19 de março, de 2024 | 06:00

No sufoco

Fernando Rocha

Estão definidos os finalistas deste interminável Campeonato Mineiro, uma competição fraca, enfadonha, sem atrativos maiores, a não ser a rivalidade regional entre Galo e Raposa, que confirmaram o favoritismo inicial e farão, novamente, a decisão do título.

Para a torcida atleticana foi um verdadeiro “sufoco” a classificação, pois, mesmo possuindo um time milionário e cheio de estrelas, o Galo foi uma presa fácil e tomou pressão do modesto América, que este ano irá disputar a segunda divisão nacional.

Com os seus métodos de antanho, retrogrado, Felipão optou por escalar sua equipe com dois volantes, excessiva cautela, para jogar com o “regulamento debaixo do braço”, já que poderia perder até por um gol.

Por sua vez, o jovem técnico o América, Cauan de Almeida, não teve medo e escalou um time ofensivo, encurralou, pressionou o poderoso Galo, venceu de 2 x 1 e só não levou por conta dos erros cometidos no primeiro jogo, disputado na Arena MRV, quando saiu derrotado por 2 x 0.

Muito superior
Com tranquilidade e autoridade, o Cruzeiro precisava só do empate e, mesmo assim, foi agressivo, pressionou muito e derrotou o aguerrido Tombense, por 3 x 1, chegando a mais uma final do estadual.

Enquanto teve condição física, o time da pequena e charmosa cidade de Tombos, na Zona da Mata, conseguiu segurar a Raposa e evitou uma goleada.

Depois dos 20 minutos do segundo tempo, o “Gavião Carcará” sentiu o forte calor do domingo na capital mineira e no restante do país, o que facilitou a vitória estrelada, que tem um time muito superior tecnicamente.

Por ter feito melhor campanha na fase de classificação, o Cruzeiro vai jogar a final por dois empates ou dois resultados iguais, além de decidir o título no Mineirão.

Devido a um acordo em vigor entre as diretorias, nos próximos três anos nosso maior clássico terá apenas a torcida do mandante presente no estádio.

FIM DE PAPO

Foi incrível, inimaginável para o torcedor alvinegro, ver o goleiro Everson, a partir dos 25 minutos do 2º tempo, após o Galo sofrer o segundo gol americano, fazer cera para garantir a derrota por um gol de diferença, que lhe deu a classificação. Felipão apequenou o time milionário do Galo, cujo orçamento mensal é mais de dez vezes superior ao do modesto América. A torcida, com razão, teme pelo pior quando enfrentar adversários do calibre de Flamengo, Palmeiras, River Plate, entre outros gigantes, pelo Brasileiro e pela Libertadores.

A diretoria do América, useira e vezeira em olhar apenas até a altura do próprio umbigo, perdeu outra vez a oportunidade de ganhar uma boa grana, além de ter a torcida do Atlético jogando contra o próprio time e a seu favor, caso tivesse liberado uma quantidade maior de ingressos e não apenas os 2 mil anunciados.

O clima tenso entre a torcida alvinegra e o técnico Felipão extravasou antes mesmo do jogo começar, com vaias intensas diante da escalação sem as presenças de Rubens e Alisson. No intervalo, o jurássico Felipão corrigiu um dos seus graves erros e tirou Igor Gomes para a entrada de Rubens, além de ter posicionado melhor Scarpa, Hulk e Paulinho. O Galo melhorou, empatou com Paulinho, mas logo em seguida o Coelho tomou conta do jogo novamente e deu sufoco até o fim.

Esse monstrengo chamado estadual já poderia ter sido decidido caso a Federação Mineira tivesse antecipado algumas rodadas, aproveitando as folgas do meio de semana. Com previsão de realizar a final nos dias 30/3 e 6/4, agora vai depender do calendário da Conmebol, que realizou ontem o sorteio dos grupos da Libertadores e da Sul-Americana, onde o Cruzeiro está inserido, pois poderá haver jogos entre um e outro jogo da final. Vale lembrar que as escolhas da entidade continental, com relação a datas e horários de jogos, prevalece sobre as federações desportivas nacionais e regionais. (Fecha o pano!)

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