Matheus Valadares
Uma grande camada de fumaça se formou sobre a região queimada em Timóteo
Por Matheus Valadares - Repórter Diário do AçoO Vale do Aço permanece “ardendo em chamas” em um dos períodos de seca mais críticos de toda sua história. Além do intenso incêndio em uma área de vegetação na encosta localizada entre os bairros Alegre, Eldorado, Santa Maria e Novo Horizonte, onde está localizada a Área de Proteção Ambiental (APA) Serra de Timóteo, conforme já noticiado pelo Diário do Aço, há um novo foco de chamas, em uma área de mata, nas imediações do povoado de São Joaquim da Bocaina, na zona rural de Antônio Dias.
A fumaça dos locais pode ser notada, inclusive, de municípios vizinhos. Além da poluição visual e da sujeira causada nas residências e ruas, a grande massa de fuligem que sobe das matas incendiadas concentra PM2.5 (material particulado fino) e outros gases tóxicos, dentre eles o monóxido de carbono (CO), que são prejudiciais à saúde.
Incêndio em TimóteoNesta terça-feira (24), o incêndio em Timóteo, iniciado no último sábado (21), chegou ao quarto dia. Os esforços conjuntos do Corpo de Bombeiros e da brigada de incêndio - contratada pela administração municipal, por meio de processo licitatório – não têm sido suficientes para colocar fim às chamas.
Como já relatado, o fogo atingiu parte da APA de Timóteo, queimando áreas de florestas mistas, nativas e de pastagem. Em março deste ano, por 9 a 5, a Câmara de Timóteo votou pela derrubada do veto do Executivo ao PL nº 4.379, que aprova o Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental da Serra do Timóteo (APAST).
O projeto versa sobre a ocupação urbana de uma área de 3,2 mil hectares, atualmente protegida e que vai do povoado do Licuri aos bairros Eldorado, Novo Horizonte, Primavera, Ana Malaquias e Bela Vista, passando por uma região de serra, remanescentes de Mata Atlântica, áreas antes ocupadas por plantação de eucalipto e que está em recuperação, cursos d’água e propriedades rurais. Com a aprovação do projeto, empreendimentos imobiliários já planejados poderão ser levados adiante.
Do dia 16 de setembro até esta segunda-feira (23), a Defesa Civil Municipal relatou ter atendido 25 ocorrências de focos de incêndio no município, incluindo também os bairros Petrópolis, Olaria, Novo Horizonte e Ana Moura.
Antônio Dias Matheus Valadares
Fumaça em área de mata próxima ao povoado de São Joaquim da Bocaina pode ser vista de Coronel Fabriciano
A vegetação na serra próxima à mina da Baratinha, da Bemisa, também está em chamas. O local fica próximo à Cachoeira do Escorpião e ao ribeirão Grande, afluente do rio Piracicaba.
A fumaça proveniente da queimada pode ser vista de pontos altos de Coronel Fabriciano, como, por exemplo, do monumento da Divina Misericórdia, no bairro Santa Terezinha I, há cerca de 19 Km de distância dos focos.
A situação de estiagem somada às queimadas preocupa tanto em relação à saúde como em riscos à fauna e à flora. O incêndio reduz a qualidade do solo, destrói a vegetação, contribui para a poluição do ar e aumenta o número de mortes de animais, tanto pelo fogo, quanto por atropelamentos ao tentar fugir do local.
Outros locais com queimadasConforme os dados disponibilizados pelo Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de 17 a 24 de setembro foram contabilizados 526 focos de incêndio em Minas Gerais. Entre os municípios da região que constam na lista de localidades com queimadas, além de Antônio Dias e Timóteo, destacam-se Açucena, Mesquita, Belo Oriente, Coronel Fabriciano, Bom Jesus do Galho, Jaguaraçu, Pingo-d’Água e Santana do Paraíso.