07 de janeiro, de 2026 | 07:00

Com o verão chuvoso, aumentam os riscos sanitários

Débora Anício
Nos últimos dois anos, foram registrados enchentes e alagamentos nas cidades do Vale do AçoNos últimos dois anos, foram registrados enchentes e alagamentos nas cidades do Vale do Aço
Por Matheus Valadares - Repórter Diário do Aço

O ano de 2026 começou chuvoso e algumas regionais de Ipatinga chegaram a receber um volume de 100mm de água em um período de 24 horas. Embora a previsão é que a chuva dê uma trégua a partir de quinta-feira (8) no Vale do Aço, o verão tem como principal característica as altas temperaturas atreladas a pancadas de chuva. O período fica mais propício para alagamentos, enchentes e deslizamentos de terra, tal como ocorreu no início do ano passado, em que 10 pessoas morreram em Ipatinga, uma em Santana do Paraíso, além dos prejuízos financeiros e transtornos registrados nas duas cidades e em Coronel Fabriciano e Timóteo.

Diante desse contexto, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) divulgou que mantém em execução o Plano de Preparação e Resposta ao Período Chuvoso, integrado ao Programa VigiDesastres. A estratégia prevê o monitoramento contínuo de riscos e condições sanitárias, além da atuação conjunta com a Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros Militar e outros órgãos, com foco no apoio aos municípios em situações de emergência.

Doenças relacionadas à qualidade da água


As enchentes fazem aumentar o risco de doenças diarreicas em razão da contaminação da água. A recomendação é consumir apenas água tratada, filtrada ou fervida e procurar atendimento de saúde em caso de agravamento dos sintomas.

“A principal orientação é descartar qualquer alimento que teve contato com a água da enchente, mesmo os embalados. A água sanitária pode ser utilizada na higienização de superfícies e ambientes atingidos”, alerta Eduardo Prosdocimi, subsecretário de Vigilância em Saúde da SES-MG.

Quando não for possível ferver ou filtrar a água, a desinfecção pode ser feita com duas gotas de água sanitária para cada litro, aguardando 30 minutos antes do consumo.

A SES-MG também chama atenção para a leptospirose, doença que tende a se proliferar em ambientes alagados. A infecção ocorre pelo contato da pele ou mucosas com água contaminada e pode evoluir para quadros graves.

“A chuva intensa, especialmente quando ocorre enchente e alagamento, facilita o contato direto das pessoas com a água contaminada pela urina dos roedores infectados. Esse contato é a principal forma de transmissão da bactéria para o ser humano”, frisa Pedro Henrique Mendes, médico infectologista da Fundação São Francisco Xavier (FSFX).

Arboviroses


Além de alagamentos, enchentes e outros transtornos, o volume elevado de chuva associado às altas temperaturas amplia o risco de doenças e agravos à saúde.

As condições climáticas típicas desta época favorecem a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. “O período chuvoso, combinado com as altas temperaturas, pode levar à proliferação do mosquito”, alerta Prosdocimi.

Como medida preventiva, o Estado vai disponibilizar a vacina Qdenga contra a dengue para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Minas Gerais também contará com a vacina produzida pelo Instituto Butantan, que inicialmente será destinada aos profissionais da atenção primária à saúde. A previsão é de que o lote inicial esteja disponível até o fim de janeiro de 2026.

Outro risco associado às enchentes é o tétano, doença causada por bactéria presente, principalmente, em objetos perfurantes e enferrujados, comuns em áreas atingidas por inundações.

“O tétano tem vacina disponível no SUS, gratuita e eficaz, nos vacimóveis e postos de saúde, pronta para ser acessada pela nossa população”, destaca Prosdocimi.

Animais peçonhentos


O aumento do volume de água durante o período chuvoso pode provocar o deslocamento de animais peçonhentos em busca de abrigo, elevando o risco de acidentes tanto em áreas urbanas quanto rurais.

A orientação é manter os ambientes limpos, evitar o acúmulo de entulhos, sacudir roupas e calçados antes do uso e não tocar nesses animais, acionando o Corpo de Bombeiros Militar ou o serviço de zoonoses do município.

A Secretaria reforça que medidas simples contribuem para a redução dos riscos neste período, como eliminar recipientes que acumulam água, manter caixas-d’água bem vedadas, limpar calhas e ralos e cuidar de quintais e áreas externas. (Com informações da Agência Minas).
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