12 de dezembro, de 2025 | 07:30

A justiça humana e a divina

Mauro Falcão *


A justiça humana, limitada por sua própria condição terrena, não distingue a singularidade profunda daquele que pune. Ela mede o crime pelo crime, como se o ato fosse suficiente para revelar o ser. Aplica a pena de modo uniforme, cega às diferenças de maturidade espiritual, intelectual ou moral.

O culpado é alcançado pela mesma régua, independentemente de seu grau de adiantamento interior. A Justiça Divina, porém, opera em outra escala. Suas leis não se detêm no fato, mas na consciência que o produz. A pena - que é antes um processo de depuração do que um castigo - corresponde ao nível de evolução do espírito que a experimenta.

A igualdade da falta não implica igualdade entre os indivíduos; dois seres que erram do mesmo modo podem estar separados por vastas distâncias no caminho das provas que trilhamos entre mundos e existências. Um ainda caminha na névoa espessa dos primeiros passos da razão; outro já transpôs essa faixa inicial e possui a lucidez que dissolve a antiga perturbação. Ao primeiro, as sombras ainda ensinam; ao segundo, já não são as trevas que castigam, mas a intensidade da iluminação.
“O culpado é alcançado pela mesma régua, independentemente de seu grau de adiantamento interior”


Luz que desnuda, que perfura a sensibilidade do espírito e lhe devolve - viva e ardente - a responsabilidade por cada gesto, cada escolha, cada omissão. Porque o homem, mesmo quando age sob o impulso cego das paixões, pode carregar em si um grau de aprimoramento que o eleva acima da animalidade da ação.

Há vezes em que suas potências intelectuais o distanciam da atmosfera densa da inferioridade, enquanto seu progresso moral permanece atrasado. É justamente dessa desarmonia - esse descompasso entre a inteligência refinada e a ética ainda imatura - que nascem as grandes anomalias das épocas materialistas e de transição.

Nesses momentos históricos, surgem os primeiros sinais de angústia espiritual: um mal-estar íntimo, quase uma agonia silenciosa, que anuncia a futura separação dos elementos em conflito. É a desagregação da antiga dualidade - o intelecto caminhando sem o espírito, a razão avançando sem a bondade - que precisa dissolver-se para que surja a unidade maior do ser finalmente integrado, enfim perfeito.

* Pesquisador e escritor brasileiro / E-mail: [email protected].

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Comentários

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Tião Aranha

12 de dezembro, 2025 | 18:18

“A visão holística duma coisa parte sempre de princípios universais ou verdades universais. Pri outro lado as verdades secundárias são baseadas tão-somente na opinião da maioria. Então se a maioria opina que Deus existe, então realmente Deus existe. Os fatos históricos não são paciveis de alteração. Geralmente o homem age pela razão e Deus pela consciência. Se essa premissa for verdade, Deus consegue penetrar no pensamento do homem antes dele agir. Fica a pergunta no ar: será que um indivíduo antes de nascer Deus já escolheu seus futuros pais? É porque tem uns aí que estão dando muito trabalho. Tipo "Maria vai com as outras". Todo dia tá no psicólogo. Ou será que nesse caso, tem que vir aqui mais vezes para se redimir? "É morrendo que renasce para a vida eterna" . A vida continua!... Rs.”

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