Arquivo pessoal
Cássio Moreira da Silva faleceu no dia 11 de março, na porta de um supermercado no Centro de Fabriciano
A família do eletriscista Cássio Moreira da Silva, morto após ser imobilizado por seguranças de um supermercado da região, organiza um protesto no próximo domingo (9), às 10h. A manifestação ocorrerá em frente à Igreja Matriz de Coronel Fabriciano, no Centro. Três meses após o falecimento de Cássio, ainda não há nenhum acordo judicial com a empresa responsável pelos funcionários.
Cássio Moreira era morador do bairro Melo Viana e tinha 55 anos. No dia 11 de março deste ano, ele foi imobilizado por dois seguranças de um supermercado no Centro. Vídeos feitos por populares mostram Cássio sendo contido em frente ao estabelecimento comercial.
O homem foi agredido após o segurança suspeitar que ele teria roubado bebidas e alguns outros itens do estabelecimento. Ao ser contido pelos seguranças, a vítima resistiu e, com a força empenhada pelos profissionais a serviço do supermercado, acabou morrendo de asfixia. A vítima foi levada ao hospital, mas já teria chegado sem vida.
Izabel Cristina Moreira é irmã de Cássio e conta que será uma manifestação pacífica, para não deixar o assassinato de seu irmão cair no esquecimento. "Vamos reunir familiares, amigos e todos que se sentiram indignados com a violência ocorrida no dia do assassinato do meu irmão. Ele trabalhava, tinha muitos amigos, era amado pela família, não merecia ser morto de forma brutal, como foi", declarou a irmã, acrescentando que Cássio era eletricista e prestava serviço para algumas empresas da região.
ProcessoO advogado da família da vítima, Wanderson Bruno Soares Secundino, que atua em Ipatinga, explica que já se passaram três meses e a empresa se recusa a dar um posicionamento e não prestou nenhuma assistência. A família espera que a empresa reconheça o dano e realize a justa compensação. Ainda conforme o advogado, a empresa se recusou a fornecer as filmagens que possam provar que Cássio tenha roubado algum produto.
“Depois apresentaram uma sacola com os possíveis bens subtraídos, mas quem está subtraindo algo tem tempo de colocar em sacola? Para nós é mais uma situação que foi forjada. Igual alegaram que ele ainda estava vivo e que chegou com vida ao hospital. A própria polícia atestou que ele já não tinha mais sinais vitais", argumenta Wanderson Bruno.
A família da vítima pede o reconhecimento do dano e a justa compensação por parte do supermercado. "Já tivemos várias reuniões com os advogados da empresa, mas sem chegar a um acordo pelos danos causados à família. Deixando claro que a família não tem interesse em extorquir a empresa, mas que a contraprestação seja ao menos na medida do dano de uma mãe de mais de 90 anos que perde um filho da forma que perdeu", declarou o advogado.
InquéritoEm nota enviada pela assessoria de comunicação, a Polícia Civil de Minas Gerais informou que o inquérito policial sobre este caso foi devidamente concluído e remetido à Justiça Pública. A PC, porém, alega não ser possível detalhar mais informações, pois o caso tramita em sigilo de Justiça.
Já publicado:
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