29 de agosto, de 2025 | 07:00

Reflexão sobre o futuro

Wanderson R. Monteiro *

A vivência em nosso mundo e em nossa sociedade atual não é fácil. Sempre encontramos pessoas reclamando de alguma das coisas que têm marcado nossa era em terras brasileiras. Seja o banditismo, que tem aumentado exponencialmente, seja as drogas, que hoje, infelizmente, estão chegando em todos os lugares - arrisco dizer, sem nenhum dado empírico, que já estão chegando em todas as cidades do país, seja pela corrupção, pelo mau emprego dos recursos governamentais - Isso quando eles são repassados. Seja por qualquer um desses fatores, ou outros dos muitos que não citei, mas que são amplamente conhecidos por todos nós, sempre encontramos pessoas preocupadas e, constantemente, reclamando de algum desses problemas que são tão reais e prejudiciais para o nosso país e para todos nós.

Diante destes fatores, é compreensível que muitas pessoas fiquem sem esperanças e amedrontadas com o futuro. É compreensível que pessoas fiquem desanimadas, sem saber o que será delas e de seus filhos, e essa é uma realidade triste: compreender o fato de que nosso país e nossa sociedade não demonstram ser capazes de oferecer para nós e para nossos filhos um futuro que seja, pelo menos, melhor que nossa realidade presente. É triste saber que, se continuar tudo como está, o futuro de nossa nação não poderá nos oferecer o mínimo de segurança ou estabilidade de vida.

Nossa “esperança”, isso quando alguém ainda tem alguma, recai sobre nossas crianças e jovens, pois eles serão os agentes e a sociedade do futuro. Mas, infelizmente, as dificuldades e os problemas atuais afetam justamente essa parte de nossa sociedade, fazendo-os, também, se desanimarem diante do futuro que lhes espera. Se atentarmos para a falta de compromisso e para a falta de responsabilidade para com as coisas mais sérias, como estudos, trabalho, compromisso com a sociedade como um todo, demonstrados pela maioria dos jovens e adolescentes de nossa atualidade, poderíamos nos perguntar se esse futuro melhor poderá realmente vir por meio deles. Mesmo diante dessa triste realidade, ainda devemos ter esperanças.
"Nossa 'esperança', quando alguém ainda tem alguma, recai sobre nossas crianças e jovens, pois eles serão os agentes e a sociedade do futuro"


Com tudo isso, aqueles que querem mudar esse futuro, ficam apreensivos e preocupados com o modo com que eles mesmos conseguirão escrever sua história particular, enquanto outros, a maioria, se entregam a todos os problemas e prazeres destrutivos e momentâneos que o mundo lhes apresenta. Abraçam esse sistema e o integram, vindo a ser mais uma engrenagem desse sistema mau e caótico, que tanto nos tem feito mal, que tanto tem travado o melhor desenvolvimento de nossa sociedade, impedindo as melhorias que tanto queremos e necessitamos.

Ainda assim, é justamente diante desse cenário sombrio que se faz mais urgente cultivar a responsabilidade individual e coletiva como força transformadora na tentativa de mudar essa triste realidade que nos cerca. Não podemos simplesmente entregar o futuro nas mãos de uma geração que ainda está em formação sem antes investir seriamente em sua educação, em seus valores e em sua visão de mundo, precisamos de esforçar e lutar o máximo possível antes de passar esse bastão para o cuidado e responsabilidade deles. Cada adulto consciente deve assumir o compromisso de ser um exemplo - mesmo silencioso - de ética, perseverança e construção de sentido; ser um bom exemplo de vida a ser seguido e imitado. A mudança não virá como um milagre coletivo, por meio de atos grandiosos, ou de personalidades “importantes”, mas ela pode se realizar a partir do acúmulo de pequenas mudanças e ações pessoais. É no lar, na sala de aula, no trabalho cotidiano, que as sementes de um futuro mais digno devem ser plantadas.

Diante disso, apesar da desesperança e das incontáveis dificuldades que enfrentamos, é preciso resistir e trabalhar na construção de um futuro melhor. O futuro não está pronto: ele é construído, todos os dias, com escolhas conscientes, atitudes corajosas e compromissos sinceros com aquilo que é justo e verdadeiro. Se a realidade presente é dura, ela também é o campo fértil onde podemos semear novas possibilidades de mudanças.

Dessa forma, diante dessa realidade que julgamos triste e desanimadora, nos resta decidir se vamos cruzar os braços e assistir à ruína, ou se seremos aqueles que, mesmo em meio aos escombros, continuarão a erguer pontes em direção a um amanhã melhor.

* Autor dos livros “Cosmovisão em Crise: A Importância do Conhecimento Teológico e Filosófico Para o Líder Cristão na Pós-Modernidade”, “Crônicas de Uma Sociedade em Crise”, “Atormentai os Meus Filhos”, e da série “Meditações de Um Lavrador”, composta por 7 livros. (São Sebastião do Anta – MG).

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