltar para sua cidade.

Trata-se de uma opinião corajosa e necessária à cidade. Diga-se, primeiramente, que o prefeito não desrespeita nem desqualifica os moradores de rua, como fez, recentemente, o governador Romeu Zema. Ao contrário, sua opinião vem em defesa da cidade, da Secretaria de Assistência Social e até mesmo daqueles moradores.

Uma ajuda prestada por profissionais é muito mais eficaz do que atos voluntários desarticulados, que mais aliviam nossa consciência do que mostram resultados eficazes.

Visando contribuir com essa visão, deixo aqui duas sugestões. A primeira delas é que seria importante que a prefeitura criasse uma página na internet informando sobre a assistência prestada aos moradores: o que é feito, de que forma; quantos são atendidos; assistência médica; trabalhos oferecidos.

Eu, por exemplo, doador confesso, não tenho informações sobre quantos moradores de rua existem em Ipatinga; qual o estado deles; por que persistem em ficar nas ruas; quais ações estão sendo implementadas pela prefeitura. Considero essa exclusão da sociedade um dos males do nosso tempo. Não só em Ipatinga, mas em praticamente todas as cidades brasileiras.

Fico me perguntando como uma pessoa chega a esse ponto: perde emprego, renda, local para morar, relacionamentos pessoais. E mais: perde sua dignidade, seu orgulho próprio e põe-se a pedir esmolas rua afora. Não tem sonhos, ideais, objetivos a atingir. Vive ao relento. Dorme no chão. Seus bens são portáteis: uma caixa de papelão com cobertas e alguma roupa. Nada lhe restou. Por que e como um cidadão chega a tal ponto?

Há famílias em extrema pobreza que se mantêm unidas. E, cada um fazendo sua parte, conseguem permanecer integradas à sociedade. Mas os moradores de rua, não. São excluídos e se excluem. Renunciam ao trabalho e à vida social.


“O apoio e a integração entre as polícias e a
administração pública foram muito importantes
para a cidade”


E mais: nossa impressão é que esse número vem aumentando e que essas pessoas são inteiramente desassistidas, passam fome e não têm local para se abrigar. Certamente, o uso de drogas é um fator importante nessa marginalização, pois muitos usuários caminham para a autodestruição dia a dia, passo a passo.

Saber que existe uma política de atendimento aos moradores é muito importante. E o próximo passo seria que essa política criasse canais de integração com a comunidade para que quem pudesse ou quisesse, pudesse ajudar.

E mais: é possível conseguir a reintegração de alguém que se encontra nas ruas à sociedade? Conseguir que esses deserdados da terra retornassem à sociedade seria possível? Ou o trabalho se restringiria à melhoria das suas condições de vida (local para dormir, banho, higiene pessoal, alimentação)?

Seria gratificante que pudéssemos contribuir financeiramente diretamente para o órgão que presta assistência a esses deserdados da sociedade, desde que fossem prestadas contas dos valores arrecadados, de sua utilização e dos resultados alcançados. Todos nós ficaríamos envolvidos na execução dessas políticas e realizados em poder contribuir.

A segunda sugestão seria que, para grupos mais articulados, como os religiosos, caso fosse possível uma integração mais efetiva com as ações da prefeitura, seria um grande passo. Todos os trabalhos convergiriam para os mesmos objetivos. Essa interação poderia, inclusive, aumentar a rede de apoio aos moradores, de forma coordenada e seguindo princípios estabelecidos pela prefeitura. Combater a pobreza e a marginalização social é tarefa de todos.

Toda ajuda àqueles que moram nas ruas seria aproveitada, e os envolvidos ficariam satisfeitos e realizados.
De toda forma, a declaração do prefeito só revela seu interesse pela cidade e sua participação efetiva na vida de Ipatinga. Sua presença na rua Amazonita, acompanhando as ações das polícias Civil e Militar, foi muito relevante. Era uma ação necessária para acabar com a concentração de traficantes e viciados nas cercanias.

O apoio e a integração entre as polícias e a administração pública foram muito importantes para a cidade. E, com relação aos moradores de rua, queremos participar. Por favor, prefeito, ajude-nos a ajudar.

* Economista. Empresário. Diretor da NMC Integrativa.

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