Silvia Miranda/Arquivo DA
Marha Azevedo tinha 78 anos, foi a mais importante colunista da história do Diário do Aço, no fim dos anos 1970 e anos 1980 e também foi produtora de shows artísticos
Familiares e amigos despediram-se no fim da tarde de domingo (9), no cemitério Senhor do Bonfim, em Coronel Fabriciano, da jornalista, produtora de eventos e ex-colunista do Diário do Aço Martha Azevedo.
Considerada a mais influente colunista social que já atuou no Vale do Aço, Martha morreu na noite de sábado (8), aos 78 anos. Familiares informaram que ela estava internada no Hospital Metropolitano Unimed em função dos efeitos de um câncer contra o qual lutava há alguns anos. No fim de semana, ela não resistiu e seu quadro evoluiu para óbito.
Em setembro de 2021, a jornalista Silvia Miranda foi a autora da reportagem
"As histórias artísticas de Martha Azevedo". Em entrevista à repórter, Martha rememorou os momentos de glória, ao lado de Xuxa Meneghel e outros artistas de expressão nacional.
Sílvia Miranda
Último registro de Martha feito pelo Diário do Aço, pela repórter Sílvia Miranda, em junho de 2022
Além de atuar como jornalista, Martha foi também produtora de eventos artísticos de peso na região. Da sua amizade mais famosa com Xuxa, com o piloto Ayrton Senna e atores famosos, Martha relembrou como foram os anos de glamour vividos no Rio de Janeiro e viajando por todo o Brasil.
Atribui-se a ela a promoção de uma das primeiras apresentações ao vivo de Xuxa Meneghel, em um show produzido por Martha em Ipatinga.
Martha Azevedo era natural de Belo Oriente, morou em Belo Horizonte, onde formou-se em Jornalismo e seu primeiro trabalho foi no extinto Diário da Manhã, no Vale do Aço, na década de 1970. Também chegou a atuar no Diário do Aço, por vários anos.
"Logo no início, fiz um show do Roberto Carlos, no Campo da Usipa, com a renda destinada à Cidade do Menor, comandada pelo bispo Dom Lara. O Rei (Roberto Carlos) ainda estava começando a sua carreira e por isso a estrutura do evento foi pequena e ele veio de ônibus”, contou.
Arquivo pessoal
O primeiro “Xou da Xuxa” foi em Ipatinga, em 1985, e ocorreu devido a iniciativa de Martha
De um dos trabalhos mais importantes, ela destaca a cobertura da visita do Papa João Paulo II a Belo Horizonte, em 1980. “Tenho até hoje a credencial da cobertura da vinda do papa. Eu guardo com muito carinho, como se eu estivesse guardado a foto de um santo, porque eu tenho muita fé e isso foi uma marca pra mim”, falou com emoção.
Segundo Martha, ao todo foram 21 anos de jornalismo, passando por vários jornais e com destaque no trabalho das colunas sociais. Deixou o jornalismo em 1986 para dedicar-se exclusivamente à produção de shows, pois não conseguia mais conciliar os dois trabalhos, devido às muitas viagens que fazia, vindo ao Vale do Aço a cada três meses apenas. “Fazer Coluna Social na época era contar sobre a vida da sociedade e era uma disputa muito grande para quem aparecia mais e eu fazia muitos eventos”, relembrou.
LegadoPara o irmão, João Azevedo, o principal legado deixado por Martha é o seu lado humanitário. “A lembrança é da permanente preocupação que tinha com as pessoas. Ajudava a todos que necessitavam e gostava muito de fazer isso. Tinha esse lado filantrópico dela, inesquecível”, enfatiza.
Martha tinha 29 irmãos, entre aqueles do primeiro e do segundo casamento do seu pai. Nos últimos três meses, Martha recebeu cuidados em sua residência, no Cidade Nobre, da sobrinha, Karina Azevedo.
Arquivo pessoal
Entre tantas amizades com artistas, a mais famosa foi com a modelo e apresentadora Xuxa Meneghel e consequentemente com o piloto Ayrton Senna
Depoimentos de amigos e ex-colegas de trabalho enfatizam dedicação nos afazeres e cuidado humano
Em seu perfil no Instagram, a empresária, produtora e diretora de TV Marlene Mattos postou uma homenagem em que lamenta a partida de Martha Azevedo. “Hoje, 9 de junho, perdemos a companhia de uma amiga muito querida. Ela foi a pessoa que comprou o primeiro show de um trabalho ainda começando. Extraordinária pessoa! Fomos amigas por uma vida. Partiu hoje para a viagem que todos faremos. Descansou, porque estava em sofrimento. Vá em paz”.
Diário da Manhã “A rainha do jornalismo do Vale do Aço, a incomparável Martha Azevedo acaba de nos deixar. No que tange a mim, ela nunca estará ausente, tão amigos, queridos e fiéis que fomos. Tive o prazer de tê-la como minha colunista social no Diário da Manhã. Por mais de uma década. Nunca conheci pessoa mais competente e extremamente obcecada pela sua profissão. Não tenho receio algum em afirmar que Martha Azevedo está agora sob a guarda de Jesus Cristo”. Este é o testemunho do ex-patrão e amigo dela, José Rodrigues do Amaral, o Carioca.
Sílvia Miranda
Duas lendas da comunicação: O ex-editor do Diário do Aço, João Senna do Reis, em visita a Martha Azevedo em 2021
Diário do Aço
Para João Senna dos Reis, ex-editor chefe do Diário do Aço, Martha Azevedo estava à frente do seu tempo. Assim que arrefeceu o período da pandemia, em 2021, ele conta que foi ao encontro dela fazer uma visita. “Ficamos horas lembrando das dificuldades de se fazer um jornal, no caso o Diário da Manhã, quando Ipatinga vivia o apogeu da indústria siderúrgica, e tudo o mais parecia ser irrelevante. Dessa persistência, vieram no rastro assessorias de imprensa, escolas de jornalismo e outras atividades inerentes à área da comunicação”, conta.
Senna acrescenta que Martha Azevedo era engajada em causas sociais es sempre usou o prestígio adquirido com muito trabalho e credibilidade em prol de instituições e pessoas necessitadas.
“Vieram as novas tecnologias e Martha continuou no topo, uma prova inequívoca da sua visão futurista para fugir ao trivial de futilidades do mundinho fashion de alguns colunistas. Estava afastada há muito das suas atividades laborais, mas o seu legado é perene. Como prova disso, o Diário do Aço tem recebido mensagens comovidas de leitores de todas as camadas sociais, desde a publicação de sua passagem, no fim da noite de sábado”, conclui.
A reportagem completa sobre Martha Azevedo pode ser lida no link 👉
As histórias artísticas de Martha Azevedo