27 de março, de 2024 | 15:18

Setor sucroenergético à espera de representatividade

Adão dos Reis Gonçalves


A posição e ação da Federação dos Plantadores de Cana (Feplana) têm sido objeto de críticas contundentes por parte de diversos setores associados à produção de cana-de-açúcar no Brasil. O cerne dessa insatisfação reside na percepção dela, uma entidade que deveria primordialmente defender os interesses dos produtores, que não tem se posicionado de maneira eficaz contra as adversidades enfrentadas pelo setor, particularmente em suas negociações no Renovabio. Essa situação tem levado a um questionamento profundo sobre sua representatividade e efetividade.

Primeiramente, é crucial destacar o papel que essa entidade supostamente deveria desempenhar: ser a voz dos produtores de cana, negociando melhores condições, lutando por preços justos em todo o Brasil e assegurando a sustentabilidade e prosperidade do setor.

No entanto, a realidade relatada por muitos produtores é bastante diferente. Conforme Alessandro Cândido, produtor de cana da região de Rio Claro-SP, “Parece que tiveram reuniões com usinas e disseram que acertaram um acordo. Não recebemos nada aqui. Quando recebemos é migalha, agora estão fazendo acordos e celebrando?”.

Alegações de acordos realizados entre essa entidade e as usinas, que não refletem ou beneficiam os interesses dos produtores, têm sido uma constante. Pedro Correia, agricultor de Novo Horizonte (SP) relata a carência na defesa dos direitos do produtor. Segundo ele “Esses acordos que fazem é para dar tempo as usinas, sou produtor há 25 anos, não existe acordo. Eles só querem dinheiro. Ninguém olha por nós”.

“A solução passa pelo fortalecimento da representatividade e atuação eficaz da federação em defesa dos seus representados”

O descontentamento se aprofunda com relatos que, após esses acordos, os produtores continuam a enfrentar dificuldades extremas, sem receber os pagamentos devidos, o que compromete não apenas a saúde financeira de suas operações mas também a sobrevivência do setor como um todo.

Um ponto destacado pelos produtores é a presença de pessoas ligadas as usinas o que também causa estranheza em tudo que acontece. Um número crescente de produtores, expressa a sensação de que as indústrias não escutam suas vozes e agora representantes que não estão defendendo os produtores. Essa percepção de desalinhamento entre os interesses dos produtores e as ações contribui para um clima de desconfiança e questiona a legitimidade da entidade como representante do setor, principalmente nesse segmento.

Diante dessas questões, torna-se evidente a necessidade urgente de uma reavaliação profunda das estratégias e prioridades. É imperativo que a entidade representativa reafirme seu compromisso com os produtores de cana, buscando formas de ampliar sua representatividade e eficácia na defesa dos interesses do setor.

Esse processo deve incluir a abertura de canais de comunicação mais efetivos com os produtores, garantindo que suas preocupações sejam ouvidas e atendidas. Além disso, é crucial que ela atue de maneira transparente, especialmente em relação aos acordos negociados com as usinas, para reconstruir a confiança perdida e assegurar que está, de fato, lutando pelos interesses de todos os produtores de cana.

Em última análise, a crise de representatividade e efetividade enfrentada por ela não é apenas um problema para os produtores de cana; é um desafio para toda a cadeia produtiva do setor sucroenergético e para a economia das regiões produtoras.

A solução passa, necessariamente, pelo fortalecimento da representatividade, da transparência e da atuação eficaz da federação em defesa dos seus representados, medidas que são indispensáveis para garantir a sustentabilidade e o desenvolvimento equitativo do setor.

* Jornalista e empresário em São Paulo e Goiás

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