27 de janeiro, de 2026 | 16:30

Espetáculo cênico estreia com sessões no fim de semana

Divulgação
Nova criação do Hibridus funde memória, identidades e autogestão em uma coreografia-dramaturgia singular: entrada gratuita e classificação livreNova criação do Hibridus funde memória, identidades e autogestão em uma coreografia-dramaturgia singular: entrada gratuita e classificação livre
O Hibridus Pontão de Cultura, de Ipatinga, estreia no próximo fim de semana - sábado (30) e domingo (31) -, no Teatro do Centro Cultural Usiminas, com sessões às 20h, o espetáculo “Ornitorrinco”, nova criação do coletivo atuante na região. A entrada é gratuita, mediante retirada de ingressos pelo Sympla, e a classificação é livre.

Conforme a produção, a figura simbólica do ornitorrinco - “animal singular, híbrido por excelência, que combina características de aves, mamíferos e répteis, põe ovos, possui bico semelhante ao de pato, cauda lembrando castor e ainda espiráculos venenosos nas patas” - está no centro da concepção do novo espetáculo cênico. “Essa criatura paradoxal, que parece desafiar fronteiras taxonômicas e narrativas, torna-se na obra motivo e metáfora para pensar identidades híbridas, modos de existência e trajetórias que não se encaixam em categorias rígidas - um modo de olhar que ecoa a própria trajetória do Hibridus. Assim como o ornitorrinco resiste ao rótulo fácil, o coletivo dança contra a ideia de fronteiras estanques entre arte e vida, estética e política, individualidade e coletivo”, descreve a assessoria.

O espetáculo tem direção e dramaturgia de Thereza Rocha (da Universidade Federal do Ceará), carioca residente há 14 anos em Fortaleza, pesquisadora, docente e artista com 30 anos de trabalho profissional e participação em mais de 20 montagens. “‘Ornitorrinco’ fala de tempo e de memória. Nele há vários tempos ao mesmo tempo, como na vida do grupo ao longo de todos esses anos. Se a gente pensa a memória como motor e não como lembrança, o passado não passou, o passado está passando, sempre, pois a memória dá à vida sempre uma nova chance”, analisa Thereza.

A cena é dividida por Wenderson Godoi - para quem “o passado está à frente, o futuro está na gente” - e Luciano Botelho, que estão juntos há mais de 20 anos na trajetória do grupo Hibridus, “nascido na periferia, na cultura negra e nos projetos sociais de base comunitária, onde a criação coreográfica não é apenas gesto artístico, mas uma estratégia de vida, convivência e resistência”, conforme ressaltam os artistas. Uma das marcas destacadas por eles no novo espetáculo é o “narrador fora do tempo”: a voz do crítico Marcello Castilho Avellar (1960-2011) recriada por inteligência artificial, a partir de registros históricos e com autorização expressa da família. “Essa voz não simplesmente relata, mas cria um diálogo com a cena, ativando uma camada crítica e afetiva que amplia a experiência do público e reforça a dimensão política do trabalho”, afirma a produção.

“Ornitorrinco” propõe uma experiência aberta a diversos públicos, tanto aquele que tem curiosidade pela dança quanto o que se interessa por políticas culturais, formação estética, histórias de autogestão e trajetórias comunitárias. “O espetáculo transforma em imagem e gesto aquilo que normalmente fica nos bastidores - gestão, corre, política cultural, autogestão e sobrevivência artística - em uma coreografia que é, ao mesmo tempo, crítica, afetuosa e inventiva”, informa a produção do espetáculo, que é realizado com patrocínio da Prefeitura de Ipatinga por meio de emenda impositiva ao orçamento municipal. Mais informações: (31) 93505-7587.
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