12 de junho, de 2024 | 12:00

Dia dos Namorados e as novas formas de se relacionar

Andréa Ladislau *


Semana dos namorados e a reflexão se volta para as novas formas de se relacionar. O envio de nudes ou mensagens picantes é um movimento crescente que tem sido bastante utilizado, atualmente, como uma das etapas do relacionamento.

Lembrando que, essa expressão de sexualidade é permitida, desde que haja o consentimento do outro. Do contrário, é crime e pode trazer sérios danos emocionais para a vítima. Porém, quando é uma prática combinada e consensada entre os parceiros, pode ativar aspectos emocionais do voyeurismo que gera prazer e atribui maior intimidade para a relação.

Seria uma nova modalidade de preliminares? Do ponto de vista, psicológico, quais os ganhos positivos da troca de nudes entre os parceiros?

A prática de envio de nudes ou sexting (mensagens eróticas por meio digital) é perfeitamente normal, pois é uma forma de expressão em que o principal objetivo é a obtenção máxima do prazer através do movimento exibicionista ou do voyeurismo saudável, motivado pelo desejo erótico.

Estudos apontam que a comunicação entre os parceiros pode melhorar com o compartilhamento da intimidade, além da satisfação sexual que auxilia na quebra dos tabus e crenças limitantes. O aspecto erótico se apresenta como um fator potencializador da interação íntima do casal, bem como da geração de sensação de prazer, através do aumento da produção hormonal da endorfina e da ocitocina. Hormônios que, induzidos, por meio das imagens ou expressões picantes, geram o relaxamento e provocam felicidade e bem-estar.

Alguns casais usam a técnica ainda enquanto estão se conhecendo, para estimular a aproximação, “quebrar o gelo” e atiçar a erotização, como uma espécie de “preliminar” para o sexo ou mesmo para movimentar a relação. Porém, existe uma linha tênue que precisa ser observada que é, o excesso e a compulsão por imagens, em detrimento do afeto pessoal e do toque.

É preciso respeitar os limites do comportamento e consentimento entre ambas as partes, para não cair na armadilha da erotização criminosa, caracterizando um bullying velado, um assédio sexual, chantagem pós término (ameaçar expor imagens ou vídeos eróticos do outro), entre outros.
“É preciso respeitar os limites do comportamento e consentimento entre ambas as partes, para não cair na armadilha da erotização criminosa”


Atitudes consideradas crimes que devem ser denunciadas de forma imediata. O princípio da relação íntima saudável é baseado na cumplicidade, no respeito, no consenso e, principalmente, na comunicação correta e assertiva entre os pares.

Não existe restrição para o estímulo à excitação à distância, através do sexting ou nudes, uma vez que o movimento é considerado, inclusive, uma ferramenta para manter e aumentar a libido. No entanto, quando um dos parceiros fere o princípio da confiança e vaza imagens e expressões eróticos para ferir o outro, certamente, as consequências dessa exposição íntima, serão as piores possíveis.

O compartilhamento indevido de fotos ou vídeos pode levar a pessoa a um adoecimento mental tão severo, despertando sintomas característicos de ansiedade generalizada, depressão, alucinações, fobias intensas e até mesmo o suicídio. Inclusive, muitos jovens já atentaram contra a própria vida, por sofrerem essa violência e não serem capazes de conseguir lidar com os efeitos de uma exposição não consentida.

Ou seja, impactos psicológicos que podem se tornar irreparáveis, caso não haja uma intervenção e acompanhamento de um profissional de saúde mental, além do acolhimento de uma rede de apoio preparada e estruturada para amparar as vítimas.

Portanto, a forma de expressar sentimentos e se relacionar pode ser diversificada e está tudo bem. Adotar o envio de Nudes ou Sexting como ferramenta de erotização não é errado e não deve ser motivo de vergonha.

No entanto, a sabedoria pede que os casais estejam conscientes de seus atos e aprendam a investir em sua qualidade de vida, buscando o prazer com resguardo, preservação e respeito aos nossos limites e do outro, evitando a promiscuidade e os excessos, partindo sempre do princípio de que bem-estar e felicidade na relação ocorrem muito mais dentro do que fora de nós.

* Psicanalista

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