24 de dezembro, de 2024 | 11:45

Com a chegada do verão, bióloga do Vale do Aço defende resgate correto de serpentes

Por Isabelly Quintão - Repórter Diário do Aço

A bióloga Paula Celis, consultora do Instituto Interagir, conclui um trabalho de estudo e práticas de campo, que aborda a importância das serpentes para interesse médico, desenvolvimento de vacinas e biodiversidade. Durante o período de verão, é possível que haja mais aparecimento de serpentes em ruas e residências da região.
Divulgação Instituto Butantan
Jararaca é uma das serpentes mais peçonhentas e está presente no Vale do Aço; alerta é sobre o surgimento dos répteis no verão Jararaca é uma das serpentes mais peçonhentas e está presente no Vale do Aço; alerta é sobre o surgimento dos répteis no verão


Em entrevista à reportagem do Diário do Aço, Paula pontuou a relevância da abordagem, tendo em vista que, ocupando quase metade da América do Sul, o Brasil é o país com a maior biodiversidade do mundo, abrigando em torno de 116.000 de todas as espécies conhecidas de animais, quase 15% de toda a fauna mundial. “Entre elas, algumas são endêmicas, ou seja, existem apenas aqui. De acordo com o Instituto Butantan (2021), no Brasil existem cerca de 400 serpentes, sendo as peçonhentas em torno de 70 espécies. Porém esses números aumentam continuamente, à medida que novos estudos vão avançando. As serpentes peçonhentas são aquelas que possuem além de veneno, uma estrutura capaz de inocular o veneno, conhecida como peçonha, podendo causar os acidentes com seres humanos. Elas são divididas em quatro grupos compostos pelas Jararacas, Cascavéis, Corais-verdadeiras e a Surucucu-pico-de-jaca é a única que não ocorre no Vale do Aço”, detalhou.

Ela também destacou que “vale lembrar que as corais-falsas recebem esse nome justamente por não serem capazes de causar acidentes aos seres humanos. Os métodos utilizados para distinguir as falsas das verdadeiras são de conhecimento popular e são equivocados. O reconhecimento da diferença entre elas é características mais sutis, e deve ser realizado apenas por especialistas”.

“O veneno das serpentes é produzido por meio de glândulas localizadas na cabeça e tem função de auxiliar na alimentação e acabou sendo útil para defesa contra predadores.

Mas os venenos das serpentes também podem ser utilizados para fins medicinais, como o soro antiofídico, que é produzido através do próprio veneno para o tratamento em acidentes ofídicos. E outros medicamentos, como o Captopril, medicamento para o tratamento de pressão alta (hipertensão arterial), o Plateltex, medicamento que auxilia no processo de cicatrização, o Defibrase, medicamento com função anticoagulante, utilizado em tratamento de problemas circulatórios e a cola biológica para uso cirúrgico. Além do Instituto Butantan, várias universidades, continuam fazendo diversas pesquisas utilizando o veneno das serpentes, a procura de novas terapias médicas, o câncer por exemplo”.

Encontro com esses animais podem ser frequentes

A bióloga enfatizou que o encontro com esses animais tem sido cada vez mais frequentes nas zonas urbanas por fatores provocados pelo homem, como construções próximas à região de mata e queimadas no ambiente natural delas. Elas também se movimentam à procura de presas, tendo pequenos roedores e aves como seu principal alimento e busca por refúgio, como entulhos, vegetação alta e pilhas de lenha.

Devido a isso, muitas pessoas pensam que as serpentes atacam os seres humanos, mas elas somente se protegem quando se sentem ameaçadas. “Não existe um tempo determinado para a ação do veneno no corpo do ser humano, ele varia de acordo com vários fatores, como peso, idade, condicionamento físico. Em caso de acidente ofídico não é aconselhável o uso de medicações ou técnicas caseiras, como torniquete. É necessário contatar imediatamente o SAMU ou o Corpo de Bombeiros para tratamento com profissionais da saúde em seguida”.

“De acordo com o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, no ano de 2022 o Brasil registrou 29.543 acidentes ofídicos, e o número de óbitos foi de 94 pessoas (taxa de letalidade de 0,32%). Em Minas Gerais o número de acidentes foi de 2.880 e 12 óbitos (taxa de letalidade de 0,42%). É necessário preservar as serpentes, porque elas são uma parte da biodiversidade brasileira e podem ser importantes através de novas descobertas e futuro resultados benéficos para nós”, concluiu.

Comunidades rurais de Ipatinga poderão aprender a lidar com aparecimento de serpentes

O geógrafo, historiador e escritor ipatinguense Alessandro de Sá, idealizador do Instituto Interagir, detalhou que a primeira ação do instituto em 2025 será com comunidades rurais de Ipatinga, em janeiro. “Esse período é propício ao surgimento das serpentes e sabemos que esses incêndios florestais contribuem ainda mais para esse fato, que chama muito a atenção da atividade do homem no campo. E, em grande parte, o trabalhador rural, quando identifica uma serpente, imediatamente ele quer matá-la. Procuramos, então, por meio dessas oficinas de educação ambiental, ensinar que o correto é não matar a serpente e sim conduzi-la, permitir que ela continue o seu caminho indo para o mato. Por isso faremos essa oficina gratuitamente, na comunidade do Ipaneminha”.

“A Paula Celis e um outro profissional de Medicina Veterinária capacitarão esses proprietários rurais, trabalhadores e empreendedores desse meio, dentro do manejo adequado de serpentes. Será uma carga horária de um dia, sem nenhum custo, com a prática de identificação e serpentes e de manipulação de instrumentos necessários para fazer o resgate”, complementou.
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Comentários

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Gomes

26 de dezembro, 2024 | 09:00

“Pau na cabeça deste bicho rapidinho”

Exterminador

25 de dezembro, 2024 | 22:14

“Esse tipo de animal é uma ameaça ao ser humano quem trabalha em cafezais,em fazendas entre outros manejos rurais tem grandes chances de ser atacado e perder a vida por uma picada desse animal tem que eliminar fazer a dedetização da área para que não aja nenhum animal deste por perto meu tio faleceu devido a uma picada de um animal desses ganhando café não deu tempo nem de socorrer ele eu matei a cobra mas ela já tinha picado ele tava em meio as folhas ele passou a mão nos pendões de café e ela deu um bote certeiro tirou a vida dele então toda que vejo em meu terreno mando pro outro lado da vida.”

Renato Mendes de Souza

25 de dezembro, 2024 | 08:46

“Conhecer para Preservar, esse trabalho é de extrema importância na vida de trabalhadores rurais pelo Brasil a fora,a convivência pacífica com as serpentes mantém o equilíbrio da fauna.”

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