25 de janeiro, de 2026 | 06:00
Sob pressão
Fernando Rocha
Sob forte pressão por resultados positivos, o Atlético entra no clássico de hoje contra o seu maior rival sem nenhum favoritismo, apesar de jogar em casa.No comando do alvinegro há quatro meses, o técnico argentino Jorge Sampaoli não conseguiu extrair o melhor do elenco que, apesar de qualificado, tem produzido muito abaixo do esperado.
A favor de Sampaoli conta o fato de estar em curso uma reformulação com muitas saídas e a chegada até agora de seis reforços, que estão em fase de adaptação.
Sem vencer nesta temporada e com apenas um resultado positivo nos últimos 11 jogos, sendo quatro empates seguidos pelo Campeonato Mineiro, o Atlético tem apenas 31% de chances de classificação à semifinal, segundo os matemáticos da UFMG.
Para continuar na luta pelo inédito sétimo título estadual, o Galo precisa vencer os quatro jogos que lhe restam nesta fase da competição, a começar hoje diante do Cruzeiro.
Águas calmas
Se o rival vive um momento de grande turbulência, o Cruzeiro navega em águas mais calmas, apesar da surpreendente derrota para o Democrata/GV, no Mineirão, na última quinta-feira, quando usou um time alternativo e teve a estreia de Gerson, a maior contratação da história do clube e do futebol brasileiro.
Foi a segunda derrota da Raposa sob o comando de Tite, que estreou perdendo para o Pouso Alegre, também no Mineirão, com um time quase todo formado por garotos da base.
No clássico de hoje contra o Galo, o técnico Tite vai escalar a força máxima com jogadores descansados, podendo até começar com o extremo/meio” Gerson, em busca da quarta vitória na casa do maior rival.
FIM DE PAPO
A SAF que comanda o Cruzeiro trabalhou muito nos bastidores, nesses últimos dias, mas conseguiu atingir o seu objetivo de renovar antecipadamente os contratos de duas das principais estrelas da casa, o artilheiro Kaio Jorge e o meia Matheus Pereira, que estenderam os seus vínculos até o fim de 2028. A manutenção do elenco que fez ótima campanha ano passado sob o comando do português Leonardo Jardim foi, também, um dos pedidos feitos pelo técnico Tite quando aceitou comandar a Raposa.
A inauguração da Arena MRV foi realizada em 27 de agosto de 2023, quando o Atlético derrotou o Santos, por 2 a 0, em partida válida pelo Campeonato Brasileiro daquele ano. A primeira vitória do Cruzeiro na Arena MRV ocorreu em 22 de outubro de 2023, no primeiro clássico disputado no estádio. O Cruzeiro venceu o Atlético-MG, por 1 a 0, com um gol contra do zagueiro Jemerson aos 40 minutos do segundo tempo, válido pela 28ª rodada do Campeonato Brasileiro. Até agora foram disputados cinco clássicos entre os dois na casa do Galo, que só venceu uma, empatou outra e perdeu três vezes. A novidade hoje será a volta da torcida visitante - aproximadamente 2 mil cruzeirenses -, sob forte vigilância policial a fim de evitar atos de violência e vandalismo contra as instalações do estádio.
Nos bastidores do Galo já se ouve ruídos da fritura” de Jorge Sampaoli, que corre sério risco de demissão caso perca hoje o clássico e também fracasse contra o Palmeiras, na quarta-feira próxima, na estreia do Campeonato Brasileiro. A cúpula da SAF que comanda o alvinegro teria ficado muito irritada com a última entrevista coletiva do argentino, após o empate e o péssimo futebol no clássico contra o América. Sampaoli disse que não discute futebol com a direção e que não sabia da chegada do atacante colombiano, Mateo Cassierra, 28 anos, contratado junto ao Zenit da Rússia para acabar com o jejum de gols do ataque atleticano. Cassierra havia chegado à capital mineira para fazer exames médicos e assinar contrato, na manhã do clássico com o América.
Ruidosa e merecida a comemoração dos jogadores do Democrata/GV, após a histórica vitória sobre o Cruzeiro, na última quinta-feira, no Mineirão, algo que não ocorria há 31 anos. Ainda no gramado, jogadores agradeceram a presença da pequena torcida da Pantera, mas dentro do vestiário é que o barulho” foi grande. A SAF que agora comanda o clube tem à frente o ex-deputado estadual Gustavo Perrela, filho de Zezé Perrela, dirigente histórico da Raposa, que teria pagado em espécie um bicho dobrado em relação ao prometido aos jogadores no caso de vitória.
Volto hoje a escrever nesse espaço do Diário do Aço, depois de um período de férias. Confesso que já estava com saudades desse convívio com os leitores que começou em 2012, quando escrevi a primeira coluna. Como qualquer jogador de futebol que retorna das férias, o jornalista também sente a falta de ritmo, mas aos poucos supera até colocar todos os assuntos em dia. Se o nosso poeta maior, Carlos Drummond de Andrade, sentia febre quando começava a escrever; o americano Ernest Hemingway teria reescrito 39 vezes o último capítulo de Adeus às Armas”, um de seus romances mais famosos e aclamados, por que então um mero escriba das quimeras do futebol também não poderia sentir dificuldades na volta à labuta. (Fecha o pano!)
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