Levantamento aponta entidades que mais recebiam dinheiro desviado dos aposentados

02/05/2025 às 08:06
Marcello Casal Jr./ABr
Cerca de dois milhões de aposentados já tinham entrado com pedido de exclusão de descontos indevidos que apareceram 'do nada' em seus brenefícios

As investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Sem Desconto sobre um esquema bilionário de descontos irregulares de mensalidades aplicadas a aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) revelam que nove de 11 associações investigadas concentraram 69% do valor total registrado no primeiro trimestre de 2024.

A Controladoria Geral da União (CGU) divulgou que, de 2019 a 2024, descontos em benefícios realizados por sindicatos e associações somaram R$ 6,3 bilhões, mas nem tudo foi de forma não autorizada. O fato ainda está sob investigação.

Embora a CGU faça um recorte de 2019 e 2024, ainda não está claro quando os desvios começaram. Os levantamentos do Ministério Público já apuraram descontos indevidos em 2018 e 2019, ainda nos governos de Michel Temer (MDB) e de Jair Bolsonaro (PL). A escalada do golpe contra os aposentados continuou na gestão Lula III (PT), até que agora a Polícia Federal deflagrou a operação.

O relatório da PF que lista as 11 entidades que mais receberam valores descontados diretamente da folha de pagamento dos beneficiários no primeiro trimestre do ano passado.

Entidades mineiras são investigadas

Desta lista de 11 entidades investigadas pela “Operação Sem Desconto” da Polícia Federal, um total de três autam em Belo Horizonte: Caixa de Assistência dos Aposentados e Pensionistas do INSS, União Nacional de Auxílio aos Servidores Públicos (Unaspub) e o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi/FS).

Até agora, nove entidades foram alvo direto da operação e outras duas estão sob investigação, mas ainda não foram atingidas por medidas judiciais — ao todo, são mais de 30 associações na mira da PF. O esquema foi revelado por uma série de reportagens do jornal Metrópoles.

De acordo com o relatório da PF, elaborado a partir de auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU), somente no primeiro trimestre de 2024, R$ 2,494 bilhões foram descontados dos benefícios pagos pelo INSS. Desse total, R$ 1,722 bilhão foram destinados às nove entidades agora investigadas.

Aposentados já estavam pedindo providências

Entre janeiro de 2023 e maio de 2024 — auge da farra dos descontos indevidos — o INSS recebeu 1,9 milhão de pedidos de exclusão ou bloqueio de mensalidades associativas. Os pedidos foram feitos por aposentados que, sem consentimento, foram filiados a entidades que cobravam mensalidades em troca de supostos benefícios, como acesso a planos de saúde.

A estimativa é que, entre 2019 e 2024, os valores cobrados pelas entidades tenham chegado a R$ 6,3 bilhões. As investigações continuam e estão em fase inicial, segundo afirmou o diretor-geral da PF, Andrei Passos.

Veja a lista das 11 entidades investigadas pela PF

ABCB Clube de Benefícios/Amar Brasil
-Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (AAPB)
-Associação de Aposentados e Pensionistas Nacional (Aapen, antiga ABSP)
-Associação de Proteção e Defesa dos Direitos dos Direitos dos Aposentados e -Pensionistas (Adpap Prev, antiga Acolher)
-Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec)
-Caixa de Assistência dos Aposentados e Pensionistas do INSS (Caap)
-Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer)
-Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag)
-Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi/FS)
-União Nacional de Auxílio aos Servidores Públicos (Unaspub)
-Universo Associação de Aposentados e Pensionistas dos Regimes Geral da Previdência Social (AAPS Universo)

Fonte: Jornal Metrópoles, Polícia Federal e Controladoria Geral da União
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