No dia do gari, profissionais de limpeza urbana relatam que serviço prestado não é valorizado pela população

16/05/2024 às 09:00
Enviada ao Diário do Aço
Coletores orientam população a ter mais consciência com o descarte de lixo
Por Isabelly Quintão - Repórter Diário do Aço
Nesta quinta-feira (16) é celebrado o Dia do Profissional de Limpeza Urbana. Trabalhadores que no dia a dia deixam suas famílias em suas casas para prestar serviços a toda a população. O trabalho é árduo e exige muito esforço e colaboração dos residentes de cada município.

Por esse motivo, a reportagem do Diário do Aço entrevistou profissionais responsáveis por fazer com que os locais públicos do Vale do Aço fiquem limpos e conservados, visando destacar a importância do trabalhador.

O supervisor de coleta, Douglas Arzemiro, atua em Timóteo e relatou que o serviço não é valorizado da forma que deveria. “Tem muita gente que não dá valor. Tem pessoas bacanas que ajudam os coletores, mas alguns não estão nem aí. Às vezes estamos pegando o lixo e uma pessoa chega e joga sacolas do segundo andar, quase acertando a gente. E se você falar, eles ficam bravos e falam que vão reclamar”, contou.

Douglas também pontuou que muitas vezes as pessoas descartam o lixo de maneira incorreta. “Acontece de colocarem vidro em embalagem errada, colocarem seringa em sacola. Mas fazemos o serviço com a maior responsabilidade, com amor. E trabalhamos com isso porque gostamos. Se não gostar, não trabalha não. Em dia de sol o serviço não para. Folgamos todo domingo, mas temos poucos feriados no ano que paramos. Os feriados que todas as empresas param, trabalhamos direto”.

Descarte incorreto
Ele também enfatizou que a população deve ter mais consciência ao fazer o descarte de itens que serão jogados fora. “Pedimos mais consciência por parte das pessoas para embalar os itens direito. Também é importante saber a hora certa de colocar o lixo para fora. Cada bairro tem uma rota. Segunda, quarta e sexta é um lugar. Terça, quinta e sábado é outro. As pessoas já sabem os dias, mas acaba sendo difícil, pois os coletores fazem um serviço excepcional e a população reclama depois. Às vezes vão falar que a coleta não foi feita direito, e o caminhão já até passou no local”, detalhou.

O supervisor dos coletores ressaltou que tem apoio por parte da empresa em que trabalha, mas a maior dificuldade consiste na falta de ajuda da população. "Trabalhamos para atender a população da melhor maneira possível, mas precisamos da colaboração também. Fazemos o serviço com amor. Todos os coletores dizem que a empresa que trabalhamos atualmente é uma das melhores que já passou pelo Vale do Aço, pois temos apoio".

Enviada ao Diário do Aço
De forma frequente, coletores são colocados em risco por falta de apoio da população

Colaboração da população
O coletor Adailson Evangelista Souza, que trabalha em Timóteo, também reforçou que a colaboração dos munícipes é muito importante para manter a limpeza da cidade.

“Os profissionais de limpeza ajudam na organização da cidade, dando mais segurança para as pessoas. Mas frequentemente nos deparamos com seringas, vidros quebrados e espinhos na sacola. Tudo que pode machucar os coletores, é bom escrever e deixar claro nas embalagens”.

Adailson ainda contou que já tiveram ocasiões em que moradores relataram que o caminhão de coleta passou na rua onde residem e não recolheu o que deveriam. No entanto, a colaboração por parte deles também não foi feita.

“Nem todos os moradores fazem isso, mas alguns esperam o caminhão de coleta passar e só assim colocam o lixo para fora. Alguns reclamam que passamos na rua e não pegamos, mas também não atenderam o horário correto. Colaborem conosco. Coloquem o lixo para fora às 7h; e a turma da noite às 15h. Nós agradecemos muito, isso também evita que os cachorros rasguem as sacolas”.

Importância
Para Adailson, a valorização dos profissionais de limpeza urbana deveria ser maior. “Somos muito importantes para a cidade. Somos as pessoas que tiramos vidros dela. Colocamos a nossa família em risco por causa de muita coisa. Por isso que todos os coletores precisam de mais valor”, concluiu.
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