Alex Ferreira
Efeitos indiretos podem significar menos empregos e salários circulando na região, no médio e longo prazo
Com as tarifas aplicadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à China, que chegam a, pelo menos, 125%, pode-se dizer que o mundo mergulha em nova guerra comercial, o que pode resultar em nova recessão global, com crises econômicas em países emergentes, como o Brasil. O coordenador de estatística e de pesquisa do Observatório das Metropolizações Vale do Aço do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) campus Ipatinga, geógrafo William Passos, concedeu entrevista à reportagem do Diário do Aço. Ao jornal, ele falou sobre os impactos que podem atingir a Região Metropolitana do Vale do Aço (RMVA).
William pontuou que, nesse aspecto, é importante destacar que ninguém se beneficia das tarifas. “Nem os EUA, nem a China, nem o resto do mundo. As tarifas têm motivação puramente política e não trazem benefício econômico nenhum”, garantiu.
Segundo o geógrafo, no caso do aço brasileiro, os EUA já vêm sobretaxando em 25% o aço e o alumínio do país desde o dia 12 de março. Mas, como a exportação das duas commodities vêm numa crescente, o aumento das vendas tem mitigado os efeitos negativos da sobretaxação para o país. “No acumulado do 1º trimestre de 2025, o Brasil vendeu 33,9% de aço e alumínio a mais que no mesmo período de 2024. Se não houvesse a sobretaxação de 25%, os benefícios para a economia brasileira seriam ainda maiores”, explicou.
Vale do AçoA respeito do Vale do Aço, o especialista ponderou que a maioria das indústrias produz para o mercado interno. “Só uma pequena fatia do que é produzido pela Usiminas, por exemplo, é exportada para os EUA. Por isso, os efeitos diretos para a economia metropolitana regional da guerra comercial entre Trump e China devem ser bem pequenos, mas os efeitos indiretos merecem ser considerados”, afirmou.
Ele alegou ainda que esses efeitos indiretos diminuem a confiança e pioram as expectativas sobre a economia brasileira e internacional, o que acaba impactando nas decisões de investimento. “No médio e longo prazo, pode significar menos empregos e salários circulando na região, movimentando comércio e serviços”, concluiu.