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28 de março, de 2024 | 11:00

Tendência vegana e vegetariana em todo o mundo: o papel dos cientistas nesse cenário

Bruno Russo *


Na última década pudemos observar o crescimento das dietas vegana e vegetariana em todo o mundo, impulsionado principalmente por preocupações com a saúde, bem-estar animal e o meio ambiente. Segundo levantamento realizado pelo Ibope, aproximadamente 14% dos brasileiros se consideram vegetarianos - montante que representa um aumento de 75% em comparação a 2012.

Já de acordo com dados da Euromonitor International, fornecedora independente de pesquisa de mercado estratégico, a previsão é que o faturamento de produtos vegetarianos e veganos alcance a marca de US$ 51 bilhões.

Esse cenário levou a uma intensificação não apenas da procura por alimentos à base de plantas, como também por opções que imitassem os gostos, texturas, cheiros e cores de comidas de origem animal. Atentas a essa crescente demanda, as empresas do segmento alimentício passaram a focar seus esforços no desenvolvimento desses produtos, e atualmente temos grandes marcas como Sadia, Seara, Hellmann’s e Nestlé oferecendo opções veganas – esta última, inclusive, estima que seus produtos veganos superarão US$ 1 bilhão em vendas até 2029.
"“A carne de laboratório é feita a partir da coleta de células de animais, sem a necessidade que sejam criados como bens de consumo e depois abatidos”


Mas, para conseguir produzir alimentos que atendam às necessidades alimentares específicas desse grupo, é preciso muita pesquisa, desenvolvimento de produtos e testes. Por isso, atualmente existem profissionais que são essenciais para trazer os projetos do papel para a realidade: os cientistas.

Eles têm sido fundamentais para o desenvolvimento de novas tecnologias e alternativas alimentares, como a carne de laboratório. Essa inovação revolucionária promete oferecer uma alternativa sustentável à carne convencional, reduzindo significativamente os impactos ambientais associados à produção de carne animal, e deve se popularizar cada vez mais entre aqueles que buscam consumir carne de uma maneira mais consciente e ecológica.

Recentemente, pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) receberam R$ 2,4 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), agência pública de fomento à inovação, para tentar criar carne bovina cultivada a partir de células animais em ambiente controlado. No ano passado, a Embrapa Suínos e Aves divulgou que estava desenvolvendo uma carne de frango também cultivada em laboratório. Já no setor privado, tivemos o anúncio da JBS de que vai investir R$ 495 milhões para se estabelecer como uma das maiores produtoras desse tipo de alimento do mundo.

Mas como exatamente ela é produzida? A carne de laboratório é feita a partir da coleta de células de animais, sem a necessidade de que sejam criados como bens de consumo e depois abatidos. Essa técnica tem o potencial de reduzir o sofrimento animal, diminuir a emissão de gases de efeito estufa, o consumo de água e a degradação ambiental causadas pela agropecuária – pautas que são de extrema importância não apenas para defensores do veganismo e vegetarianismo, como também para carnívoros que buscam ser mais sustentáveis em sua rotina de alimentação.

Mas, ainda que o seu consumo esteja crescendo globalmente, esse tipo de alimento enfrenta desafios técnicos e regulatórios, que vão desde a identificação das células mais adequadas, passando pelo desenvolvimento de métodos eficientes de cultivo em larga escala, até a desmistificação de como é produzido, se traz algum dano à saúde e se sua produção fere alguma lei.
"“A própria sociedade deve se conscientizar do impacto ao ambiente que o seu consumo causa, pois isso dificilmente virá do mercado ou de quem cria leis”


Em setembro de 2023, foi apresentado pelo presidente da Comissão de Agricultura da Câmara um projeto de Lei que impossibilitaria a reprodução, importação, exportação, transporte e comercialização da proteína de laboratório. Portanto, não há dúvidas de que há uma série de obstáculos a serem superados antes que esse alimento possa de fato se tornar uma alternativa viável, acessível no mercado e consumida amplamente.

No entanto, apesar dos desafios, seu potencial de transformar a indústria alimentícia e diminuir os impactos negativos da agropecuária é inegável. Mas isso só vai acontecer quando os investimentos forem direcionados para pesquisas e desenvolvimento nessa área, por isso temos um longo caminho pela frente até que a carne de laboratório se torne parte da dieta global.

É preciso que a própria sociedade tome conhecimento do real impacto ao meio ambiente que o seu consumo traz, já que isso dificilmente virá de quem detém o mercado ou cria as leis. Portanto, é nosso dever escolher e priorizar aquilo que de fato muda o mundo e vai além dos nossos interesses e desejos para um bem maior.

* Gerente de Contas da Corning na América Latina e Caribe, uma das líderes mundiais em inovação da ciência de materiais que desenvolve produtos para as áreas de comunicações ópticas, eletrônicos móveis de consumo, tecnologias para displays, automóveis e ciências da vida.

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Comentários

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Javé do Outro Lado do Mundo

30 de março, 2024 | 16:39

“Tal qual os produtos transgênicos, o que está em discussão são os métodos éticos, religiosos e de sustentabilidade. A verdadeira proteína da carne (músculo) é oriunda da junção de aminoácidos de carne animal+ aminoácidos de vegetal pra formar no nosso corpo: o tecido muscular (nossa carne). Essa ' carne de laboratório ' feita exclusivamente de celulas animais é incompleta pois está ausente o tecido vegetal - poderá sim num futuro se ingerida, causar algum tipo câncer - pois ninguém sabe como ela irá comportar no nosso corpo - por efeito acumulativo nas nossas células. Se fosse tão boa a China que tem os melhores laboratórios de pesquisa do mundo não estaria comprando toda carne que o Brasil produz. Rs.”

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