Divulgação Gerdau
O Sindicato dos Metalúrgicos de Barão de Cocais informou que 487 funcionários foram demitidos e número pode passar de mil, com terceirizadas e serviços
A Gerdau anunciou a “hibernação da unidade” em Barão de Cocais, com a paralisação das operações da usina e a demissão de centenas de trabalhadores. Em nota oficial, a companhia afirmou que a decisão foi resultado de uma profunda análise da competitividade da planta em relação às condições do mercado de aço no Brasil. “Os custos elevados de matérias-primas e a insuficiência da produção de minério de ferro próprio, em Minas Gerais, somados a uma estrutura com menor nível de atualização tecnológica da usina, estão afetando diretamente a competitividade da unidade frente ao cenário desafiador do setor. A medida está em linha com o planejamento estratégico da empresa de otimização de ativos”, enfatizou. Veja vídeo no fim do texto.
O Sindicato dos Metalúrgicos de Barão de Cocais indica que 487 funcionários já foram demitidos. Entretanto, o impacto poderá atingir mais de mil trabalhadores, de empresas terceirizadas e prestadores de serviços indiretos.
No comunicado, a siderúrgica ressaltou que está empenhada em conduzir o processo de “hibernação” da usina de forma humanizada, visando minimizar os impactos aos colaboradores e as comunidades próximas. O grupo reiterou que buscará realocar o máximo possível de profissionais em outras unidades e oferecerá programas de capacitação na área industrial, além de promover a gestão com foco em empreendedorismo para a população do entorno da usina”.
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Usina foi fundada em Barão de Cocais em 1923, uma das primeiras de Minas Gerais
Usina siderúrgica de Barão do Cocais tem 101 anos de fundação
A siderúrgica operada pela Gerdau em Barão de Cocais tem 101 anos de fundação. Ela foi fundada em 1923 como Usina Morro Grande (1923) depois passou a ser a Companhia Brasileira de Usinas Metalúrgicas (CBUM). Na década de 1970 foi vendida para o Grupo Bozano-Simonsen, depois para a Cimetal Siderurgia S/A e, em 1988, a Gerdau arrematou a massa falida da Cimetal. Portanto, há 36 anos a usina era operada pela gaúcha Gerdau.
Atualmente a usina tem capacidade para produzir 330 mil toneladas de aço por ano, em dois alto-fornos a carvão vegetal e uma aciaria. O aço laminado em Barão tem como destino prioritário o mercado interno, para bens de capital, torres de transmissão de energia, construção civil, pivô de irrigação, ferramentas manuais (forjaria), entre outros destinos.
Reprodução de vídeo
O prefeito Décio Geraldo dos Santos (PSB): ''Nos sentimos traídos, faltou transparência, faltou negociação"
Faltou transparência, fomos traídos!", afirma prefeito de Barão de Cocais
O prefeito de Barão de Cocais, Décio Geraldo dos Santos (PSB) foi avisado da "hibernação da empresa", na tarde desta segunda-feira (27). Em um vídeo publicado em um perfil oficial do município, o prefeito afirma que "hibernação" é uma maneira velada de se falar em fechamento da empresa. "Nós nos sentimos traídos pela empresa com o município. "Faltou negociação, faltou um pouco mais de transparência, até mesmo para os funcionários, que chegaram para trabalhar e descobriram que estavam demitidos. Faltou buscar uma via, uma negociação para se evitar o fechamento", disparou o chefe do Executivo.
Cenário crítico desde 2022
A exemplo de outras siderúrgicas brasileiras, a Gerdau enfrentou, desde o ano de 2022, impactos da importação de aço. Conforme divulgado pela empresa gaúcha, o lucro líquido da companhia recuou 41% no ano passado, no confronto com igual período anterior, para R$ 6,9 bilhões, por reflexo da situação adversa com importações do aço chinês. No primeiro trimestre deste ano, o lucro foi reduzido em 48%, para R$ 1,2 bilhão, na comparação com os primeiros três meses de 2023.
Recentemente, o governo federal, na tentativa de diminuir o excesso de aço importado e ajudar as siderúrgicas,
estabeleceu cotas de importação para 11 produtos siderúrgicos e elevou para 25% a alíquota sobre o excedente. A norma entrará em vigor em 1º de junho, com validade de 12 meses.
Na época, o CEO da Gerdau, Gustavo Werneck, reconheceu a importância da medida, mas disse que é apenas um passo inicial e que não resolve totalmente os problemas do setor. Para ele, é necessária uma solução estrutural, que passa por debates mais amplos, como o de redução dos preços do gás.
(Com informações do Diário do Comércio e Gerdau)