Comerciantes pedem providências contra os constantes arrombamentos no Centro de Ipatinga

01/11/2024 às 08:30
Enviada por leitor
Loja foi arrombada no centro de Ipatinga e, neste caso, o arrombador foi preso
Por Matheus Valadares - Repórter Diário do Aço
Donos de lojas no Centro de Ipatinga têm reclamado da incidência de arrombamentos nos estabelecimentos comerciais durante as madrugadas. A situação tem causado apreensão, insegurança e, mais do que isso, prejuízos. Diego Andrade Ferreira é dono da Casa do Sapateiro, loja com mais de cinco décadas de atividade e que fica situada na avenida 28 de Abril e manifesta a indignação diante do quadro que enfrentam.

“Essa semana foram registrados dois arrombamentos e uma invasão com roubo em estabelecimento, sendo que essa invasão com roubo foi finalizada às 5h15. Eles arrombaram às 5h e finalizaram às 5h15, furtando uma televisão à luz do dia”, afirmou.

Diego reclama tanto da infraestrutura da área central quanto do excesso de pessoas em situação de rua na localidade. “Olha a situação no Centro de Ipatinga, ele está em estado de abandono, tanto na questão estrutural, por exemplo calçada, quanto em questão dos moradores de rua, que causa a insegurança dos nossos colaboradores, dos nossos clientes e também de nós empresários. Esse mesmo número de moradores de rua causa o risco de arrombamentos durante a madrugada. O que mais nos espanta é a tranquilidade que eles têm em arrombar e carregar a mercadoria num grande percurso. Isso alerta para falta de policiamento durante a madrugada no Centro”, concluiu.

Outra lojista que teve prejuízo recente é Adilza Cardoso, proprietária da Use Peças, que já teve um prejuízo estimado em R$ 30 mil, devido às práticas criminosas. No caso dela, a perda não se resume ao financeiro.

“Precisei instalar novas câmeras de segurança, alarme e pagar vigilância. Faço tratamento para ansiedade pois vivo em constante estado de alerta, o alarme dispara no mínimo uma vez por semana e sou acordada de madrugada com aviso de tentativa de arrombamento”, pontuou.

Futuras manifestações
A comerciante também elencou algumas ações propositivas que podem mitigar a ação criminosa no Centro. “Acredito que precisa de mais ação da polícia nas rondas noturnas e o Poder Público tomar medidas efetivas com respeito dos moradores de rua, que na grande maioria são usuários de crack. Estamos unindo para fazer um protesto, estamos nos sentindo abandonados, sem voz na Câmara Municipal, com alguém que verdadeiramente nos represente”, apontou.

Ronney, dono da loja Só Papéis, reforça a mobilização dos comerciantes para cobrar medidas do poder público. “Nós estamos mobilizando os lojistas para fazermos uma manifestação para que as autoridades competentes realmente tomem alguma providência com relação ao fato, ver se reduz esse número de furtos e roubos à noite no Centro”.

Preocupação com os funcionários
Reprodução
Nem mesmo reforço nas vitrines e portas de lojas têm sido capazes de frear as ações dos ladrões

Ronney acrescentou que teve o ponto comercial arrombado por duas vezes seguidas em 2024. Ele contabiliza que o furto de mercadorias como celulares, notebook, entre outros, rendeu uma perda de aproximadamente R$ 20 mil. Na segunda ação dos criminosos, nem a porta soldada foi capaz de parar os marginais.

“Depois disso, colocamos câmera, uma outra trava interna na porta para ver se evita que eles entrem novamente e não nos deem prejuízo”, explicou.

Ele ainda afirmou que tem se preocupado com a segurança de seus funcionários. “Agora estou notando que está reduzindo o horário [dos crimes]. Antes era por volta de 3h, passou meia-noite e ontem [quarta-feira] teve uma loja aqui no Centro que foi arrombada às 20h, daqui a pouco estão furtando no horário comercial. Eu me preocupo com os colaboradores, a prefeitura não faz nada, não age, colocou a Guarda Municipal... Eles ficam só andando para lá e pra cá e não têm nem uma arma de fogo para poder realmente impor respeito e medo nesses caboclos”, exclamou indignado.

O que diz a Polícia Militar


Por meio do tenente Igor, do 14º Batalhão da Polícia Militar, a instituição informou que, há cerca de duas semanas, iniciou uma patrulha de operações especificamente voltada para combater os crimes contra o patrimônio, furtos e roubos.

“Essa patrulha atua tanto na prevenção, o contato com os comerciantes, o patrulhamento, a identificação de indivíduos em atitudes suspeitas, quanto na repressão, no caso da ocorrência de crime, a identificação dos possíveis autores, material subtraído, localização e prisão desses infratores”, garantiu.

Em relação ao arrombamento citado por Ronney, a PM esclareceu que o suspeito foi preso logo após o fato e encaminhado à delegacia de Polícia Civil.

“Do ano de 2023 para o ano de 2024 a gente teve um aumento de 10% no número de prisões, ou seja, foram presos mais autores nesse ano de 2024. Só na área central, a gente esse ano já está com cerca de 88 indivíduos presos em prática de crimes contra o patrimônio”, finalizou o tenente Igor.

O que diz a administração municipal


Por meio de nota, a administração de Ipatinga esclarece que, legalmente, não compete ao município o protagonismo na responsabilidade pela segurança pública, cabendo esta atribuição ao Estado, por meio das Polícias Militar e Civil.

Como forma de oferecer maior proteção aos cidadãos, incluindo os comerciantes, e aos equipamentos públicos, a “Prefeitura criou a Guarda Civil Municipal (GCM), cuja função essencial é dar suporte e apoio aos agentes institucionais já configurados e estabelecidos, atuando em sintonia com as forças de segurança”.

A respeito da atuação da GCM, “ressaltamos que o efetivo da Guarda atualmente é de 90 homens e 23 mulheres, que trabalham em escalas de revezamento sem designação específica, sendo sua atuação direcionada conforme o melhor interesse da administração pública. No momento, a GCM não tem atuação noturna, mas há previsão de que isso ocorra tão logo haja a liberação para o porte de armas junto à Polícia Federal”, concluiu a nota.


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