15 de junho, de 2024 | 10:00

O impacto das escolas cívico-militares no Brasil

Ailton Cirilo *


As escolas cívico-militares têm se destacado no cenário educacional brasileiro, conquistando resultados significativos na melhoria da qualidade do ensino e no comportamento dos alunos, conforme aponta o Índice de Desenvolvimento da Educação Brasileira (Ideb). Isto porque há uma drástica redução da evasão escolar e das infrações realizadas por menores, bem como melhoria no comportamento dos jovens.

Em 13 de junho, um balanço da atuação dessas escolas em Buritis, e outras cidades da região Noroeste, foi apresentado em uma reunião da Comissão de Esportes, Lazer e Turismo da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Na audiência pública, gestores e colaboradores relataram sobre os benefícios do modelo escolar, sendo que estes profissionais focam no aprendizado dos alunos, enquanto os militares da reserva atuam em questões de administração, disciplina, logística e comportamento dos aprendizes.

Enquanto no passado muitos alunos ‘matavam’ aulas, atualmente há filas de estudantes à espera de matrículas. O fato pode ser analisado com base na melhoria do ambiente escolar, além da promoção de uma cultura mais disciplinada e respeitosa entre os alunos. Outro indicativo de sucesso apresentado na ocasião é a satisfação de pais e professores que, por meio de relatos, abordaram sobre o maior respeito dado às famílias e colegas. Já os docentes afirmaram se sentirem mais valorizados e motivados. O clima de harmonia e interesse dos estudantes impacta na elevação do Ideb que, de acordo com a Assembleia, atingiu a pontuação de 5,7 em Buritis, sendo 6 a meta estadual.

Os primeiros colégios militares surgiram na década de 1950, destinados inicialmente aos filhos dos militares. Com o passar dos anos, esses ambientes expandiram seu público-alvo se tornando modelos de excelência acadêmica e disciplinar. Mas apenas a partir de 2019, com o lançamento do Programa Nacional de Escolas Cívico-Militares pelo Ministério da Educação (MEC), em parceria com o Ministério da Defesa, foi que o conceito ganhou força e começou a ser implementado em escolas públicas de diversas regiões do país.
"Enquanto no passado muitos alunos ‘matavam’ aulas, atualmente há filas de estudantes à espera de matrículas"


O programa visa transformar escolas públicas regulares em cívico-militares, adotando práticas de gestão e disciplina militares, além e investir na infraestrutura e na formação de profissionais de educação. Dentre os benefícios, melhoria da disciplina e ordem, desenvolvimento de valores cívicos e éticos, qualidade de ensino, prevenção de problemas sociais e engajamento da comunidade.

Além disso, é fundamental destacar a prática do exercício da cidadania como instrumento cultural e de crescimento pessoal. Ao enfatizarem valores cívicos e práticas de responsabilidade social, essas instituições capacitam os estudantes não apenas academicamente, mas também como cidadãos ativos, conscientes e engajados na comunidade em que vivem.

Há de se considerar as críticas ao modelo, como a possível excessividade da militarização e rigidez disciplinar. Um dos argumentos, por exemplo, é a não existência de quaisquer evidências de melhoria na educação, contradição que pode ser comprovada pelo próprio Ideb. A disciplina é aplicada de forma justa e estruturada com o objetivo de criar um ambiente mais seguro e ordenado, promovendo o desenvolvimento de habilidades importantes para a vida, como autodisciplina, responsabilidade e resiliência.

As escolas cívico-militares representam uma abordagem inovadora e promissora para a educação pública no Brasil e, para tanto, é preciso investir no programa e desenvolvê-lo, de forma a traçar caminhos cuidadosos à implementação com foco nas necessidades específicas de cada comunidade e aplicação das práticas de forma sensível e adaptativa, garantindo que todos os alunos possam se beneficiar de uma educação de qualidade.

* Coronel PM,especialista em Segurança Pública

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Comentários

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Gildázio Garcia Vitor

15 de junho, 2024 | 10:17

“Discurso enviesado. Não se compara as Escolas e/ou Institutos Militares, como, por exemplo, o ITA, o IME e os Colégios Tiradentes, da PMMG, que são excelentes em todos os sentidos, principalmente o acadêmico, com essa invenção denominada Escolas Cívico-Militares.”

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