01 de junho, de 2024 | 08:30

Um em cada quatro adultos infectados com covid-19 em MG relata sintomas de covid longa

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Em algumas pessoas, sintomas da covid podem durar por meses ou até anosEm algumas pessoas, sintomas da covid podem durar por meses ou até anos

Classificada como pandemia pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em março de 2020 e causada pelo vírus SARS-CoV-2, a covid-19 foi responsável por mais de 700 mil mortes no Brasil, de acordo com dados do Ministério da Saúde (MS).

Em Minas Gerais, 6,1 milhões de pessoas tiveram covid-19 detectada por teste ou por médico, ou consideram ter tido a doença. Destas, 24,4%, o que equivale a 1,5 milhão de pessoas, relataram a permanência de algum sintoma após 30 dias do início da enfermidade ou o surgimento de sintomas depois desse período.

Os dados constam no suplemento da PNAD Contínua, produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) no primeiro trimestre de 2023. A pesquisa investigou aspectos relacionados à infecção pelo coronavírus (com ou sem diagnóstico médico), ao número de doses de vacinas recebidas e a eventuais sintomas da covid longa.

Márcio Castro, médico infectologista que atua no Vale do Aço, detalha esses possíveis sintomas da covid longa. “São as manifestações que a gente pode ter após a síndrome gripal por covid. Essas pessoas, com uma parcela significativa delas, podem manter sintomas após a fase aguda. Podem ser alterações, tipo cansaço, alterações inflamatórias, sistêmicas, cognitivas, de memória, capacidade de concentração. Algumas pessoas podem manter vários tipos de alteração que podem durar meses ou anos”, explica.

Vacinação
A pesquisa do IBGE ainda aponta que no 1º trimestre de 2023 – ou seja, cerca de dois anos após o início da vacinação contra covid-19 no Brasil, cerca de 188,3 milhões de pessoas de cinco anos ou mais no Brasil, sendo 19,3 milhões moradoras de Minas Gerais, haviam se vacinado ao menos uma vez contra essa doença.

Destas, 12,5 milhões em Minas relataram ter tomado todas as doses recomendadas pelas autoridades de saúde. Em contrapartida, 6,2 milhões de mineiros reportaram não ter tomado todas as doses. Isso significa uma proporção de imunizados com esquema vacinal incompleto de 32,2% das pessoas de cinco anos ou mais no estado, ante 64,9% que reportam ter tomado todas as doses recomendadas, o que coloca Minas na quarta colocação entre aqueles com maiores percentuais de vacinação completa.

Os estados com maiores proporções de imunização incompleta são Roraima (61,2%), Pará (60,3%) e Maranhão (58,2%). Na outra ponta estão Amapá (28,3%), Pernambuco (28,4%), Rio de Janeiro e Distrito
Federal, ambos com 31,0% de pessoas de 18 anos ou mais com o esquema vacinal incompleto.

“A gente observa e a literatura (estudos) têm mostrado que pessoas sem imunização completa têm um risco maior de formas graves e até de morte. Lembrando que as cepas virais que circulam atualmente não são protegidas por aquela vacina inicial, independente de qual marca. Para essas novas cepas, é essencial a vacina bivalente, que começou a ser usada no ano passado”, afirma Márcio Castro.

A não imunização preocupa especialistas quanto ao desenvolvimento da forma grave da doença, que inclusive, continua matando. Conforme já divulgado pelo Diário do Aço, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) confirmou cinco óbitos por covid em 2024 no setor de atuação da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Coronel Fabriciano, número próximo das mortes provocadas pela dengue (seis) na região.

Conforme dados da Central de Informações do Registro Civil (CRC Nacional), Minas Gerais conta 447 mortes por covid este ano.

Perfil de vacinados
Quando se avalia o perfil das pessoas de cinco anos ou mais que tomaram ao menos uma dose da vacina, o estudo mostra que as mulheres, tanto no Brasil quanto em Minas, se protegem mais que os homens: a proporção de mulheres ao menos parcialmente imunizadas era de 96,4% no estado e 94,8% no país, enquanto 95,3% das pessoas de cinco anos ou mais do sexo masculino em Minas e 93,0% no Brasil reportaram ter tomado ao menos uma dose da vacina.

Essa tendência, porém, não se repete entre as meninas e adolescentes de cinco a 17 anos em Minas, visto que elas alcançaram proporções menores de vacinados do que entre os meninos do mesmo grupo etário.

Quanto aos grupos etários, nota-se a seguinte tendência: quanto mais avançada a faixa de idade, maior a proporção de vacinados. No grupo de pessoas de cinco a 11 anos, em Minas Gerais, a incidência de vacinados era de 84,6%; de 12 a 17 anos, 94,4%; de 18 a 59 anos, 97,1%; e, por fim, no grupo de pessoas de 60 anos ou mais, 98,1% em Minas Gerais haviam se vacinado ao menos uma vez contra a covid até o 1º trimestre de 2023.
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