20 de agosto, de 2024 | 06:00
Noite de decisão
Fernando Rocha
[imagemd11344]Vindo de um péssimo resultado no Campeonato Brasileiro - empate em casa de 1 x 1, com o Cuiabá, vice-lanterna da competição -, o Atlético faz, hoje à noite, na Arena MRV, o jogo mais importante até aqui na temporada, contra o San Lorenzo, da Argentina, que vale vaga nas quartas-de-final da Copa Libertadores.O confronto desta noite dá ao vencedor a premiação de R$ 8 milhões, além de possibilitar a arrecadação de mais alguns milhões de reais com a bilheteria nos dois jogos da próxima fase.
O técnico Gabriel Milito escalou um time alternativo contra o Cuiabá, mas hoje volta com todos os titulares para esta decisão, quem sabe até podendo contar com o craque do time, Hulk, que se recupera de uma contusão muscular.
Um grande problema para os jogadores dos dois times, sobretudo do Atlético, que adota um sistema de jogo com muitos toques e posse de bola, será o gramado da Arena MRV.
A diretoria fez a troca de 60% da grama, mas, pelo que se viu no jogo do último sábado, a situação do gramado piorou, o que motivou uma série reclamações de jogadores do próprio alvinegro, como o atacante Paulinho que sugeriu a transferência dos próximos jogos para o Mineirão ou o Independência.
Muleta pronta
Não é agora, que o caldo entornou em relação ao gramado, que o time atual do Galo vem jogando mal e colecionando tropeços na sua tão sonhada casa própria.
Empatou com Atlético Goianiense e Fortaleza, foi goleado pelo Flamengo e pelo Palmeiras, só para citar algumas derrapadas. A rigor, só teve uma grande atuação e obteve a vitória no clássico contra o rival, Cruzeiro, no início deste Campeonato Brasileiro.
Se o time for eliminado hoje da Libertadores, pelo San Lorenzo, o vilão já escolhido pelos jogadores será o gramado, usado como muleta para justificar um eventual fracasso, transferindo toda ou a maior parcela de culpa para a diretoria, que se mostra incompetente para resolver o problema.
FIM DE PAPO
Por mais de três décadas, viajei pelo Brasil e vários países do continente transmitindo futebol pela Rádio Vanguarda. Conheci centenas de estádios, desde os mais modestos, que serviam ao futebol amador, até os mais modernos hoje chamados de Arenas”. O Mineirão foi, durante muito tempo, a minha segunda casa e, por isso, quando assumi, em 1997, a gestão do Ipatingão a convite do então prefeito Chico Ferramenta. Procurei o saudoso jornalista e amigo Fernando Sasso, que comandava a autarquia estadual da ADEMG, administradora do Mineirão, sendo muito bem acolhido e atendido para conhecer internamente os processos utilizados que faziam do Gigante da Pampulha” um dos melhores e mais organizados do país.
No fim de uma semana de reuniões com os funcionários de todos os departamentos, fui recebido pelo Fernando Sasso, que me deu vários conselhos importantes; um deles inesquecível, que norteou durante oito anos a minha passagem à frente do Ipatingão. Jogadores, torcedores e imprensa em geral perdoam e relevam qualquer falha no estádio, menos gramado ruim”, disse o bom e velho amigo Sasso, do alto de sua experiência como jornalista esportivo e administrador do Mineirão, sentado atrás de uma enorme mesa, com o paletó pendurado na sua cadeira giratória.
Ciente que é assim mesmo que a banda toca, sinto-me hoje orgulhoso ao rever as imagens de inúmeros grandes jogos realizados naquela época no Gigante do Parque Ipanema”, como, por exemplo, o clássico nacional Atlético 6 x 1 Flamengo, em novembro/2004, quando mesmo com a qualidade inferior da grama tipo batatais” o gramado recebia elogios de jogadores, comissões técnicas, torcedores e imprensa.
A diretoria do Atlético vem tentando encontrar soluções para o gramado da Arena MRV, que completa no próximo mês um ano de inauguração. Seu maior erro foi não ter feito a opção pelo gramado sintético na época da construção, insistindo com a grama natural, mesmo sabendo que a iluminação natural do gramado pelo sol é deficiente, devido ao formato da cobertura do estádio. Se quiser ter uma arena multiuso, para servir ao futebol e a shows artísticos, não há outra solução a não ser adotar o piso sintético, que pode ser também híbrido, como é hoje o Maracanã e o Nilton Santos, do Botafogo. Não se planta manga e colhe limão. O sintético tem prós e contras, mas, no geral, resolve o problema. (Fecha o pano)
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