Logo na primeira semana deste mês, o Governo de Minas Gerais enviou à Assembleia Legislativa um projeto de lei para que o Palácio das Mangabeiras, antiga residência oficial dos chefes do Executivo, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, seja transformado definitivamente em bem público. Em 2019, por determinação do governador Romeu Zema, o espaço foi cedido por convênio à Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge) e foi aberto à população para diversas atividades culturais.
Fotos: Marco Evangelista/Imprensa MG
Proposta do governador é entregar em definitivo o Palácio das Mangabeiras à população mineira e aos turistas
De acordo com a proposta do Governo de Minas, o Palácio das Mangabeiras (e suas benfeitorias) será vinculado à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult), mantendo a atual destinação, além de assumir a administração, gestão e conservação do espaço. Outra sinalização no documento é a abertura à possibilidade para que o imóvel possa ser transformado total ou parcialmente em museu. Com a aprovação, serão transferidos à Secult os programas, projetos, contratos, convênios e demais direitos e obrigações relativos ao Palácio das Mangabeiras.
Vista aérea do espaço: ''excesso gerando despesas''
Histórico Ao anunciar a iniciativa, no início da gestão, o objetivo do governador Romeu Zema, que arca com as próprias despesas de moradia, era de que fossem implementadas ações para aproveitamento do imóvel e também melhor gestão dos recursos públicos. A não utilização do palácio para este fim gera uma economia anual de R$ 3,3 milhões aos cofres estaduais.
“Era um excesso, um espaço público de caráter privado e gerando despesas. Com a aprovação, queremos que, independentemente de quem estiver na administração pública estadual, o Palácio das Mangabeiras seja mantido com a destinação de abertura ao público. É o legado que queremos deixar”, disse o governador Romeu Zema.
A antiga residência hoje abriga exposições de arte
Parque Em 2022, foi criado o Parque do Palácio, espaço aberto à população para lazer e atividades culturais como exposições, apresentações e gastronomia, recebendo público de todas as idades. Entre julho de 2023 e junho de 2024, foram realizados 42 eventos de grande porte.
Nos últimos anos, o imóvel já recebeu edições da CasaCor, Cidade de Natal e a exposição de Amilcar de Castro. Além disso, são realizados constantemente eventos de pequeno porte como casamentos, ensaios fotográficos, batizados e oficinas diversas voltadas para os públicos adulto e infantil. Atualmente, existe uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) - constituída por Codemge, Grifa, Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) e Malab Produções -, que figura como cessionária do palácio e faz a sua gestão.
Jomar Bragança
Lugar mistura Oscar Niemayer e Burle Marx na capital
PatrimônioConstruído entre os anos de 1951 e 1955, o projeto do Palácio das Mangabeiras é atribuído ao arquiteto Oscar Niemeyer, com jardins do paisagista Roberto Burle Marx. O primeiro morador foi o então governador Juscelino Kubitschek.
São cerca de 42 mil metros quadrados de área aos pés da Serra do Curral, um dos principais cartões-postais da capital mineira. O imóvel pertence ao perímetro de tombamento do Conjunto Paisagístico da Serra do Curral, protegido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Festa FrancesaUm exemplo da destinação popular do espaço foi a “Festa Francesa - Minas Paris 2024”. O evento, que já é tradicional na capital mineira, foi realizado no Parque do Palácio, no feriado de 7 de setembro, para promover a cultura do esporte em consonância com a realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Paris. Por toda a sua extensão, ocorreram demonstrações de atividades esportivas como atletismo, canoagem de velocidade, ginástica de trampolim, rugby, skate, taekwondo, tênis de mesa, tiro com arco, vôlei e judô.