01 de fevereiro, de 2026 | 06:00
Mudou o humor
Fernando Rocha
O torcedor atleticano mudou de humor em relação ao futuro da equipe este ano, indo do profundo pessimismo ao otimismo no intervalo de uma semana.O motivo foi a vitória sobre o rival Cruzeiro (2 x 1), pelo Estadual, e na sequência o empate (2 x 2) com sabor de vitória, contra um dos favoritos ao título, o Palmeiras, na estreia pelo Campeonato Brasileiro.
Após focar as Copas e brigar contra o rebaixamento nas últimas duas edições da maior competição nacional, algo que o torcedor do Galo não quer ver se repetir, o time alvinegro sob o comando de Jorge Sampaoli precisa também brigar pelo título de campeão mineiro, que seria um inédito heptacampeonato, ou o sétimo consecutivo.
O Galo começou o Estadual com uma equipe alternativa e empatou os quatro primeiros jogos seguidos, o que lhe deixou numa situação difícil em seu grupo, mas ontem teve a chance de se reabilitar em um confronto difícil contra o Pouso Alegre, fora de casa.
O Campeonato Mineiro é uma competição desvalorizada e sem maiores atrativos, mas a grande rivalidade regional faz com que o vencedor da competição considere como obrigação, deixando o perdedor mergulhado em uma crise que pode comprometer o planejamento de toda a temporada.
Vexame azul
O conjunto da obra na goleada de 4 x 0 sofrida para o Botafogo foi lastimável, vexatório, inadmissível, desde as falhas bisonhas de marcação do setor defensivo, pela falta de competitividade, até a inoperância do ataque.
O elenco atual do Cruzeiro é praticamente o mesmo que terminou a temporada passada em terceiro lugar no Brasileirão, além de ter recebido dois bons reforços, o meio-campista Gerson, uma das contratações mais caras do futebol brasileiro, além da promessa colombiana, o atacante Néiser Villareal.
A torcida, que entrou 2026 com muitas e boas expectativas, sobretudo, pela volta à disputa da Libertadores, está agora decepcionada e desconfiada em relação ao futuro.
Fora da zona de classificação à semifinal no Campeonato Mineiro, que não vence há seis temporadas, só uma vitória neste domingo sobre o Betim poderá aliviar um pouco a situação do técnico Tite; caso contrário, ele poderá passar pelo constrangimento de ter o seu trabalho precocemente interrompido.
FIM DE PAPO
O futebol apresentado pelo Atlético nos últimos confrontos contra Cruzeiro e Palmeiras mostra, claramente, que houve uma evolução sob o comando do argentino Jorge Sampaoli. Enfrentou um dos favoritos ao título do Brasileirão e dominou grande parte do jogo, que poderia ter terminado com a vitória mineira, não fosse os erros recorrentes de marcação e desatenção de alguns jogadores. Outro motivo de comemoração é a nítida melhora no elenco com os reforços contratados. Apesar de não contar com o equatoriano Preciado, Sampaoli utilizou Alan Franco para fechar o lado direito do campo, e sua ausência no meio não foi sentida, pois Maycon, recém-contratado, preencheu a lacuna e foi um dos melhores jogadores na partida, mesmo atuando fora de sua posição original. A força do elenco também ficou evidente no segundo tempo, pois com as entradas de Cuello e Scarpa o time cresceu, e foi deste último que saiu a jogada do segundo gol.
O ponto negativo, que não pode ser esquecido, trata-se da carência de um zagueiro com mais qualidade no elenco, o que no momento é mais sentido do que a ausência do primeiro volante. Sem contar com Lyanco, cuja previsão de retorno é incerta, a zaga alvinegra formada por Alonso e Ruan deixou a desejar nos dois gols marcados pelo Palmeiras, e por isso a contratação de mais um zagueiro com status de titular pode elevar o Galo a outro patamar. Pelo Brasileirão, o próximo compromisso será na quarta-feira desta semana, contra o Bragantino, em Bragança Paulista.
O primeiro tempo no Engenhão foi muito acirrado e, não fossem as falhas nas conclusões ofensivas, o Cruzeiro poderia até ter saído na frente do marcador. Mas, no segundo tempo, o trem azul descarrilou totalmente, a partir do primeiro gol marcado pelo Botafogo, culminando com a goleada que pôs fim a um tabu que já durava dez anos sem perder para o alvinegro carioca. Além de quebrar tabus, essa derrota acachapante de 4 a 0 também traz uma péssima marca, pois se tornou a pior estreia do time na competição nacional no formato por pontos corridos, disputado desde 2003. Das sete derrotas até então, nenhuma havia sido por quatro gols de diferença.
Teve ainda uma cena de puro amadorismo da comissão técnica chefiada pelo técnico Tite. Gerson se contundiu e a sua substituição demorou cerca de cinco minutos para ser efetivada, e esse tempo todo o time celeste ficou com um jogador a menos em campo. Nesse intervalo, o Cruzeiro tomou o segundo gol, o que descontrolou a equipe e fez a casa celeste cair literalmente. Essa indefinição bizarra da comissão técnica para substituir Gerson demonstra o quanto está perdida, sem rumo. (Fecha o pano!)
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