04 de julho, de 2024 | 12:00

Perigo oculto nos sistemas antifraude: falso positivo e perda de receita

Denis Furtado *

No mundo financeiro, onde cada transação representa uma oportunidade para ganhos e, simultaneamente, para perdas devido a fraudes, a escolha do sistema antifraude adequado é uma decisão de extrema importância. Para bancos, emissores de cartões de crédito e outras instituições financeiras, a implementação de sistemas antifraude não é apenas uma necessidade operacional, mas um imperativo estratégico.

Fraudes financeiras são um problema persistente que pode acarretar prejuízos significativos. Segundo um estudo da Association of Certified Fraud Examiners (ACFE), as organizações perdem, em média, 5% de sua receita anual devido a fraudes. No entanto, um sistema antifraude ineficiente pode gerar outro tipo de prejuízo, muitas vezes subestimado: os falsos positivos.

Eles ocorrem quando transações legítimas são erroneamente classificadas como fraudulentas e bloqueadas, sendo prejudicial para os negócios. Imagine a situação de um cliente que, ao realizar uma compra de valor elevado, tem sua transação recusada. Frustrado pela inconveniência, pode optar por utilizar outra forma de pagamento, resultando em perda de receita e, pior ainda, em danos à reputação da instituição financeira.

De acordo com um relatório da Javelin Strategy & Research, cerca de 15% dos consumidores mudaram de instituição após experiências repetidas de falsos positivos. Isso demonstra que o impacto não é apenas imediato, mas pode reverberar a longo prazo, corroendo a confiança depositada na instituição. Como deu para perceber, a escolha de um sistema antifraude é muito séria!

Ecossistemas que adotam uma abordagem rígida e genérica, bloqueando transações com base em critérios simplistas e inflexíveis, podem parecer eficazes no combate às fraudes, mas na realidade, causam um dano significativo ao negócio. Esses sistemas, ao não considerar o contexto ou o comportamento do consumidor, aumentam a incidência de falsos positivos.
“Imagine a situação de um cliente que, ao realizar uma compra de valor elevado, tem sua transação recusada”


Os líderes de TI e executivos das instituições financeiras precisam entender a importância de adotar sistemas antifraude que empreguem uma abordagem multifacetada. Uma ferramenta antifraude eficaz precisa ir além da simples detecção de divergências.

Deve integrar dados comportamentais, utilizar inteligência artificial e analisar uma variedade de indicadores para distinguir com precisão entre transações legítimas e fraudulentas. Tecnologias avançadas como machine learning permitem a evolução e adaptação contínua, melhorando sua precisão e reduzindo falsos positivos ao longo do tempo.

Ao integrar dados históricos e comportamentais, esses sistemas conseguem aprender o padrão de comportamento de cada cliente, identificando transações suspeitas com maior precisão.

Para os bancos e emissores de cartões de crédito, o objetivo mais urgente é adotar uma solução antifraude que equilibre segurança e conveniência. Não se pode sacrificar a experiência do cliente em nome da prevenção. Em vez disso, é preciso investir em tecnologias avançadas que permitam uma análise mais sofisticada e contextual das transações.

A necessidade é clara: revisem seus sistemas antifraude, optem por soluções flexíveis e reconheçam que a verdadeira segurança está na precisão, não na rigidez. Somente assim será menos doloroso proteger suas finanças e, ao mesmo tempo, manter a confiança e a satisfação de seus clientes. A luta contra a fraude é complexa, mas com a abordagem certa, é possível vencer sem sacrificar o crescimento e a reputação.

* Engenheiro de sistemas e diretor da Smart Solutions, distribuidora brasileira de solução antifraude e de cibersegurança.

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