30 de agosto, de 2025 | 08:10
Os estelionatos - pelo menos os digitais - estariam com os dias contados?
Maria Cristina Diez *
Um inimigo poderoso vive à sombra da imensidão de pessoas que trafegam todos os dias pelos zilhões de aplicativos disponíveis pelos aparelhos celulares. Os dados de cada indivíduo são um alvo em potencial para os estelionatários, razão pela qual essa modalidade de crime vem crescendo vertiginosamente no país. Os golpes virtuais e os furtos estão em alta, estimulados pelo benefício do anonimato e pela consequente redução dos riscos de identificação dos criminosos.
Dados do mais recente Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado no início de julho, mostram que os estelionatos por meios eletrônicos cresceram 17% entre 2023 e 2024 no Brasil. O índice supera o próprio aumento de estelionatos em geral, cujo avanço foi de 7,8% no mesmo período. Na contramão, aponta o documento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, as práticas criminosas que exigem maior exposição dos bandidos, como roubos de carros, de celulares, de estabelecimentos comerciais, de cargas, residências e instituições bancárias, sofreram reduções bastante significativas na mesma época.
Em outras palavras, os golpistas ou estelionatários, como queira estão encontrando nas plataformas digitais um ambiente mais seguro para praticar crimes. A resposta, obviamente, tende a residir então na adoção de sistemas de segurança digital cada vez mais avançados. Mas é importante saber que as soluções não estão por vir; elas já existem.
"Os golpes virtuais e os furtos estão em alta, estimulados pelo benefício do anonimato"
As tentativas de golpes digitais esbarram cada vez mais em recursos que se antecipam às potenciais fragilidades de cada sistema. Uma das principais barreiras aos golpistas é logo no acesso ao aplicativo, na etapa do onboarding digital. Os processos cadastrais em plataformas que reúnem dados sensíveis também estão mais rigorosos, justamente por estarem em sintonia com as novas soluções digitais.
Um dos exemplos é o uso consistente do Facematch, um recurso capaz de comparar a imagem do usuário em um documento com o seu próprio rosto em tempo real. Já o Liveness permite realizar uma prova de vida que garante a autenticidade do usuário que está acessando um determinado sistema por meio do próprio celular.
Além de altamente eficazes contra as fraudes, essas e outras ferramentas, ancoradas em inteligência artificial, vêm melhorando as experiências de acesso dos usuários no dia a dia. Estudos de certo modo ainda recentes, como o da bandeira de cartão de crédito Visa, mostram que 90% dos brasileiros já preferem usar a autenticação biométrica.
Diante desse cenário, que balança entre os números pessimistas do Anuário de Segurança e os avanços tecnológicos, há uma grande expectativa de que as tentativas de fraudes também comecem a decair, assim como outras práticas criminosas cometidas contra o patrimônio. Meu sentimento é de profundo otimismo. Estamos no caminho para que o estelionato pelo menos por meio virtual esteja em vias de começar um processo de redução.
* Engenheira de softwares e diretora comercial da Most.
Obs: Artigos assinados não reproduzem, necessariamente, a opinião do jornal Diário do Aço
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]