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25 de maio, de 2024 | 11:00

Além da Caverna

Wanderson R. Monteiro *


Em seu famoso "Mito da Caverna", Platão busca nos mostrar como, muitas vezes, estamos presos na escuridão de nossa ignorância, e nos mostra como essa ignorância tem a capacidade de limitar nosso entendimento e compreensão da realidade.

A história narrada por Platão nos fala de alguns homens presos em uma caverna, sem nunca terem visto o mundo exterior. Quando um deles é liberto e conhece a verdade sobre o mundo exterior, ele percebe o quanto a sua visão, conhecimento e compreensão de mundo eram limitados. Ao retornar para a caverna e contar para seus antigos companheiros sobre a realidade existente além da caverna, o homem foi extremamente ridicularizado por aqueles que ainda estavam presos à sua visão limitada sobre o mundo.

A história narrada por Platão continua sendo extremamente importante em nossa sociedade atual, onde, muitas vezes, julgamos o mundo com base em nossas percepções limitadas e conhecimentos superficiais, sem nos darmos conta da dimensão das coisas que ignoramos.

Para que possamos fazer julgamentos mais justos, precisamos expandir nosso conhecimento e abrir nossas mentes para novas informações e perspectivas. Como Sócrates, mestre de Platão, já nos mostrou, em sua busca pela verdadeira sabedoria, que reconhecer nossa própria ignorância é o primeiro passo para o conhecimento.
“Devemos adotar uma postura humilde, reconhecendo que nossa ignorância é vasta e que sempre existem mais coisas para se aprender”


Sócrates recebeu do oráculo de Delfos a afirmação de que ele era “o mais sábio dos homens”. Na tentativa de mostrar que o oráculo estava errado, Sócrates se encontrou com pessoas que ele considerava serem mais sábias do que ele, como políticos, poetas e artífices, e descobriu que estas pessoas não eram tão sábias como ele imaginava. Com isso, Sócrates chegou à conclusão que ele era mais sábio que elas, pois sua sabedoria residia na consciência de sua própria ignorância, fato imortalizado em sua famosa frase dita em resposta ao oráculo: “só sei que nada sei”.

Hoje, em nossa sociedade atual, é fácil perceber que queremos sempre dar a nossa opinião sobre as coisas que vemos e ouvimos. Somos rápidos em opinar sobre tudo, muitas vezes sem ter o conhecimento necessário para isso. As redes sociais aumentaram ainda mais essa tendência, pois, com elas se tornou mais fácil de compartilharmos opiniões, muitas vezes errôneas, que obscurecem a verdade e a realidade sobre inúmeros fatos e acontecimentos.

Para mudar essa triste realidade, devemos adotar uma postura humilde, reconhecendo que nossa ignorância é vasta e que sempre existem mais coisas para se aprender. Somente saindo das cavernas de nossa ignorância, na tentativa de tomar conhecimento de toda a realidade que ignoramos, é que poderemos fazer julgamentos mais justos e contribuir para um entendimento mais profundo e verdadeiro do mundo e da realidade ao nosso redor.

* Autor do livro “Cosmovisão Em Crise: A Importância do Conhecimento Teológico e Filosófico Para o Líder Cristão na Pós-Modernidade”. São Sebastião do Anta – MG.

Obs: Artigos assinados não reproduzem, necessariamente, a opinião do jornal Diário do Aço

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Comentários

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Gildázio Garcia Vitor

25 de maio, 2024 | 13:00

“Só tenho uma dúvida, e, talvez, uma certeza. Se Sócrates nada sabia, como ele sabia disso? A Senhora Xântipe que lhe disse! Aqui em casa é assim. "Só sei que nada sei" porque a minha esposa está sempre me jogando essa verdade nas fuças.”

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