Com informações da Agência BrasilA Polícia Federal abriu investigações sobre a divulgação de "notícias" falsas sobre ações dos governos federal, estaduais e municipais nas enchentes do Rio Grande do Sul. O pedido de abertura da investigação foi feito pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. Até o começo da noite de quarta-feira, o balanço apontava
mais de 100 vidas perdidas na calamidade.
Divulgação PF
Políticos, empresários, influenciadores digitais e até um 'coach' estão no alvo das investigações sobre notícias falsas relacionadas à catástrofe climática no RS
No ofício, o ministro-chefe da Secom, Paulo Pimenta, lista de nomes de influenciadores digitais, de contas em redes sociais e postagens na Internet que vêm disseminando informações falsas sobre o trabalho de resgate de pessoas e sobre a recuperação dos estragos no Estado. Segundo Pimenta, há "narrativas desinformativas e criminosas" que causam impacto no aprofundamento da crise social vivida pela população gaúcha.
O entendimento de comunicadores é que a investida de alguns políticos, pseudo influenciadores e até um suposto coach, visa polemizar e ganhar visibilidade aproveitando-se do potencial de um momento de grande comoção social com a catástrofe gaúcha. "Alguns que, de certa forma estavam apagados, aproveitaram-se para ganhar grande engajamento com a veiculação de vídeos com informações inverídicas. É desumano, mas é o modelo que as mídias sociais geraram. Quanto mais polêmica, não interessa se verdade ou mentira, maior o engajamento", apontam os comunicadores.
Dentre os conteúdos disseminados, alguns afirmam que o Governo Federal não estaria ajudando a população, que a FAB (Força Aérea Brasileira) não teria agilidade e que o Exército e a PRF (Polícia Rodoviária Federal) estariam impedindo a entrada, no Rio Grande do Sul, de caminhões de auxílio e outras afirmam que o governo brasileiro recusou ajuda oferecida pelo pais vizinho, Uruguai. O governo federal responde dizendo que todas essas acusações não procedem.
"Destaco com preocupação o impacto dessas narrativas na credibilidade das instituições como o Exército, FAB, PRF e
ministérios, que são cruciais na resposta a emergências. A propagação de falsidades pode diminuir a confiança da população nas capacidades de resposta do Estado, prejudicando os esforços de evacuação e resgate em momentos críticos. É fundamental que ações sejam tomadas para proteger a integridade e a eficácia das nossas instituições frente a tais crises", diz o ofício.
Ministério da JustiçaDe acordo com o Ministério da Justiça, a investigação irá apurar ilícitos ou eventuais crimes relacionados à disseminação de desinformação e individualização de condutas.
Em parceria com a Advocacia-Geral da União (AGU), serão acionados órgãos competentes para ações judiciais de responsabilização dos culpados.
AGU pede direito de resposta a 'choach' por fake news
A Advocacia Geral da União (AGU) confirmou nesta quarta-feira que entrou com ação judicial com pedido de resposta contra o coach Pablo Marçal em razão de postagens com informações falsas sobre a atuação das Forças Armadas na prestação de auxílio à população do Rio Grande do Sul, vítima de inundações causadas por tempestades registradas no estado. Marçal foi acionado pela AGU por ter postado vídeos no Instagram e no TikTok acusando as Forças Armadas de inércia na tragédia.
Conforme a Constituição Federal, o direito de resposta deve ser proporcional ao agravo sofrido. Na avaliação da AGU, o pedido de direito de resposta “é necessário para promover o esclarecimento do conteúdo e manter a integridade da informação em prol de toda a sociedade.”
A AGU informa que “as Forças Armadas estão atuando desde o dia 1º de maio no resgate de pessoas, além da realização de atendimentos médicos, transporte de equipes e materiais e arrecadação e entrega de donativos para a região. Somando Exército, Marinha e Força Aérea Brasileira, a operação conta com um efetivo de quase 12 mil militares, além de 94 embarcações, 348 veículos, quatro aeronaves e 17 helicópteros.”
Marçal é influenciador digital e promove conteúdos sobre como fazer negócios na internet e inteligência emocional. Em 2022, ele chegou a se candidatar à Presidência da República, mas teve a candidatura barrada.
Rede social XA AGU também encaminhou à rede social X (antigo Twitter) pedido, em notificação extrajudicial, para que em até 24 horas, a plataforma acrescente a postagens com desinformações sobre o patrocínio do show da cantora Madonna no Rio de Janeiro o esclarecimento de que não houve qualquer repasse de recursos federais para o evento.
A AGU ressalta “que as publicações infringem os termos de uso da própria plataforma {X} – que proíbe a publicação de conteúdo enganoso ou fora de contexto com potencial de causar confusão generalizada sobre questões públicas.”