Isabelly Quintão
Os alimentos são doados para o Banco de Alimentos de Ipatinga e Ipaba, além do Grupo Se Toque
Por Isabelly Quintão - Repórter Diário do AçoNa Penitenciária Dênio Moreira de Carvalho (PDMC), em Ipaba, no Colar Metropolitano do Vale do Aço, são feitos trabalhos de ressocialização com os detentos. Entre eles, está a produção de verduras, legumes e hortaliças plantados na unidade e doados, bem como oficinas de costura, padaria, mecânica, serralheria e marcenaria.
São fabricados armários para todas as unidades das Regiões Integradas de Segurança Pública (RISP) de Minas Gerais. Além disso, há colaboração com empresas parceiras, e os presos atuam em diversas obras, dentre elas, reforma nas praças em Ipatinga.
Em entrevista à reportagem do Diário do Aço, o diretor de humanização de atendimento, Warley Gonçalves, contou que o trabalho humanitário com os IPLs (indivíduos privados de liberdade) sempre foi feito na unidade prisional em Ipaba, mas este ano está com um foco maior.
Anderson Figueiredo/Diário do Aço
Representantes da PDMC em Ipaba
“Alguns detentos ainda não estão na condição de ressocialização, porque é feita uma classificação antes de colocá-los para trabalhar e estudar. A seleção ocorre pela Comissão de Classificação Técnica (CTC), em que os detentos passam por uma entrevista com todos os técnicos da unidade, como psicólogos, pedagogos, enfermeiros e dentistas. Ou seja, uma equipe multidisciplinar. Depois é feita uma reunião para ver quem tem condições de estar trabalhando internamente e externamente ou tem aptidão ao estudo”, detalhou.
Warley pontuou que todos os IPLs precisam ter essa classificação. “Fazemos o máximo para que todos passem por ela. Com essa classificação de regime, judicialmente podemos colocá-lo ao trabalho, e esse é o nosso objetivo. E para cada três dias trabalhados, é reduzido um dia de pena. Isso ocorre tanto para o trabalho quanto para o estudo. Além de que há uma remissão para a leitura. O detento ganha um livro, faz uma resenha e, assim que corrigida, é possível reduzir a pena”, explicou.
Isabelly Quintão
Para participar do trabalho de ressocialização, os detentos passam por uma seleção
Doações As verduras, legumes e hortaliças cultivados pelos detentos são doados para o Grupo Se Toque, que presta apoio a pacientes oncológicos, e para o Banco de Alimentos de Ipaba e de Ipatinga, relatou o policial penal e gerente de produção da PDMC, Anizio de Souza.
“Por semana, costumamos doar entre 900 e 1.000 quilos de verduras. No mês de agosto, foram doadas quatro toneladas. Para setembro, estão previstas cinco toneladasça. Toda mão de obra é feita pelos detentos, como o cultivo, a manutenção e a colheita. O trabalho é feito de segunda a segunda, porque as hortaliças precisam ser mantidas, além de limpeza, capina e água. As doações são feitas, em média, de uma a duas vezes por semana, nas terças e quintas-feiras. Fazemos contatos com as entidades e elas buscam”.
“Além de ajudar a comunidade, esse trabalho de ressocialização também ajuda os detentos. Nas empresas parceiras, além da remissão, eles também recebem, sendo três quartos de um salário mínimo”, acrescentou Anizio.
Isabelly Quintão
A ação humanitária com os detentos sempre foi feita, e está com um foco maior neste ano
Transformação O detento Vivaldo Venerando, de 57 anos, contou ao Diário do Aço que os profissionais da penitenciária dão muito apoio e incentivo a todos os IPLs.
“Eu gerencio a turma na horta e isso é uma coisa que faço com carinho. É um crescimento bom para quem está em um lugar desse. Não é fácil, mas cuidar dessa planta e mexer com as hortas é uma coisa maravilhosa, que só Deus nos permite. Na altura do campeonato é uma distração para nós. Chegamos cedo por volta das sete horas da manhã e saímos às cinco da tarde. E é todo mundo tranquilo, unido, e sem confusão. Nem sentimos que estamos em um lugar como esse. Os profissionais daqui nos incentivam e nos dão apoio”, afirmou.
Vivaldo também destacou que acredita que o trabalho de ressocialização pode transformar a vida de quem precisa dele. “Eu mesmo sou um detento com 910 dias de remissão. É uma caminhada longa que vamos vencendo. Uns aqui não sabiam fazer nada antes, viviam no mundo das drogas, e tenho certeza que futuramente terão a mentalidade diferente, sabendo o que pode ser feito e o que não pode”, enfatizou.
Isabelly Quintão
São fabricados armários para todas as unidades das RISP de Minas
Importância para a comunidade
O gestor do Banco de Alimentos de Ipaba, Raimundo Batista Santos, reforçou que a ação humanizada feita na PDMC é de extrema importância. “Tudo que é produzido na penitenciária é direcionado para a população em situação de vulnerabilidade social. O nosso banco de alimentos tem 363 famílias cadastradas e toda semana sai quase 900 Kg de alimentos, os quais são doados a 150 famílias, que pegam os alimentos num período de sete dias. Assim, estamos cuidando da população carente sem deixar que passem fome, ajudando também os detentos na integração junto à comunidade”.
Já o gerente administrativo do Grupo Se Toque, Amauri Leal, garantiu que as doações fazem toda a diferença na vida de quem precisa.
Isabelly Quintão
Para cada três dias trabalhados, é reduzido um dia de pena
“O trabalho é essencial, porque o nosso grupo fornece uma média de 100 a 150 refeições para os assistidos. Sem contar que verduras e legumes são uma parte importante na dieta de pacientes com câncer. Nós buscamos sempre parceiros e doadores. Atualmente, temos entre 120 e 150 pessoas sendo atendidas por dia somente com as refeições que saem da penitenciária. Cesta básica e suplementos é um número maior, mas essa é a média da doação da horta. Os alimentos são buscados de acordo com a nossa demanda, geralmente fazemos isso quinzenalmente”, concluiu.